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H.R. Giger e sua maior criação, Alien

janeiro 5, 2011

 

 

Cada época cultural na história humana produz seu artista visionário inesquecível, um gênio que é energizado pela viagem no interior, a viagem pela galáxia de seu próprio sistema nervoso e retorna com informações vitais sobre o passado e o futuro de nossa evolução. (…) Eles assustam os obedientes membros da colméia, que muitas vezes ficam enjoados ou em pânico (…) Artistas como Giger são frequentemente censurados, ignorados, presos, queimados na fogueira, raptados por Hollywood ou, mais frequentemente, descartados em asilos. Porque eles são os estrangeiros, os mutantes, inteligências superiores, organismos muito diferentes, muito reveladores para serem tolerados. (Timothy Leary sobre H.R. Giger em 1979)

 

Na arte, eu tenho um grande interesse por formas artísticas sombrias e de impacto. Algo como Damien Hirst, Gottfried Helnwein (já escrevi sobre ele aqui, é um dos preferidos), Albrecht Dürer, Henry Füssli, Goya,  Caravaggio e H.R. Giger. Na certa deixei de colocar muitos nomes, mas eis o que vieram à cabeça e exercem uma grande influência nas minhas escolhas artísticas. H.R. Giger, eu conhecia através do filme Alien e passei a admirá-lo em meus estudos sobre arte/tecnologia que já duram bastante tempo. Para mim, cyberpunk e cybergoth deixaram de ser interesses e tornaram-se objeto de estudos científicos. 

 

 

O artista H.R. Giger

 

 

 

 

 

 

 Giger é muito conhecido pela criação dos alienígenas mostruosos da série de filmes Alien. Gosto muito de como ele e diretores conceituados como Ridley Scott, David Fincher, James Cameron e Jean-Pierre Jeunet transformaram o Alien em uma ficção científica extremamente sombria e tecnológica, um novo gênero de terror. Ainda hoje  há pessoas que acreditam que Alien é apenas uma série de ficção científica para distração,  não acreditam que a série seja um film e sim um movie.  Pois dentro de cada filme na série há vários conceitos que devem ser explorados dentro da própria tecnologia e da filosofia, há algo profundamente melancólico na série e também bastante gótico. Meu episódio preferido é  Alien 3 , dirigido por David Fincher (que eu adoro). Nesse filme, a tenente Ripley (Sigourney Weaver), fugindo da ameaça do segundo filme (o Alien), acaba pousando em um outro planeta que é uma espécie de prisão penal e mosteiro, onde só há homens presos.  Todos os presos são estupradores, assassinos, enfim homens muito perigosos. Nesse contexto, Ripley descobre que a menina que carregava na nave morreu e tenta consertar seu colega máquina para que ele narre o que aconteceu realmente na nave:

 

 

 

 A partir daí temos idéia que o Alien voltou a atacar e a tenente Ripley deverá contar com sua “confiança” nos presos para derrotar os aliens. Há um contexto feminista bastante forte no filme, já que é uma prisão apenas para homens. Uma espécie de pressão psicológica é iniciada para que a tenente Ripley vá embora,  já que tanto no contexto religioso quanto no aspecto masculino de não haver mulheres na cadeia, a mulher aparece como um perigo iminente capaz de fazer o homem totalmente expurgado de seus pecados cair em tentação (principalmente porque a maioria dos homens na cadeia são ex-estupradores redimidos por Deus).

 

 

 

 

O pintor, escultor, designer e  arquiteto de interiores H.R. Giger, se intitula surrealista/realista fantástico e recebeu Oscar em 1980 pela criação do Alien. Sua visão artística se estende em vários domínios da criação artística. Em seu site,  ele diz que o aspecto fundamental de seu trabalho é sua estética biomecânica, uma dialética entre homem e máquina, o que representa ao mesmo tempo uma atmosfera pertubadora e sombria. O mais famoso livro de Giger, Necronomicon de 1977, serviu de inspiração para o primeiro filme da série Alien com direção de Ridley Scott.  H.R. Giger inaugurou seu próprio museu em 1998, no Château Saint Germain,  lugar medieval histórico em Gruyères na Suíça. O museu abriga a maior parte de esculturas, desenhos, filmes móveis e outras modalisdades artísticas de Giger,  dos anos 60 até os dias de hoje.  Há também a coleção de arte privada do artista, com nomes como Salvador Dalí, Weber Bruno, Joe Coleman entre outros.

