A arte e suas representações sobre a finitude da vida
Alegoria do tempo desvendando a verdade – Jean François De Troy (1733)
“Vocês não são especiais. Você não é um floco de neve bonito ou original. Você é a mesma matéria orgânica decadente como todo o resto. “ (Clube da Luta)
“É uma coisa curiosa a morte (…). Todos nós sabemos que o nosso tempo neste mundo é limitado e que eventualmente todos nós acabaremos embaixo de algum lençol para nunca mais despertar. E, no entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece com alguém que conhecemos.” ( Raiz-Forte – Lemony Snicket)
Começo esse post com uma pintura de De Troy, porque acredito que a maturidade nos revela muitas coisas, entre elas o verdadeiro valor da vida e sua finitude. O tempo acaba despertando a verdade em nós. A arte nos revela diferentes leituras sobre a morte, de acordo com o período em que é produzida. Vanitas são uma espécie de natureza morta (still life) que proliferou na Europa nórdica e Países Baixos durante os séculos XVI e XVII. Embora Vanitas e o tema morte sejam comuns a qualquer cultura. No período medieval era comum essa arte estar ligada a práticas funerárias e o termo “Memento Mori” (Pensa na morte), que seria algo como “lembra-te homem de que morrerás um dia”, o que na Idade Média celebrava um ser humano ligado mais ao espírito que à matéria. No Renascimento passou a ser uma maneira de fazer o homem se lembrar de que a vida é muito curta para viver somente para agradar os outros e cultivar futilidades.
Pieter Claesz – Vanitas quiet life
Há elementos que são constantes nesse tema, como coisas apodrecidas (que lembram o envelhecimento), os relógios e ampulhetas (o tempo e a fugaz existência terrena). Também são comuns os instrumentos musicais, flores, borboletas e caveiras. O interessante desse tipo de arte, é a união de elementos que lembram a vida e outros a morte, como a dualidade de nossa existência. Mas qual o antecedfente desse tipo de arte? Podemos apontar o auge do flerte do homem (e artista) com a morte, na Idade Média.
Hans Holbein, o Moço – Gravuras de “A dança macabra” (1497-1543)



Detalhe de caveira ao lado da assinatura de Albrecht Dürer, 1513 – O Cavaleiro, a morte e o Diabo
A própria figura do Plague Doctor, doutor de pragas na Idade Média é usada ainda hoje como representação ligada à morte. O doutor de pragas na Europa possuía um conhecimento empírico ligado aos humores: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático. O correto é que nenhum desses humores proliferasse sobre o outro, então eram feitos tratamentos para equilíbrio dos humores no paciente, entre eles sangrias. A teoria miasmática considerava que doenças como peste negra e a cólera eram causadas por uma forma nociva de ar (mau ar), miasma significa poluição. Os diversos tratados de saúde eram elaborados na tentativa de afastar a peste, muitas vezes de uma maneira supersticiosa, por exemplo, as pessoas deveriam andar contra o vento oeste que era propício ao avanço da peste. Os plague doctors vestiam uma máscara de bico de pássaro que ajudava a praga a sair do corpo do doente. Acreditava-se que a praga (em sua maioria a peste bubônica, mas haviam outros tipos de epidemia) era transmitida por pássaros e a função da máscara era justamente atrair a praga para curar o convalescente. Para a proteção do Plague Doctor, os olhos da máscara eram feitos em um material vermelho que acreditavam ser impermeável às doenças. Dentro da máscara havia diversos itens aromáticos, para proteção do ar pútrido que era visto como causa da infecção. Era também usado pelo doutor uma ponteira de madeira que era usada para examinar o paciente sem tocá-lo.
