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Memórias de uma moça bem comportada

dezembro 25, 2008

Frequentemente sou interrogada sobre questões individuais, que para mim parecem claras e imutáveis. Estou falando de como estou inserida na sociedade, de como me comporto dentro da mesma. Depois que me formei em Artes (e ainda dentro da faculdade) tenho ouvido perguntas que me deixam bastante aturdida. Certa vez um colega de exposição “Novos Ilustradores”, comentou comigo que nunca imaginou que eu fazia quadrinhos. Também já ouvi que nunca imaginaram que eu desenhasse tão bem. Também nunca imaginaram que meu gosto musical fosse esse… E também nunca imaginaram que eu gostasse de motos, carros antigos ou teoria física. Eu gosto, e isso talvez seja somente uma questão de gosto. O que me intriga é que todos esses comentários vieram de homens e não de mulheres.

Geralmente não me empolgo muito com feministas que acham que devem competir de igual para igual com os homens, porque considero que a mulher seja diferente do homem. Não que os homens sejam melhores que as mulheres ou vice-versa, mas cada um ocupa seu lugar na sociedade de formas distintas. Para mim o que deve ser igual é a valorização do ser humano. Camille Paglia disse que as mulheres estavam tão preocupadas em defender direitos que consideram imprescindíveis, como o aborto e assédio sexual que deixaram de discutir outros assuntos muito mais importantes para mulheres atuais. Simone de Beauvoir discutiu o legado da mulher em uma sociedade dominada por homens em “A Mulher Desiludida”. Miriam Makeba estava aí para dizer o quanto o papel da mulher é importante, tanto para mulheres quanto para os homens, porque o que ela defendia não dizia importância apenas para os gêneros “homem e mulher” mas para indivíduos preocupados com os direitos humanos.

Por isso perguntas dirigidas a mim, sobre gostos e capacidades me preocupam. Homens e mulheres ainda não se livraram do fardo do gênero e ainda estão a encenar papéis. O que me preocupa, é que homens esclarecidos em universidades de ponta, cursando mestrados também de ponta ainda se preocupem com questões como essas, papéis femininos e masculinos. Eu acreditava que tais homens e mulheres haviam superado isso.

Respect – Aretha Franklin

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3 Comentários leave one →
  1. lemousse permalink
    janeiro 8, 2009 9:53 am

    Imagina para quem mora no Nordeste, como eu!Claro que os gêneros têm suas peculiaridades, mas a valorização do ser humano é sim, como vc falou, o ponto principal.Beijoswww.lemousse.com.br

  2. Janaina permalink
    julho 2, 2010 4:23 pm

    Vc se expressa muito bem! e eu ouso dizer que nao é a unica que é questionada sobre esse tipo de assunto. Minha vida inteira nunca passei despercebida e muito menos conseguia de alguma forme manupular determinada situaçao. Questionamentos superficiais me irritam, mas lavanto a cabeça e respondo de modo que nunca voltem a perguntar;

  3. julho 6, 2010 1:04 pm

    Obrigada pelo elogio Janaína. Geralmente as mulheres independentes e que não se encaixam em rótulos passam por esse tipo de questionamento. Mas devemos fazer como você disse, levantar a cabeça e responder à altura.

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