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Wicked game

agosto 18, 2009
Quando eu era criança eu adorava ouvir uma música chamada Wicked Game, quem cantava era um rapaz chamado Chris Isaak. Eu lembro que na minha casa tinha um rádio (ainda era toca-fitas) e minha irmã mais velha ficava ouvindo isso, Simply Red, Boy George, The Cure, Engenheiros do Hawaii e mais um monte de coisas que ela gostava. Lembro da primeira vez que eu vi o clipe de Wicked Game do Chris Isaak, aquele casal…naquela praia. Tudo era lindo, a modelo, o cantor, a música, o lugar… Fico imaginando quantos casais idealizaram seus romances em um lugar exatamente como esse. E casais com um final feliz.

 

Mas na vida real sabemos que “o buraco é mais embaixo”. Foi aí que quando eu tinha mais ou menos uns treze anos (acho) eu vi o clipe do HIM, o Ville Valo entrava em uma boate fuleira em que havia uma dançarina de pole dance bonita, mas extremamente vulgar, plastificada e que mais parecia uma mulher de vida fácil. E Ville, com umas olheiras enormes (depressão). Ele tinha um olhar diferente do olhar dos outros homens para aquela mulher (apaixonado). Tudo era muito feio, tão over, aqueles velhos olhando aquela mulher fazer sreep-teese, a maneira como a mulher é encarada como um objeto (e a maneira como ela mesma entra nesse jogo, afinal uma mulher só é encarada como objeto se ela quiser). E aquele ambiente pesado, meio açougue. Impossível o amor acontecer em um lugar assim.
Todo mundo falou mal desse clipe, afinal ele é polêmico! Mas no clipe do Chris Isaak, com sua visão romantizada, o papel da mulher/casal era o mesmo: encher os olhos. E ela também tirava a roupa (não tão enfaticamente quanto aqui, mas tirava). Eu acho um mérito a banda pensar nesse tipo de desconstrução. Afinal a música não fala que essa garota vai apenas partir seu coração? Não, eu não quero me apaixonar/(este mundo vai apenas partir seu coração). No primeiro clipe (do Isaak) tudo parecia tão lindo, tão sincero e esse clipe convencia tanto, porque é a atitude do casal apaixonado que nos faz ter certeza que aquele amor é genuíno. Mas no segundo clipe (HIM) o amor não convence, porque ele parte de uma pessoa e não do casal. Quando falo convencer, não falo do amor de Ville pela dançarina, mas das cenas soft porn. No clipe do Chris não há problemas em ter soft porn, isso apenas mostra o quanto o casal se ama (diriam). No clipe do HIM as cenas quentes não vingam, porque o amor ali não acontece (e nem tem possibilidade de acontecer).
Até hoje o clipe dessa música que faz sucesso, é outro bem mais gótico, com neve caindo e a banda tocando. Minha cabeça e a maneira de ver os relacionamentos se tornou mais pessimista depois que vi esse clipe. Fico pensando porque a mulher é representada sempre como uma coadjuvante, bela, plastificada, bibelô em videoclipe… O mais lamentável é que cada vez mais os relacionamentos são calcados no ato de seduzir sem compromisso e o ato de fazer sofrer quem ama.

 

 

 


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