Desenho de Plague Doctor
Um plague doctor consola uma mulher que acaba de sofrer uma perda na obra do artista contemporâneo Bryn Barnard – The Plague Doctor
Plague Doctors no filme protagonizado por Nicolas Cage, Caça às Bruxas
Nessa época em que a peste se alastrou na Europa as representações de esqueletos “levando” pessoas embora era muito comum. Podemos apontar também as representações dramáticas da morte ou alusões à própria através de pinturas do Barroco e Rococó, como as representações de Nicolas Poussin. No século XVII o nome Arcádia evocava a tradição pastoral, o gênero poético que se desenvolveria desde a Grécia clássica. A idéia principal de Arcádia seria a vida dos pastores ao ar livre, recolhendo ovelhas durante o verão. Nesse clima os pastores tinham tempo de sobra para tocar flauta, compor poemas e talvez até declamá-los em sarau. Arcádia era o paraíso montanhoso da região do Peloponeso, habitada pelos árcades: pastores e caçadores. Era o paraíso romântico governado por Pã e habitado por ninfas, sátiros, centauros e bacantes.
A frase “Et in Arcadia Ego” não é encontrada em nenhuma fonte clássica conhecida, podendo significar em seu contexto original: “Eu, aquele que está morto, também vivi na Arcádia” ou “Eu, a morte, também estou na Arcádia”. Eis que no quadro de Poussin, Et in Arcadia Ego, quatro jovens pastores encontram uma tumba onde há essa frase escrita. Poussin nos faz perceber o quanto o ser humano é vulnerável em sua individualidade. “Na verdade os pastores nos dão a impressão de terem encontrado o primeiro indício da morte. É também o indício de que sua bela terra tem história, de que pessoas viveram e morreram ali, no entanto essa história foi totalmente esquecida” (BECKETT). Ainda sobre Beckett, o teórico nos fala que o que dá força a essa pintura são nossas próprias histórias pessoais. Transpomos o marco da maturidade quando adquirimos uma compreensão emocional da morte e de nossa própria insignificância relativa ao contexto da história humana. Gerações incontáveis viveram e viverão antes e depois de nós. Em todo o esplendor de sua bela juventude, os pastores precisam aceitar isso.
Nicolas Poussin, Et in Arcadia ego, 1638-1640: A amarga descoberta da morte ainda na juventude. Ela (a morte) também habita no paraíso terreno.
Leia História da Pintura de Wendy Beckett!
Club Kids e sua influência no Cybergoth
Dinheiro, Sucesso, Fama, Glamour

Lembro de quando foi lançado Party Monster, eu quis vê-lo logo. Não vi no cinema para meu profundo lamento, então aluguei e assisti em casa mesmo. Meu foco principal no filme: a excelente trilha sonora, a história do Club Kids ou início do movimento clubber, a excelente atuação do Macaulay Culkin como Michael Alig e claro, Marilyn Manson como Christina. Michael Alig era promoter quando conheceu James St. James (Seth Green), no surgimento do Club Kids que seria o início do movimento clubber. O filme foi baseado no livro Disco Bloodbath de James St. James. Porque estou falando do filme? Porque as loucuras como a festa do hospital, em que se vestiam de doentes e enfermeiras e a festa do caminhão, existiram de verdade, assim como tantas outras. Claro que os Club Kids foram uma baita influência para um monte de gente, desde o próprio Manson, passando por Jefree Star e Countess Grotesque. É bom dizer que a última é aparentemente cybergótica e que os cyber góticos apreciam muito o Club Kid, pois é uma das influências do estilo tanto musicalmente quanto esteticamente. Countess Grotesque é uma modelo e make-up artist, que diz que sua paixão é a criação de conceitos. Ela também nutre interesse pela fotografia, arte tradicional e digital, design de cabelos, roupas e estilo. Aliás se há algo que define os amantes do Club Kids é o fato de procurarem ocupações variadas e multimídia, assim como sua mistura de estilos.
