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O velho papo da roupa

setembro 11, 2009

Uma das conversas que mais aparecem quando converso com meus alunos é sobre estilo. Mas meus alunos adolescentes (maioria) não estão preocupados em ouvir boas bandas ou ter discussões inteligentes sobre História ou política (apenas alguns possuem esse interesse). Preferem comentar que não usam tal coisa por ser coisa de emo, tal cabelo é emo, a onda de emo não acaba mais… Se roupa fosse argumento para tirar conclusões sobre gostos musicais o “Calcinha Preta” era metal puro. Já viu a pinta do vocalista da banda? Shagrath do Dimmu Borgir e Bell Oliver do calcinha Preta estariam palmo a palmo por causa do cabelo comprido e camisetas de caveira e dragãozinho rebelde. A única coisa que muda é a postura. Enquanto Shagrath faz cara de mal e é forrado de tattoos, o tal do Bell faz cara de feliz. Não ficaria surpresa se o cara do Calcinha Preta resolvesse fazer uma manga fechando o braço, afinal ele usa camiseta de caveira.

Shagrath do Dimmu Borgir
Bell Oliver do Calcinha Preta
Por isso nunca fui a favor de estereótipos no rock e atualmente o visual dos caras tem detonado a reputação inovadora do rock… O rock virou só aparência, os caras querem mostrar como são maus, usam preto e causam horrores!!! Uma das marcas do rock desde sempre foi a inovação, um dos maiores prazeres que tenho é ver Mick Jagger nos anos 70 tocando de roupa branca, Angus Young com seu uniforme escolar, Steven Tyler vestido de rosa, Nikki Sixx fiel ao seu cabelo preto e espetado desde sempre (originalmente ele é loiro)… Fora as atitudes…Iggy Pop se contorcendo de calça jeans desde o Stooges e Bon Scott tocando sua gaita de fole na companhia de solos de guitarra. Que maravilhas esses caras faziam apenas com uma peça de jeans! Faziam a gente vibrar com suas personalidades únicas e seu talento. Quem gosta mesmo de rock, não era para ligar para o impacto de uma peça de roupa. Quem faz o estilo é a personalidade, são as idéias, a inteligência… E acho uma pena nós abrirmos mão da criatividade e espírito inovador do rock por causa de estereótipos idiotas. Vamos abrir mão (apenas por um momento) do preto, vamos criar estruturas musicais novas, vamos nos dar uma chance de conhecer uma banda que sempre nos fez ter preconceito(desde que a música seja boa). Longa vida ao Rock’n’Roll.
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5 Comentários leave one →
  1. † Mme. Mean † permalink
    setembro 14, 2009 10:48 pm

    Disse tudo, Helena.

  2. Loly permalink
    dezembro 17, 2010 2:59 am

    Olá! Curti teu blog, me identifiquei muito com suas idéias em geral, principalmente em relação à questão de estilo e à comparação do Shagrath (adoro o trabalho dele com o Dimmu Borgir, acho a banda foda) com o cara do Calcinha Preta, se esse tosco da banda de forró quiser virar TrOO from hell é só fazer a “manga” mesmo e uma carinha de malvado com direito a gutural ao cantar “você não vale nada, mas eu gosto de você” UAHAUHAUHA Que tosca minha criatividade. O pessoal que curte rock e metal, como nós, tem de se conscientizar que ouvir esses estilos não é só vestir preto e usar bota de tachinha. Eu não vou mentir, adoro usar preto, camisas de banda, spykes e botas, uso constantemente, mas uso porque gosto mesmo e quando não tô a fim, uso um vestidinho preto, branco, até verde, e camisas normais. Só não uso rosa porque detesto. Mas eu, como boa rockeira/headbanger, tenho consciência que é preciso muito mais ter atitude do que se preocupar com simples peças de roupa. Enfim, lindo blog, continue escrevendo. Abraços.

  3. dezembro 17, 2010 12:39 pm

    Hah,Hah! Adorei teu comentário sobre o cara do Calcinha Preta (troo from hell)…Nada a ver esse estilo dele para uma banda de forró, aliás esses caras do forró e axé cada vez mais roubando as referências do metal, gótico e afins. Me fala o que é a Ivete Sangalo de plumas e macacão de vinil preto? E eu concordo com você sobre a conscientização do pessoal que curte rock e metal, porém acho que esse tipo de amadurecimento só vem com o tempo (ou não). Antigamente eu usava preto todo dia, hoje abro espaço para cores mais neutras como cinza e bege e às vezes um lilás,azul,verde (eu também odeio rosa, acho que não combina comigo). Mas o coturno e bota de mociclista não sai do meu armário nunca e também adoro rebites, estampa de cobra e onça (hard rock forever) e afins. A gente tem que se vestir para nós mesmas e não para os outros. A verdadeira atitude está no comportamento e não na aparência. Obrigada por gostar do blog e do conteúdo postado, admiro muito comentários como o seu, que me incentivam a melhorar sempre o conteúdo aqui postado. 🙂

    • Loly permalink
      dezembro 17, 2010 4:43 pm

      É verdade, não tem nada a ver mesmo o pessoal do forró, do axé e até do pagode (acredite, moro na Bahia e vejo a maioria dos “cantores” de pagode usando moicano :O) adotar estilos parecidos com o do pessoal do rock, fica parecendo que eles querem chamar atenção de um público que não é deles, pelo menos é essa a impressão que me passa. E essa história da Ivete Sangalo, sabe que eu já vi uma foto dela usando macacão preto de vinil?! Só não tava de plumas, porque com aquele axezinho xinfrim ela nunca será hard rock. AUHAUAUHUHAUHA Na verdade, isso da conscientização depende muito da pessoa, porque na maioria delas vem com o tempo mesmo. No meu caso, por exemplo, não demorou muito. Ah, eu também tenho um coturno (adoro) e tô doida pra adquirir uma perfecto. *-* Também adoro o estilo hard rock, é um dos meus preferidos. Por falar em hard rock, li por aqui que você começou praticamente ouvindo isso e lembrei que temos isso de parecido, porque ele também teve muita importância na construção do meu gosto musical. Eu comecei com Beatles, The Who, Rolling Stones, o povo do rock de raíz, do rockabilly e fiquei só nisso por um bom tempo, até que ouvi uma tal de uma banda chamada Led Zeppelin e outra bandinha sem importância aí, como é mesmo o nome?! Ah, Whitesnake! HAUHAUHUAHUAH E isso mudou meus “rumos musicais”. Fui descobrindo coisas novas dentro do rock áté chegar ao Metal também. Enfim, acho que o limite de linhas vai acabar, acho melhor parar. AAUAHUAHUA Abraços da mais nova leitora assídua do seu blog.

      • dezembro 27, 2010 8:09 pm

        Menina, eu demorei até comprar meu primeiro coturno. Jaqueta de couro então, foi depois do meu terceiro emprego. Demora, mas é tão bom quando a gente adquire uma dessas peças que são um símbolo do vestuário rock…não é questão de ser consumista Loly, compro a maioria de minhas roupas em bazares. Mas é maravilhoso ter um símbolo do rock como a jaqueta perfecto no armário (fora que isso dura a vida). Concordo com o que você diz e é verdade, eu comecei com rock clássico, ouvia rock gótico e pós-punk, punk, tive uma fase meio indie (descobri que não era a minha) e rockabilly. Mas me encontrei mesmo no hard rock e metal. Whitesnake e Led são muiiito, Scorpions e Saxon também. Beijos!

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