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System of a Down, Serj Tankian e Armênia

dezembro 10, 2010

 

Uma das grandes influências da minha formação em Artes Plásticas, é o meu interesse por culturas diferentes da minha, em especial aquelas enigmáticas e difíceis de penetrar. Quando eu era pequena havia muita National Geographic em casa e Atlas geográficos, eu adorava visualizar outros tipos de arquitetura, estética, etnia… E isso continua até hoje. Acredito que também venha da infância o fato de gostar tanto de esqueletos e crânios, havia uma capa de um livro de biologia em que eu visualizava o esqueleto na capa e dentro do livro os ossos que completam o esqueleto. E o gosto perpetuou-se… Não preciso dizer que sou fã dos desenhos de anatomia de Leonardo da Vinci e qualquer coisa que demonstre o corpo humano anatomicamente.

Voltando ao assunto, uma cultura que acho muito interessante é a do povo da Armênia. Há algum tempo atrás, quando o System of a Down fazia sucesso, me interessei pelo país (os integrantes do SOAD são descendentes de armênios). Como eu adoro bandas com influências de música folclórica regional, logo mergulhei no som da banda, que admiro até hoje. Pena que a banda sumiu, porque a originalidade é o forte do SOAD. Eu gosto de todos os integrantes da banda e do estilo deles.  A Armênia está geograficamente localizada na Ásia, entre Oriente Médio e Rússia, muito povos já guerrearam, passaram por lá e deixaram sua cultura marca na Armênia. O país possui uma arquitetura magnífica, com influência das culturas em que fazem divisa. Os armênios criaram técnicas e formas diferentes, serviram de modelo para a arte bizantina. A Armênia foi para o mundo cristão o que a Grécia foi para o mundo antigo. Aí estão dois monastérios medievais com influência eclesiástica bizantina e vernacular da região do Cáucaso em sua arquitetura.

 

Monastério de Haghpat:

 

Cathedral of St Nishan, Haghpat Monastery, Armenia

The Amenaprkich khachkar

 

Monastério Sanahin:

 

Sanahin Monastery, Armenia

Inside Sanahin Monastery

 Sanahin Monastery Library

 

 Talvez seja daí que o System of a Down tenha tirado sua inspiração, dessa fusão de estilos da Armênia. Eu sempre achei muito interessante quando algumas bandas, estilistas,  escritores e artistas plásticos nos levam a conhecer um pouco de sua pátria através da sua arte. Eu pessoalmente, me identifico muito com diversas culturas e se pudesse viajar pelo mundo inteiro com certeza iria.

Faz algum tempo que não falo sobre estilos, então essa introdução sobre a Armênia é para falar do estilo da banda SOAD e  seus integrantes: Daron Malakian (guitarrista e vocalista), Serj Tankian (vocalista e tecladista), Shavo Odadjian (baixista) e John Domayan (baterista).  Assim que surgiu a banda, eu achei de extrema originalidade seu som que mistura metal, um peso musical considerável e influências aparentemente distantes como música do oriente médio, Beatles, punk rock e metal industrial, certamente todos esses estilos musicais ainda são poucos para rotular o SOAD. Aliás, eu detesto muito essas “nomenclaturas” do rock, só as utilizo quando necessito mesmo e tenho até medo, poque sempre tem um roqueiro mais “roqueiro” (fogueira da vaidades pura) para dizer “Mas Helena, esse estilo não é isso…é aquilo outro”. Eu acho isso de uma radicalidade extrema, porque eu gosto de muitos estilos dentro do rock e considero que todos são importantes para minha percepção sobre o que é a música. Talvez isso ocorra porque também sou grande fã de artistas plásticos como Duchamp e Marc Chagall, que não se conectaram a nenhuma tendência em específico na vanguarda da modernidade e contemporaneidade e por isso tornaram-se únicos. Não é que eu esteja defendendo uma imparcialidade e aceitação de tudo, mas eu defendo a liberdade musical no rock e nos estilos, sem a banalização.  Também não sou tão democrática a ponto de aceitar o tal “happy rock” de hoje, porque para mim rock é contestação e isso não vem de roupas, cabelos e tatuagens, mas principalmente pela porcentagem de inteligência. Para mim o rock é contestador e anti-consumo, talvez seja uma percepção punk, mas realmente acredito que possamos melhorar como seres humanos através do rock, que muitos consideram algo marginal ainda nos dias de hoje. O problema é que apesar de visualmente e musicalmente o rock ser agressivo, é preciso inteligência e sensibilidade para entender algumas metáforas do mesmo. E se eu for analisar minha preferência por bandas, as que eu mais gosto giram em torno dessas metáforas. Hoje estou realmente fugindo do tema principal do texto, mas se esse blog não fosse uma série de conjecturas que chegam a uma conclusão plausível, eu deixaria de ser blogueira.