Michael Alig (Macaulay Culking), comandando uma festa e Party Monster
Marilyn Manson no filme Party Monter e Jefree Star, cantor, compositor, maquiador, modelo e estilista
Countess Grostesque
Cena do filme Party Monter, Festa no Caminhão
Pessoalmente eu acho lindo quem sabe segurar um estilo cybergoth tão bem quanto a Countess Grotesque, as maquiagens, as roupas, os cabelos coloridos, as cores.. são para bem poucos. E ainda manter-se linda nesse estilo… é fabuloso! Pois as cores são justamente herança dos club kids, assim como o gosto exagerado para coisas incomuns e a mistura de estilos. Mas o cybergoth também é sombrio. Só que aí não temos mais o óbvio do sombrio, lidamos com a subjetividade do terror. Eu acho lindo esses estilos que lidam com o não óbvio. É fácil ser sombrio usando preto, mas ser sombrio usando roupas coloridas… Então observando a Countess Gortesque dá para ter uma idéia de maquiagens bem dramáticas e interessantes. E mais ainda, como ela consegue variações de uma mesma pessoa em seus looks, através de cores, formas de maquiagem e acessórios:
A Countess Grotesque é bem influenciada pelo Club Kids, às vezes seu visual parece o mais puro visual clubber, com direito à cores fluorescentes, acessórios e maquiagens dramáticas, muitas cores e mistura de estilos.
Barbie Girl
Variações do cybergoth style: Goggles, cyber falls, unhas coloridas, make-up colorida, vinil rosa e piercings
Aqui em um estilo mais básico, repleta de body modifications (eu adorei o estilo das unhas)
Em um estilo gothic diva, com direito à saia armada, corset, cabelos coloridos e over the knee boots envernizadas, no estilo demônia.
Cybergoth puro, com goggles, cyber falls, acessórios fluorescentes, furry leg warmers e plataformas.
Estilo gothic pin-up, uma graça o vestido em látex
Mais fotos de Countess Grotesque em:
http://countess-grotesque.deviantart.com/
Posteriormente pretendo publicar mais um post sobre conceitos filosóficos do Club Kids e do Cybergoth.
Reprodução parcial sem minha autorização no Brasil Metrópole
Eu ando desanimada com meu blog. As postagens que faço aqui são fruto de trabalho árduo, já que possuo vida pessoal e emprego para dar conta. Eu adoro postar aqui e até hoje não ganhei nada com isso, a não ser o prazer de postar e os comentários de leitores que gostam do blog e amigos que fiz através dessa ferramenta. Não pretendo parar de postar tão cedo, por causa do desrespeito de terceiros. Meu público é o underground, meu compromisso é o underground. Determinadas coisas me revoltam, como o uso de posts meus ou parte de posts sem o devido crédito. Eis que há mais ou menos duas semanas me deparo com essa reportagem (http://www.brasilmetropole.com/cultura/noticias-da-cultura/critica-comportamento/1889-o-estilo-skinhead.html), contendo uma parte do meu post daqui do blog (http://alienagratia.wordpress.com/2011/05/22/a-real-historia-dos-skinheads/). Reparem nas datas, o meu post foi escrito em maio e a reportagem desse jornal eletrônico é de julho. Me admira muito alguns repórteres copiarem textos de blogs e publicarem sem os créditos, dando a entender que o post inteiro é obra sua. Parte do meu texto foi reproduzido e eu já salvei a página aqui, caso essa reportagem desapareça da internet. Isso me aborreceu muito, tentei contatar o jornal, mas até agora não obtive resposta. Achei um desrespeito enorme da parte deles e resolvi me abrir nessa postagem. Espero que providências sejam tomadas, pois isso é muito sério , Brasil Metrópole! Você confiaria nas reportagens desse jornal eletrônico? E para quem pretende copiar posts sem o crédito do blog, não adianta tentar fazer escondido, porque eu vou saber.
