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Quando o poder dissolve o amor pelo outro

julho 13, 2009

 Tenho me interessado muito por música erudita, estou lendo um livro sobre a obra de Richard Wagner. Eu sou uma pessoa muito obcessiva e de vez em quando determinados assuntos tomam todo meu tempo. Me interessei pela obra de Wagner ao saber que ele inseria mitologia nórdica em suas obras. Por razões nacionalistas. Sabemos também a questão problemática da unificação alemã, que forjou o nacionalismo através do “Chanceler de Ferro”, Otto Von Bismarck e também ofereceu posteriormente à Alemanha o que hoje é motivo de sua vergonha ( a morte de judeus em campos de concentração). Eu sei que estou simplificando muito, não quero falar de História agora. Qual o motivo de tocar no assunto então? Wagner era assumidamente anti-semita (nesse período histórico alemão difícil era encontrar quem não fosse) e Hitler era seu admirador, por conta desse nacionalismo, anti-semitismo e por acreditar que essa era a verdadeira arte .

Richard Wagner e seu filho

Mas Wagner não era o vilão da história, como Hitler era. Wagner ironicamente escreveu um trabalho sobre religião e arte (Religion und Kunst), no qual previa uma renovação da sociedade com base nas primeiras manifestações de sociedades protetoras dos animais, vegetarianismo, as ligas contra o excesso de bebida, o movimento pela paz, as associações de trabalhadores e o socialismo.
Wagner acreditava que o ser humano estava degenerando-se, o ensaio sobre a crueldade com os animais abriu sua sensibilidade quanto a isso. Wagner era utópico quanto ao vegetarianismo, acreditava que o homem poderia ser menos cruel se não consumisse carne e que o ser humano que vivia em lugares frios dependia das proteínas mais do que aqueles que viviam em lugares quentes. Seu plano era deslocar essas pessoas dos lugares frios para lugares mais quentes, onde poderiam consumir vegetais. O sentimento de Wagner não era apenas voltado para os animais, mas para as pessoas que em muitos casos serviam como cobaias para pesquisas ciêntificas. Em sua fala como artista ele admite que sente-se incomodado diante do comportamento incivilizado, de uma era “despiritualizada”, regida pela ciência que abriu caminho para as mesas de dissecção e fábricas de armamentos. Wagner acreditava que a ciência é a força extrema do intelecto humano, mas o gozo dessa força é a arte.

Wagner abriu caminho para o naturalismo hippie, para a rebeldia certeira do straight edge e para sociedades protetoras dos animais como o Greenpeace e o Peta. E pelo caráter íntegro de Wagner certamente ele acreditaria mais no caráter espiritual da arte apregoado por Kandinsky do que em uma arte que representasse uma força alemã, que acabaria sendo fraca diante das decepções que o povo sofreu diante do III Reich. Infelizmente a crueldade que Wagner temia aconteceu da pior maneira possível. Quando um ser humano é capaz de atacar um animal, ele também é capaz de atacar um outro ser humano em nome do que acredita. E toda a humanidade sofre com isso.
 
O straight edge também é fruto dos pensamentos de Richard Wagner
2 Comentários leave one →
  1. fevereiro 13, 2014 12:45 am

    Elogio sexista sem nenhuma maldade: você é a primeira mulher que eu conheço que gosta de Wagner (parabéns dobrados). Acho que vai gostar dos Nibelungos dirigido por Boulez, se é que ainda não viu.

    Já viu Wagner interpretado pelos fantásticos La fura dels baus? É sonho de consumo.

    http://www.amazon.com/Wagner-Der-Ring-Des-Nibelungen/dp/B003ZKLDPI/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1392252203&sr=8-3&keywords=la+fura+dels+baus+wagner

    • março 5, 2014 8:53 pm

      Obrigada Enaldo! Não, ainda não conferi, mas está anotada a dica para conferir o quanto antes.

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