O estilo dos caras do SOAD  tem uma característica muito interessante de misturar tendências etnicas (aí usando o termo completo de etnia, que absorve a cultura: religião, tradição, língua, nacionalidade e outros) ao metal e até mesmo rock alternativo.  Serj Tankian nasceu no Líbano (Beirute) e seus quatro avós eram armênios. Serj nasceu no Líbano porque seus avós fugiam do genocídio arménio, tema muito abordado por ele ainda hoje. Posteriormente mudou-se para os Estados Unidos por causa de problemas políticos e econômicos no Líbano. Serj Tankian possui um rosto que é de uma singularidade incrível. Esteticamente ele possui o pé mais próximo do Oriente Médio, usa a barba que culturalmente diferencia o homem do Oriente Médio da mulher do mesmo lugar. Segundo Câmara Cascudo, quanto maior a barba maior o poder. Pessoalmente, gosto muito do estilo, da personalidade e características físicas de Tankian. Ele não abre mão do cavanhaque e alguns momentos alterna com bigode, fica bem nele. Seu cabelo às vezes aparece longo e naturalmente “bagunçado” e às vezes curto. Além disso Serj é um baita cérebro, entre suas inúmeras formações está a música e as artes visuais.

E o que o cara usa? Às vezes ele veste túnicas com influência claramente oriental:

 

 

assim como  jeans e camiseta…

 

 

 ou até mesmo roupas que você acredita nunca vê-lo vestindo, como uma cartola branca e um paletó com jeito de fraque, não consegui visualizar bem a peça:

 

 

Admito que é chocante ver o Serj vestindo roupa branca, não que fique feio, mas para mim a cor dele é o preto. Ele fica muito bem de preto, é uma marca sua, assim como os cabelos e barba. Podemos vê-lo em um estilo mais hardcore, tênis de skatista, meias, camiseta e bermuda, bem confortável:

 

 

Ou elegantemente trajado em camisas listradas e calças risca de giz, as listras verticais são um padrão que ele realmente gosta:

 

  

 Convenhamos que com o tipo exótico de Tankian, qualquer coisa chama a atenção. O cara é muito simpático, sendo flagrado quase sempre sorrindo, bem confortável com os outros e com seu estilo variado.  De todos do SOAD é o que mais faz referência à cultura do Oriente Médio em sua postura, meio sagrada (e profana também):

  

 

Como o post está muito longo, daqui a pouco posto o estilo dos demais integrantes do System of a Down.

 

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18 Comentários leave one →
  1. dezembro 10, 2010 2:14 pm

    eu sou fascinada por civilizações antigas e culturas que o tempo só nos deixou o mistério. Infelizmente não tenho tanto tempo pra estudá-las mas sempre dou uma lida em alguma matéria ou assisto algum programa na tv.
    Eu nunca pesquisei muito sobre a Armênia e agradeço muito por me apresentar mais detalhes dessa cultura incrível!! com certeza ficarei mais esperta quanto à esse país.
    Quanto ao SOAD, acho uma banda mainstream com uma super personalidade própria, embora não seja muito meu estilo musical, tem pelo menos umas 8 ou 10 músicas deles que eu curto.
    E adorei o modo como vc explicou sua visão do que é Rock, é exatamente o que penso e fico revoltada que hoje em dia o rock não seja mais tão contestador, polêmico e inteligente como já foi.
    Bjs!