Porcos Cegos
Se alguém me perguntar qual a melhor banda brasileira atualmente eu digo sem pensar: Porcos Cegos. A banda ainda permance underground, sendo mais conhecida em São Paulo. Faz um punk muito bom, mudou seu nome de Blind Pigs para Porcos Cegos, um momento patriota muito bem pensado. A banda foi formada em 1993, e segundo muitos críticos e fãs (incluindo eu) parece com o Rancid. O que para mim é um elogio, mas longe de ser parecida com qualquer outra banda acho que uma coisa define bem o punk dos rapazes: as letras são muito boas. Para uma época que possui uma música tão empobrecida como atualmente, gostar de rock é falar sempre no passado, pois hoje em dia parece ter só funk, happy rock, sertanejo e MPB fabricada. Claro que tudo isso com letras ácefalas. Eu tenho saudade da poesia do rock, nada melhor que ouvir uma banda punk com uma temática realmente punk, um visual realmente punk e com som e letras (punks) que fazem pensar. Para quem não conhece a banda deixo duas letras preferidas,”Geração Domesticada” e “Aos Bandeirantes” e gostaria muito que ouvissem Porcos Cegos, é uma experiência e tanto.
“Geração Domesticada”
Você conhece alguém cem por cento tolerante/ ou um adolescente que se
rotule punk / Sem cair em contradições/ e sucumbir na sua própria anarquia/Geração, geração domesticada/ geração domesticada/a resistência morreu /sem deixar nenhum legado/rebeldia se tornou uma fatia de mercado
você conhece alguém /plenamente satisfeito/ou um lugar onde tudo é
perfeito/e ninguém cai em tentação/nem se afoga na própria covardia
não há mais tempo para errar/não há mais tempo para errar/sou a mudança
que eu quero ver
eu devo estar velho ou ficando louco/nas nossas fileiras
agora restam poucos/poucos dispostos a seguir na contramão
quando é tão fácil ceder a autonomia
mal educados/ somos os dados não computados/ felizes por não termos cultura
Dave Cook
Dave Cook é um ilustrador e designer gráfico de Atlanta, E.U.A. Suas inspirações são os filmes de terror trash, hot rods, as pin-ups, tattoos, rock e o roller derby, para qual ele bola inúmeros cartazes de campeonatos americanos. Achei seu traço bem bonito e com uma influência new old school bastante evidente. Aí vão alguns de seus trabalhos:
Dave Cook

Terror Trash e Rock

Roller Derby

A real história dos skinheads
Não há calçado tão icônico quanto o coturno. Peça que demonstrava a origem operária dos skinheads, foi ela que acabou calçando punks e outras correntes dentro do rock. Mas o coturno será sempre skinhead e punk em sua essência. Atualmente a mídia ainda distorce o real significado do termo skinhead.
Coturnos usados por skins e street punks e na última imagem o célebre Dr Martens ou Doc Martens (como o chamam), marca idolatrada pelos primeiros skins.
Na verdade, essa subcultura originou-se de jovens da classe operária em 1960. Chamados inicialmente dessa forma por causa do corte de cabelo, seu estilo foi uma influência dos mods britânicos e dos rude boys jamaicanos que imigraram para Inglaterra nesse período, trazendo seu estilo de vida, roupas e sua música. Os mods eram os jovens de classe média, apaixonados por tudo que era moderno, vestiam ternos ajustados, parkas (influência do militarismo) e andavam de Labretta. O símbolo mod foi inspirado na Força Aérea Britãnica. Os hard mods foram a versão mais crua dos mods, mais endurecidos pela pobreza e de origem proletária, que acabaram gerando os skinheads. Os rude boys eram jovens jamaicanos, muitas vezes vistos como delinquentes, nos anos 60. Usavam chapéus, suspensórios e calças inspirados nos filmes de gângster norte-americanos.
Estilo dos rude boys e mods
O estilo skin inclui coturnos/botas, suspensórios, a ligação com futebol (que acabou gerando o hooliganismo por parte de alguns) e o hábito de beber cerveja. A música subdivide-se em ska, sin reggae, hardcore, punk rock e street punk/oi!. É importante falar sobre dois filmes que influenciaram definitivamente essas subculturas: Quadrophenia para a subcultura Mod e Laranja Mecânica para os skinheads/punks.
