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O grotesco como intenção artística

janeiro 21, 2011

 

“Se és feio… sê terrível, esquecerão a tua fealdade”.

(Les Mystères de Paris, Eugène Sue)

 

Que loucura performática é essa de bandas de heavy metal/hard rock, new metal, metal alternativo e industrial? Confesso que a cena rivethead sempre me atraiu por causa de suas performances espetaculares. É algo interessante o que ocorre com esses músicos: se o rock sempre foi um celeiro de sensualidade, embora nem todos roqueiros sejam bonitos, o que dizer dos que se mascaram e fantasiam para ficarem com uma aparência grotesca? E quando a beleza não é importante e não é a intenção de uma estrela do rock? É certo que isso não é algo novo, mas para esses artistas, ser assustador torna-se uma regra. Se buscarmos o conceito de grotesco na arte, veremos que a palavra vem do termo italiano “grotta”, que significa gruta ou cova. O ornamento grotesco caracteriza-se pela criação de universos paralelos e fantásticos onde se fundem elementos humanos e não-humanos, muitas vezes deformados. Os limites entre sonho, fantasia  e realidade não existem no grotesco. Podemos notar o grotesco em conceitos utilizados por vários cantores, entre eles:

 

ALICE COOPER  –  Gênero: hard rock e heavy metal

 

A guinada fundamental na carreira de Vincent Furnier foi escolher seu pseudônimo Alice Cooper, uma de suas possíveis vidas passadas. Um homem andrógino de roupas esfarrapadas/glam, acessórios femininos e maquiado com uma espécie de corpse paint. Cooper confessou que sua inspiração foi “Barbarella” e Anita Pallenberg com longas luvas de couro e canivetes saindo delas.  Uma das indagações de Alice Cooper é porque no rock temos que ser sempre heróis e não vilões?  Cooper e seus companheiros de banda (Buxton e Dunaway) são formados em Artes e eram fãs da arte de Salvador Dalí. Muito das idéias conceituais e performances da história da arte eram usados na música de Alice Cooper. Nos anos 70, as performances teatrais no palco  incluíam uma falsa execução na cadeira elétrica, corte de bonecas ensanguentadas com um machado, danças de Cooper com uma jibóia no palco e execução falsa na forca. Na turnê de Billion Dollar Babies (1972), Cooper gostava de decapitar bonecas e manequins e também possuía um grande interesse por objetos de tortura, como guilhotinas.

 

Salvador Dalí e Alice Cooper (uma amizade prolífica):

 

 

 

 

 

Inspiração de Alice Cooper: The Great Tyrant, Anita Pallenberg em Barbarella (1968)

 

 

 

Alice Cooper nos anos 70:

 

 

A famosa jibóia das performances de palco:

 

 

Billion Dollar Babies:

 

 

 

Uma de suas bonecas:

 

 

Outras bonecas em Theatre of Death Tour:

 

 

 

Alice Cooper jovem e sem maquiagem:

 

 

 

MORTIIS – Gênero: industrial

 

Mortiis é uma banda da Noruega liderada por Havard Ellefsen, ex-integrante da banda de black metal Emperor. A banda começou como um projeto solo de Ellefsen com objetivo de contar histórias. Mortiis também é um pseudônimo de Ellefsen, sendo ele o único membro fixo da banda. Eleffsen construiu o personagem Mortiis inspirado em Blix do filme “A Lenda”, para tanto utiliza próteses nas orelhas e nariz.  Anteriormente essas próteses eram separadas e posteriormente foram  acopladas uma à outra, de maneira que esteticamente parecesse que essas partes tivessem caído e sido costuradas no rosto. Conceitualmente, ele diz que sua música não possui ligação direta com a máscara ou personagem.  Ellefsen diz ter escolhido a máscara para mudar uma imagem previamente estabelecida, ele quer fazer arte para si mesmo e sua realização pessoal, não obedecendo a opiniões de terceiros sobre o que querem que seja realmente feito em termos de música.  Além da máscara, Ellefsen também utiliza dreads e se cobre de farinha antes dos shows, sendo também conhecido por reparar suas roupas rasgadas utilizadas durante o show com auxílio de fita preta. Perguntado sobre o personagem e como gostaria de ser reconhecido Ellefsen diz que não quer ser reconhecido como  um duende, um troll, um elfo  ou algum ser medieval. “Eu sou apenas Mortiis”, diz Ellefsen. Sobre suas influências ele cita Alice Cooper, Kiss e WASP.