  2. Loly permalink
    dezembro 17, 2010 5:02 pm

    Desde pequena eu também sempre me interessei por culturas de civilizações antigas, por etnias diferentes e essa coisa toda. E por atlas também (tenho um ótimo que está aqui do meu lado, hehe), porque eu adoro ver localização de países e viajar no que cada um deles representa pro mundo. Sempre que posso, pesquiso alguma coisa em relação a isso. Isso explica uma boa parte da minha paixão por História. Não tinha pesquisado sobre a Armênia ainda e achei interessante o que você postou aqui sobre esse país misterioso. E eu também acho o System of a Down uma puta banda e os integrantes inteligentíssimos, gosto muito do som deles e dessa mistura que fazem, apesar de não gostar de New Metal. Mesmo porque eles não são uma banda comum de New Metal, eles não merecem nenhum tipo de rótulo (também não gosto muito de rotular os estilos do rock, mesmo eu usando as nomenclaturas constantemente). Enfim, adorei o post. :*

  3. Loly permalink
    dezembro 17, 2010 5:04 pm

    Ah, e nem comentei sobre essa palhaçada de Happy Rock, porque sei que ia ficar negativamente exaltada. AUHUAHUHA É o tipo de “rock” que a mídia gosta, que serve só pra alienar jovens pré-púberes e não tem atitude, não tem feeling.

  4. dezembro 27, 2010 7:56 pm

    Sana e Loly, fico feliz que tenham gostado do post. Acho que o SOAD é a única banda de new metal que gosto, junto com o Korn. Acho muito interessante a proposta deles. E a Armênia está na lista de países que eu TENHO que conhecer. Beijos!

  5. Felipe permalink
    janeiro 5, 2011 12:15 pm

    Serj é mto criativo e sabe perfeitamente usar sua inteligência para unir diversos aspectos das várias culturas com as quais teve contato. Ele é um ponto preto no meio dos brancos, usa o antigo no contemporâneo e dá vida e conteúdo à sua música.
    Parabéns pelo post, eu vi minhas próprias opiniões nele. Assim como considero SOAD e Korn as melhores bandas de new metal.

  6. janeiro 5, 2011 9:19 pm

    Felipe, concordo com tudo que disse. Para mim a obra de Serj é Arte, com A maiúsculo. Obrigada pelo comentário, fico feliz com comentários inteligentes e construtivos como o seu.

  7. Reiff permalink
    janeiro 30, 2011 7:35 pm

    Gostei da materia, adoro essas paradas medievais, vc sabe disso hehe, e sem contar o modo como vc descreveu o rock (e a proposito eu tambem nao sou a favor do “happy rock”) e falando de SOAD pra mim é a melhor banda do MUNDOO.
    bjs

    • janeiro 31, 2011 8:56 pm

      Que bom que você gostou Reiff, adoro SOAD também. E sim, seus gostos são múltiplos e inteligentes. Ainda desenha bem como desenhava? Bj

      • Reiff permalink
        fevereiro 9, 2011 11:43 pm

        Já foi tempos, rsrsrsr
        parei de desenhar agora to entrando na arte da musica,
        to montando uma banda com uns amigos,
        vamu ver nu q vai dar hehe
        saudades
        bj

  8. fevereiro 11, 2011 10:36 am

    Ah, Reiff…não me surpreende. Você tem a cara do rock. Vai fundo e me chama para conferir. Beijos! Saudade

  9. agosto 14, 2011 12:40 am

    eu adoro estudar civilizacoes e cultura antiga.tenho 1 enorm fetiche por isso, comecei a estudar a armenia e outros paises do orient e fiquei alucinada por essa cultura.sou fanzaca do soad e o estilo musical e tao versatio q faz da banda 1nik,e isso e q e legal pois n tem preconceito com estilos dfrents dentro do rock q dvria ser 1 so e unir as pessoas e n gera violencia.gosto do rock unico,revolucionario e gent,rotulacao so tras separacao.rockeiros esqcam isso e se unam nessa imensa comunidad q e a do rock.