Quadrophenia: O RAF, inspirado no símbolo da Força Aérea Britânica ao fundo e o retrato da juventude mod no anos 60 por The Who
Os skins chamam o ápice do movimento de “Espírito de 1969″ ou “Spirit of 69″, eram grupos formados por brancos e negros (em sua maioria imigrantes jamaicanos), que frequentavam juntos clubes de soul e reggae e tinham em comum a cabeça raspada.
O espírito de 69
Tattoo em homenagem a essa época: “Lembre-se de suas raízes”
O conflito entre gangues começou a ficar cada vez mais acirrado e os skinheads começaram a ser vistos como agressivos, a partir dos conflitos em estádios de futebol (hooligans). Muitos skins, baseados em Alex DeLarge no filmes Laranja Mecânica, tornaram-se mais agressivos. Além disso os skinheads começarama subdividirem-se em ideais políticos, o que acabou gerando preconceito em alguns grupos contra imigrantes asiáticos, negros e outros. O motivo disso tudo, ainda que tortuoso, era a prosperidade econômica e abertura do pós-guerra que a Inglaterra oferecia tanto aos imigrantes quanto aos cidadãos ingleses, o que fez que alguns ingleses pensassem que estrangeiros não merecessem regalias do governo, gerando a xenofobia dos ingleses.
O visual da gangue de Alex em Laranja Mecânica foi inspirado em gangues Skinheads, influência do visual mod e rude boy. Por sua vez inspirou esteticamente muitos jovens.
Inclusive na violência de quem não soube dividir a ficção da vida real.
Jovens nazistas identificaram-se com o estilo limpo, asseado, patriota e fiel às origens operárias dos skinheads adicionando seus ideais xenófobos e racistas, dividindo negros e brancos. Estava aí o que desviou completamente a subcultura de seu projeto inicial e fez com que os skinheads fossem vistos como nazistas, ainda que isso somente seja uma parte (diga-se de passagem desprezada pelo resto da subcultura skinhead) do movimento. O 2 tone, a segunda geração do ska, remete ao fato de a maioria das bandas ter dois vocalistas, um branco e um negro, daí dois tons. Sua difusão foi a tentativa de reunir brancos e negros sem preconceito, como no “Espírito de 69″.
Jovem com estilo do 2 Tone
A banda “The Specials”
Dois remanescentes orginais do 2 Tone
O fato é qua atualmente há vários skinheads, esquerdistas chamados de Redskin, Trojan (ainda com influências mod dos anos 60), S.H.A.R.P. (Skinheads contra o preconceito racial), R.A.S.H. (skinheads comunistas e anarquistas)… Mas popularmente as pessoas só reconhecem pela mídia os Boneheads (White Powers) e Hammerskins, ligados ao nazismo. Então a maioria das pessoas começaram a achar que essa subcultura que unia brancos e negros em interesses comuns é somente nazista e não é bem assim que as coisas funcionam. Ainda temos notícias desses grupos ignorantes que desrespeitam as diferenças, cometendo atos criminosos, como o caso que voltou a tona essa semana do skinhead white power que obrigou dois jovens punks a pular de um trem em movimento. Um deles teve o braço amputado e outro morreu. Esse tipo de crime deveria ser punido de maneira severa, sem chance de recorrer à justiça. Eu repudio qualquer forma de violência e preconceito, acho que o código brasileiro de justiça deveria funcionar realmente e punir esses crimes hediondos. Não somente isso, mas a apologia ao nazismo e preconceito na internet também deveria ser punido, no orkut e em vários sites a gente lê coisas absurdas, que só fazem lamentar o quanto a ser humano pode ser cruel e não aceitar as diferenças alheias. O pior é que essas pessoas acham lindo serem racistas, desrespeitarem as origens dos outros, sexualidade… Eu concordo com o 2 Pac que diz em Changes: “Ódio desenfreado traz desgraça para todas as raças”, “Aprender a nos vermos como irmãos, ao invés de dois estranhos”. E os comentários idiotas das celebridades como John Galliano e Lars Von Trier sobre o nazismo? Confesso que toda admiração por Galliano sumiu depois de seus comentários de admiraçao ao nazismo. Mas acredito também que a mídia não deveria colocar toda a subcultura skinhead no mesmo saco, deixando as pessoas cada vez mais confusas.
