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Seria estupendo se todo mundo fosse igual

novembro 15, 2008
Mais tarde pretendo fazer um post sobre a relação de Warhol com as celebridades, mas quero dignificar sua obra antes. Warhol é frequentemete lembrado por sua vida social agitada, sua aparência estranha, mas onde se encaixa seu papel como artista completo (aquele que considera as diversas linguagens artísticas)? A primeira vez que vi uma exposição de Andy Warhol eu estava tensa e ansiosa ao mesmo tempo. Não sabia o que me aguardava, mas sabia que era maravilhoso. Warhol, o artista do studio 54, da Factory, do Mick Jagger, do David Bowie, do Velvet Underground, do homem encurralado na cidade e isolado da natureza (segundo Lucie-Smith). A exposição era no MAM, no Rio de Janeiro e chamava-se Motion Pictures. ScreenTests de Warhol, em que artistas famosos como Dalí, Dennis Hopper e a escritora Susan Sontag permaneciam fazendo tarefas rotineiras, paradas na frente da câmera. Assustador? Sequências de 16 quadros por segundo, sem nenhum ruído, preto e branco…Maravilhoso! O que havia de tão fantástico na obra desse homem de cabelos quase brancos, fascinado pela técnica serigráfica? Primeiro artista multimídia?

“A razão por que estou pintando assim é porque quero ser uma máquina. Tudo o que faço, e faço como a máquina, é porque é isso o que quero fazer. Penso que seria estupendo se todo mundo fosse igual”. (Warhol)

Para Warhol uma lata de sopa Campbell aberta e assinada converte-se em um Warhol, obra de arte. A arte pop descreve o ambiente consumista e sua mentalidade, a feiúra converte-se em beleza. O que Warhol faz é extremamente pós-moderno: faz-nos readquirir consciência de objetos que perderam seu reconhecimento visual através da exposição constante. Isso quer dizer que sem querer meu aluno entendeu Warhol (Marilyn é Madonna?). O que dizer de Guevara, Presley, Fidel, Gandhi e Marley? Faz lembrar também o conceito de tautologia, repetição exagerada leva ao esvaziamento da imagem, passa a não significar nada. Tudo o que determinado mito era, passa a significar apenas uma imagem (vazia). Para Lyotard, a linguagem não tem o poder de fazer as coisas existirem, as coisas desaparecem assim que as nomeamos, pois o signo substitui o objeto em nosso pensamento. Objetos artísticos seriam distorções da linguagem, por estarem no meio caminho entre a idéia e a forma.
Lucie-Smith diz que a cultura pop é resultado da democracia, moda e máquina. Os objetos deixaram de ser únicos, não as valorizamos por elas mesmas, pois são feitas aos milhares. Valorizamos pelo serviço que desempenham, isso converte os objetos em funções (e não em coisas). Recomendo a leitura do livro “o sistema dos objetos” de Jean Baudrillard para elucidação do conceito de Warhol.

Warhol, certamente marcou meu modo de encarar a contemporaneidade, me influenciou profundamente. Por um lado as cores e formas que parecem figurativas (mas não são), por outro uma obra inteligente que alguns artistas da contemporaneidade ainda não entenderam. Warhol não era um oportunista, ele sabia exatamente o que estava fazendo. Lembro de um comentário de uma colega na exposição “Motion Pictures” : Warhol é isso? E eu em resposta: … é preciso vivenciar para absorver.
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