    • agosto 14, 2011 10:22 pm

      Concordo com você melina, acho que o rock nos une e não consigo ver de maneira separada todos os gêneros e estilos. Tolerância é tudo, embora muitos fãs de rock esqueçam isso.

  10. outubro 3, 2011 3:49 am

    Olá, Helena:
    Sou descendente de armênios e estou assistindo ao show do SOAD pelo Multishow no Rock’in Rio. Enquanto assisto ao show, fui pesquisar + sobre o System of a Down, o que me trouxe até você. Achei o máximo o seu comentário “A Armênia foi para o mundo cristão o que a Grécia foi para o mundo antigo”. Sensacional. Posso lhe dizer que dá para sentir toda a influência da cultura armênia na música do SOAD. Aproveito para enviar-lhe um poema meu sobre a Armênia, que ainda não conheço.

    Armênia de meus ancestrais

    por Paulo Pandjiarjian

    Armênia, Armênia
    Armênia de meus ancestrais
    Tens motivos para sorrir
    Tens motivos para chorar
    Tens motivos para lembrar

    Os mártires do genocídio
    glorificam Hayk, teu lendário fundador,
    o povo de Nairi, o reino de Urartu,
    o Templo de Garni e
    São Gregório, Iluminador.

    Armênia, Armênia
    Armênia de meus ancestrais
    As famílias da diáspora
    lembram teu passado milenar.
    A visão do Ararat guia-te,
    primeiro país cristão,
    e a águia e o leão do brasão
    guardam teus lagos
    Urmia, Van e Sevan.

    Armênia, Armênia
    Armênia de meus ancestrais

    As letras de Saroyan
    A música de Katchatourian
    A voz de Aznavour
    Glorificam o vermelho, azul e laranja
    da tua bandeira.

    A Armênia vive em nós!

    Armênia, Armênia
    Armênia de meus ancestrais
    Tens motivos para sorrir
    Tens motivos para chorar
    Tens motivos para lembrar

    Espero que goste!

    Beijos

    • outubro 7, 2011 8:52 pm

      Que legal Paulo! Fiquei feliz com seu comentário. Realmente acho que a Armênia foi de fundamental importância e ainda é. Sua arquitetura, sua música, sua cultura enfim…Admiro muito esse país, ainda vou conhecer a Armênia um dia. E admiro também os armênios e descendentes de armênios. É um povo exótico e guerreiro. Belo poema! 🙂

  11. dezembro 16, 2011 4:16 pm

    Legal seu post. Gostei sobre o comentário da Armênia, do SOAD e do Serj. Ele é uma graça e faz com que eu queira me casar com um armênio. Quem me dera se eu sobrenome terminasse com IAN. Beijo

    • dezembro 20, 2011 12:00 pm

      Que bom Gabriella! Tomara que realize seu sonho. Também admiro muito a Armênia e o SOAD, claro. Serj é de uma personalidade sem igual. Beijos!

  12. março 5, 2012 11:07 pm

    Oi Helena você já assistiu ao documentário Screamers do SOAD???
    Eu recomendo a todos a asistirem pois assim entederam bem a essência do SOAD,é muito bom o documentário.

    Scramers:http://www.youtube.com/watch?v=QcsNMhYP378

    • março 9, 2012 10:11 pm

      Oi Wesley! Não vi esse documentário, embora já tenha ouvido falar sobre como ele é bom. Irei assistir e depois comento aqui. Obrigada pela dica! 🙂

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