Símbolos dos S.H.A.R.P.S. (Skinheads contra o preconceito racial)
Edward Norton no excelente “A outra história americana”: consequências trágicas de suas escolhas neonazistas
O street punk, ska e rock steady ainda estão vivos tanto esteticamente quanto musicalmente, em referências pop como No Doubt nos anos 90, a heroína de quadrinhos Tank Girl e bandas como Dropkick Murphys e Rancid.
Skinhead, street punk e rockabilly, imagem do Flickr
Mais sobre a história do movimento:
Hannibal – A Origem do Mal
Eu tenho um grande interesse por serial killers, tanto no sentido da curiosidade natural quanto na psiquiatria. Tanto é que sempre escolho algum filme ou seriado baseada nesse gosto pessoal. Um dos meus serial killers preferidos sempre foi Hannibal Lecter, artista e serial killer, uma mente perversa e genial, culto e conhecedor de diversas culturas…seria até atraente se não fosseum serial killer. Interpretado magistralmente por Anthony Hopkins em Silêncio do Inocentes, Hannibal, Dragão Vermelho (me decepcionei um pouco com esse em relação aos outros dois filmes) e pelo jovem ator francês Gaspard Ulliel em Hannibal Rising. Outros atores que interpretaram Hannibal foram Aaran Thomas, a criança em Hannibal Rising e Brian Cox em Manhunter. A série de filmes é baseada nos livros de Thomas Harris. É óbvio que o melhor filme da série continuará sendo “O Silêncio dos Inocentes”, mas contrariando a perspectiva da maioria sobre “Hannibal – A Origem do Mal”, gostei do último filme. Não chega a ser tão bom quanto o primeiro mas não decepciona. Talvez porque eu goste do tema 2ª Guerra Mundial, é aí em 1944 que Hannibal Lecter sofre o acontecimento mais traumático de sua vida: a morte dos pais em um bombardeio e pior, a morte de sua irmã caçula Mischa devorada por soldados russos. Se o que Dexter (outro serial killer favorito) diz sobre assassinos em série for real: todos carregam um “Passageiro Sombrio” em si, o “Passageiro Sombrio” de Hannibal nasceu ali, vendo sua irmã ser devorada.
Mischa e Lecter

Geograficamente nos localizamos na Lituânia sendo invadida pelos nazistas ainda sob domínio russo. Lecter seria descendente dos Visconti e dos Sforza. Os Visconti que viviam na região de Milão na Itália possuíam a alcunha de “Dragão Antropófago”, dando a entender que a predileção de Lecter por antropofagia seria uma tendência familiar. Lecter cresce e quando está com seus quase 20 anos decide abandonar o castelo que era de seu pai, que agora invadido pelos russos faz com que ele seja obrigado a servir e cantar junto com o exército russo. Em sua fuga o alvo de sua procura é a França, seu tio. O tio de Lecter falecera há um ano e agora quem mora em sua casa é a esposa de seu tio, a japonesa Murasaki. Sua tia, Murasaki, ensina-lhe a lutar com a katana e lhe apresenta seus hábitos japoneses ancestrais.
Murasaki e Lecter



Lecter ensinado o açougueiro a respeitar uma dama com auxílio de uma katana

Aí percebemos algumas origens muito significativas de alguns de seus atos e símbolos, como a famosa máscara de Lecter. Podemos ver também como a Medicina lhe atraiu, os desenhos de anatomia, observação e criação, os traços artísticos e cultos de Lecter. Não preciso dizer que lecter começa uma vingança contra os soldados que canibalizaram sua irmã, ao mesmo tempo em que descobre sua tendência canibalística ao comer as bochechas de seus vilões.