 

Escultura Alien

 

 

Interior do museu H.R. Giger

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre Alien, Ridley Scott disse que nunca teve tanta certeza na vida quanto à transformação do Necronomicon de Giger em inspiração para a criação do Alien.  Ridley queria Giger desde o início  para criação da forma da criatura, do zero:

 

 “…eu estava tão impressionado com seu Necronomicon IV, que eu insisti que ele seguisse sua forma. Eram bastante específicas para o que eu esperava do filme, especialmente na forma original em que elas transmitiam tanto horror e beleza. O mundo nunca viu nada como isso, seu trabalho contribui significativamente para o sucesso comercial do filme. ” (Ridley Scott)

Necronomicon IV

 

 

 

 

 

Alien

 

 

 

 

 

 

Scott ainda compara o trabalho de Giger aos grandes filmes sombrios do expressionismo alemão, como Gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu. Faz uma ressalva quanto à expressão estética que diz não ser semelhante, mas compara a revolução em termos de beleza sombria no século passado e efeitos especiais.  De fato, a iconografia de Giger é mais repulsiva e igualmente bela. Scott diz que o impacto foi muito grande, principalmente porque nesse tipo de arte devemos nos preocupar com o tipo de coisa que o público quer ver e limitar o que o artista quer realmente fazer em termos de conceito artístico.  A arte de Giger insere-se em nossa psique e toca nossos instintos e medos mais profundos. Em última análise ele tange à arte contemporânea sendo impossível categorizar a arte em que está inserido. Ridley Scott compara a intesidade de seu trabalho e  imaginação aos artistas Hieronymus Bosch e Francis Bacon em seu poder para provocar e incomodar.  Vestido de preto e com sua fascinação por crânios e ossos, talvez Giger não seja o tipo artístico mais alardeado por críticos e marchands de arte, principalmente por seu caráter marcadamente comercial,  porém é o tipo que eu e leitores do blog gostamos de ver no círculo fechado da arte. Giger faz parte dos principais artistas da arte/tecnologia,  é citado em muitas monografias ligadas ao estudo da pós-modernidade. Em breve terá seu maravilhoso trabalho reconhecido na História da Arte.

 

 

Capa da revista Zero Tolerance, com  Tom Gabriel Warrior da banda Celtic Frost, entrevistando H.R. Giger na Suíça

 

 

 

Microfone criado por H.R. Giger a pedido de Jonathan Davis (Korn)

 

 

 

 

 

O imaginário de Alien permanece  vivo: salto criado pelo saudoso gênio Alexander McQueen e catsuit de Alien (não faço idéia de quem criou)

 

 

 

 

 

 

 

Mais sobre a arte de Giger:  http://www.hrgiger.com/

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6 Comentários leave one →
  1. janeiro 6, 2011 2:44 am

    Ótimo post Helena.
    Esse museu do Giger é fantástico, gostaria muito de conhecer.
    Acho o seu trabalho como artista maravilhoso, apesar de não gostar muito da temática dos filmes do Alien. Mas é ingável o talento dele, e a beleza e originalidade de suas obras.

    Beijos

  2. Pedro Ismar permalink
    julho 6, 2012 2:18 am

    Gostei muito do seu post, sou muito fã da arte de HR Giger e assim como a Deze tenho muita vontade de conhecer o seu museu.

    Abraços!

    • julho 16, 2012 10:41 pm

      Que bom que gostou, Pedro. E o museu do Giger deve ser fantástico. Abraço!

  3. dezembro 7, 2012 1:07 pm

    Excelente post. Traduz muito bem a fantástica obra deste grande artista.

  4. fevereiro 13, 2014 12:26 am

    Eu assisti Alien no Central no dia 14/09/78, e eu lembro da data porque foi o meu aniversário de quatorze anos, o filme era censura dezesseis e paguei inteira para entrar que era o que se fazia na época. Adorei o filme, e conheci os nomes de Ridley Scott e Giger. Giger também me empolgou pela capa de Brain Salad Surgery, o melhor disco de Emerson, Lake & Palmer.

    Eu gostaria de ir ao bar dele na Suíça, mas isto vai demorar.

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