 

 

O modelo de beleza de Mortiis, Blinx do filme “A Lenda”:

 

 

 

 

 

Mortiis:

 

 

 

 

Coberto de farinha, maquiagem e próteses:

 

 

Havard Ellefsen, sem maquiagem e as próteses:

 

 

 

SLIPKNOT – Gênero: new metal/heavy metal

 

 

Banda formada originalmente por nove mebros (atuamente oito):  James Root, Graig Jones, Sid Wilson, Chris Fehn, Joey Jordison, Shawn Craham, Mick Thomson e Corey Taylor. Chamam seus fãs de maggots devido à música “Pulse of the maggots”. Usam máscaras grotescas e uniformes/macacões. As letras abordam temas comuns ao gênero industrial: niilismo, psicose, raiva, escuridão, entre outros. Perguntados sobre o uso de tais máscaras, Corey Taylor diz que queria criticar a chamada “música como produto”: “- A música era basicamente uma forma dos bonitões  aparecerem, venderem um punhado de discos que semana que vem não tem significado nenhum. Nós colocamos essa máscara e você não sabe quem somos, aceite isso. Não é sobre nossos rostos. Colocamos nossos macacões… não é sobre apresentar a moda, tendências, sobrenome ou qualquer coisa.  Aqui está meu número, aqui está meu código de barras (…) Sempre será sobre a música em primeiro lugar e depois nós e sempre será dessa forma. (…) Não estamos nem aí se ninguém nos segue, só queremos que as pessoas amem nossa música”. (Corey Taylor em 2000)

 

Veja Corey falando em vídeo legendado pelo Slipknotbr:

 

 

 Li um post muito interessante sobre a inspiração das máscaras do Slipknot, então deixarei o link que está bem completo:

 

 http://pistoleirosolitarioebe.blogspot.com/2010/06/slipknot-e-suas-mascaras.html

 

As máscaras da banda:

 

 

 

Os integrantes com e sem máscaras:

 

 

 

Continua no próximo post…

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9 Comentários leave one →
  1. Reiff permalink
    janeiro 30, 2011 7:11 pm

    Adorei as materias Helena tudo de bom.
    Tá de parabens
    Bjao

    • janeiro 31, 2011 8:53 pm

      Obrigada, é importante saber sua opinião. Fiquei feliz com a visita. 🙂

  2. fevereiro 3, 2011 6:09 am

    Oi Helena;
    Vim aqui ler seus posts sobre o groteco.
    Começando do começo hehe, adorei esse post. Principalmente para conhecer melhor o significado e o motivo dessas bandas se interessarem pelo grotesco.
    Gosto de slipknot mas não sabia o motivo de usarem mascaras, achei super interessante.
    Beijos

  3. março 6, 2011 9:42 pm

    Adorei, adoreeeei a postagem. Adoro Alice Cooper, o trabalho dele é pioneiro e eu adoro a interferência grotesca na música.
    Não gosto de todas as bandas que apresentam essa estética, mas três que vc citou são realmente as melhores no gênero, as máscaras de Mortiis e Slip dão aquele ar de “quem está por trás?”, escondendo a identidade real e provocando um mistério. E o Alice ainda tem todo aquele toque extra de “filme de terror”.

    • março 9, 2011 11:48 pm

      Que bom que gostou, como falei dou prioridade ao que eu acho conceitualmente significativo e verdadeiramente artístico. Obrigada! 🙂

  4. cristiano permalink
    março 30, 2011 6:00 pm

    Olá, Helena, tudo bem? Meu nome é Cristiano e estou buscando subsídios para uma possível tese de doutorado a respeito da relação entre o grotesco e o heavy metal, porém, tenho percebido que a literatura a esse respeito é bastante limitada, embora se encontrem muitos livros tratando sobre o heavy metal na sociologia/antropologia em inglês e alemão. Por acaso, você teria mais informações sobre bibliografia nesse campo, especialmente voltados ao aspecto artístico/estético do heavy metal? Em tempo, seus textos estão bastante interessantes, parabéns! Desde já agradeço pela sua atenção!

    Cristiano

    • abril 10, 2011 8:06 pm

      Olá Cristiano! Gostaria de me desculpar pelo atraso em respondê-lo, mas ando entrando pouco no blog. Achei interessante sua proposta de doutorado sobre o grotesco e o heavy metal, há poucas publicações a respeito. Se você tiver interesse posso recomendar alguns livros, mas talvez você já os conheça porque realmente há muito pouca coisa escrita sobre isso. Anote meu e-mail para que eu possa enviar alguma bibliografia que ajude: modrocker83@gmail.com
      Obrigada pela visita e leitura, boa sorte em sua pesquisa.

      Helena

  5. guilherme passos permalink
    outubro 8, 2011 7:03 am

    Belo texto, curti, sou fanatico por slipknot desde 2000 !!! =) só tem uma errata, eles não nos chamam de maggots pela música Pulse of the maggots, a música é assim chamada por eles nos chamarem de maggots, termo é muito mais antigo que o subliminal verses (Album cujo contem a música) 🙂

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