A origem da máscara de Hannibal Lecter


Acho a escolha do ator Gaspard Ulliel e sua cicatriz estratégica foi bastante acertada, pois como diria Hannibal Lecter, “As cicatrizes nos ajudam a lembrar que o passado foi real”. Gaspard transmite a elegância de Lecter e faz com que em determinado momento do filme já estejamos completamente cativados pelo assassino.
Gaspard Ulliel


Desafio Vampiresco
A Denise do blog Arte Grotesca , me indicou para o desafio vampiresco.
Regras para participação:
Colocar a imagem do banner do desafio,
Linkar quem te escolheu;
Responder as perguntas;
Indicar cinco blogs e avisá-los.
1. Gostaria de ser um vampiro e viver eternamente?
Confesso que sim, a idéia de morrer um dia não é nada agradável para mim.
2. Se fosse um(a) vampiro(a) como gostaria de ser chamado(a)?
Meu próprio nome está bom, faz referência à mitologia, é um bom nome para uma vampira.
3. Qual a idade que gostaria de ter para sempre?
A faixa etária dos vinte anos.
4. Qual seria sua aparência?
Mais pálida que já sou, cabelos negros e mais atraente.
5. Seria do bem ou do mal?
Seria do bem, algo como o Godric em True Blood.
6. Viveria entre humanos ou preferia ser solitário?
Solitária, sempre.
7. Conseguiria viver de sangue ou seria “vegetariano”?
Seria difícil, mas conseguiria ser “vegetariana”.
8. Qual seu vampiro da ficção preferido?
Lestat, o melhor vampiro de todos os tempos.
9. Qual seu livro sobre vampiros preferido?
“Sangue e Ouro” de Anne Rice. Acho que amo esse livro pelo fato de Marius ser admirador de Botticelli, eu amo Botticelli. Talvez vocês tenham notado essa atração por “Sangue e Ouro” e Botticelli através do banner do meu blog, minha pintura preferida de Botticelli e talvez a mais perturbadora: “Vênus e Marte”. O fato de Thorne ser um vampiro viking faz com que eu goste ainda mais do livro.
10. Assiste algum seriado sobre vampiros atualmente?
Sim, True Blood.
11. Indique um filme sobre o assunto.
Não pode ser mais de um? Drácula de Bram Stoker (clássico); Rainha dos Condenados (une minha paixão por vampiros e rock) e Garotos Perdidos (uma das primeiras relações entre vampiros, motocicletas e rock).
12. O que acha da saga Crepúsculo?
Eu vejo os filmes, mas nunca li os livros. Acho a saga bem fraquinha. Prefiro Anne Rice e Charlaine Harris.
13. Qual o(a) vampiro(a) mais lindo(a) da atualidade?
Vampiros: Eric Northman, Bill Compton e Godric. Vampiras: Pam, Sophie Ann e Jessica Hamby. Todos de True Blood.
14. Qual o casal mais lindo?
Lestat e Akasha em Rainha dos Condenados.
15. Prefere um anjo ou um vampiro?
Vampiro.
16. Preferia namorar um lobisomem ou um vampiro?
Vampiro faz mais o meu gênero.
17. Se fosse um vampiro namoraria um humano?
Acredito que sim.
18. Se os vampiros existissem se apaixonaria por um?
Sim, vampiros são interessantes.
19. Se fosse um vampiro seria vingativo?
Não. Como humana não sou, como vampira não seria.
20. Seria belo ou um monstro?
Essa concepção de vampiro belo é bem recente, mas certamente seria uma vampira atraente.
21. Qual poder gostaria de ter?
Hipnose, claro!
22. Conseguiria ficar longe de sua família?
Não e acho que eles me aceitariam mesmo sendo vampira.
23. Se vivesse eternamente o que gostaria de fazer nesse tempo todo?
Viajar pelo mundo todo, conhecer outras culturas de vários períodos históricos, detentora dos saberes universais: filosofia, artes, sociologia, psicologia…Seria uma vampira culta!
24. Em quais lugares moraria?
Lugares frios preferencialmente, Finlândia, Alemanha, Noruega,Polônia, Romênia, Hungria, República Checa…qualquer desses lugares estaria bom.
25. Teria coragem de transformar alguém em vampiro?
Depende, se fosse com consentimento da pessoa.
26. Qual seria seu pior inimigo (ser sobrenatural)?
O sol e a estaca!
Blogs indicados:
Meus presentes: novo selo e outro emprego
Eu sinto falta de postar aqui e sinto falta do blog também. Estou com várias idéias na cabeça e alguns posts encaminhados, mas… consegui um outro emprego. E agora tenho dois empregos para dar conta, o que diminui meu tempo para postar no blog. Diminui, mas não impossibilita, então podem contar que continuarei dando as caras por aqui.
Ganhei o selo “Meme Literário” de pessoas que possuem blogs primorosos com alto padrão de qualidade, o que me deixou muito feliz ( Deze do Culture Freake, Sana do Moda de Subculturas/Diva Alternativa e Mme. Mean (Pauline Kisner) do Diários Anacrônicos/ Sombria Elegância). E o selo é sobre uma coisa que gosto muito: leitura. Um selo sobre livros é uma idéia muito legal, compartilhar nossos gostos literários. Porém, como quem sempre gostou de ler, fiquei em dúvida na indicação dos livros porque são tantos livros maravilhosos!!!

1. Eu amei ler “O apanhador no campo de centeio” de J. D. Salinger, longe de ser apenas um drama adolescente, é um livro que fala sobre melancolia, a maneira como nos sentimos desajustados no mundo e como lidamos com a fragilidade da vida, pessoas e situações. Leria muitas vezes, o dia todo e sem cansar. Salinger foi bastante banalizado depois de ter exemplares de suas obras encontrados nas mãos de matadores como Mark Chapman e John Hincley Jr. Mas ele não é um livro perigoso, é apenas subversivo, como toda boa literatura deve ser.
2. Eu diria, qualquer coisa escrita por Alan Moore, Hellblazer, Monstro do Pântano, Watchmen, Piada Mortal, V de Vingança e outros exemplares… Nenhuma adaptação cinematográfica faz juz às preocupações de Alan Moore que aliam contracultura, ciência, física, ocultismo, política e fantasia de maneira magistral, irônica, psicológica e filosófica. Para mim Alan Moore é o maior gênio dos quadrinhos e sua obra é literatura. Lembro de uma história do Monstro do Pântano ambientada em plena Idade Média e período de alastração da peste na Europa e suas indagações sobre a falta de sensibilidade da humanidade diante da vida e existência humana. Essa também era a revolta de Rorschach em Watchmen, que cria uma moral de sobrevivência embasada em suas experiências ruins com as pessoas e relações humanas na sociedade.
3. O Romantismo é um dos períodos maravilhosos da literatura, música e arte, eu gosto da alemã e seu “Sturm und Drang”. A literatura de época nos dá pistas sobre a estética filosófica do período e sua projeção na arte. Gosto e recomendo “Os sofrimentos do jovem Werther” ou simplesmente Werther, de Goethe. Há mais sobre pensar arte e filosofia no enredo que apenas ondas de suicídio na Europa. O protagonista é um jovem artista apaixonado e não correspondido, vivendo o ápice do Romantismo na Europa ou seja, indispensável a leitura.
4. Blogs indicados (devem ser 10), mas como sempre, indicarei um número menor de blogs e darei prioridade aos blogs com temática cultural:
Menção honrosa para os blogs que já ganharam o selo: Culture Freake, Diva Alternativa, Moda de Subculturas, Diários Anacrônicos e Sombria Elegância.

































































