Skip to content

Club Kids e sua influência no Cybergoth

agosto 1, 2011

Dinheiro, Sucesso, Fama, Glamour

“Saudações, Cidadãos/Nós estamos vivendo
numa era/Em que a perseguição de todos os valores/
Que não dinheiro, sucesso, fama, glamour/
Foram ou desacreditados ou destruídos/
Dinheiro, sucesso, fama, glamour/Porque nós estamos vivendo na era da coisa!
Dinheiro, sucesso, fama, glamour/ Dinheiro, sucesso, fama, glamour
Porque nós estamos vivendo na era da coisa!
(Money, Success, Fame, Glamour – Felix da Housecat)
 
Essa letra é maravilhosa e é cantada em uma cena do filme Party Monster. Eu gosto da letra porque cita o conceito de coisificação do ser humano. O processo de coisificação foi estudado por diversos teóricos, principalmente Lukács, refere-se à coisificação como  produto de uma economia de mercado, em que tudo é medido  através do seu valor de uso e valor de troca. Avaliando essa teoria direcionada para o ser humano, as pessoas se coisificam pois precisam se oferecer como produto no mercado que está em busca por uma melhor oferta. Então o processo de coisificação também pode ser entendido como o esquecimento de alguns valores realmente importantes em troca de coisas fúteis. Na sociedade, como diz a música de Felix Da Housecat, o importante é o dinheiro, a fama, o sucesso e o glamour. Um corpo perfeito e uma aparência perfeita é o que é realmente valorizado hoje em dia, mais do que seu caráter, para citar apenas um exemplo. Vivemos na sociedade do ser é ter, quanto mais melhor, trabalhamos muito para comprar porcarias que não precisamos (como em Clube da Luta). E o  narcisismo toma conta, através de fotolog, myspaces, facebooks, roupas e cabelos e muitas vezes plásticas,  podemos ser quem queremos. Mas respeitamos nossa essência ou somos para o outro? Acredito que o Club Kids e o Cybergoth heradaram um comportamento irônico perante à sociedade do hedonismo e narcisimo, da transformação do ser humano em coisa. Afinal, as pessoas acham que todas subculturas possuem seu estilo apenas para chocar, mas o que é hoje em dia o fenômeno das Panicats, uma mulher inteiramente modificada e dentro dos padrões socialmente aceitos de beleza? Não podemos ir pela contramão e amar outro tipo de beleza?

Lembro de quando foi lançado Party Monster, eu quis vê-lo logo. Não vi no cinema para meu profundo lamento, então aluguei e assisti em casa mesmo. Meu foco principal no filme: a excelente trilha sonora, a história do Club Kids ou início do movimento clubber, a excelente atuação do Macaulay Culkin como Michael Alig  e claro, Marilyn Manson como Christina.  Michael Alig era promoter quando conheceu James St. James (Seth Green), no surgimento do Club Kids que seria o início do movimento clubber. O filme foi baseado no livro Disco Bloodbath de James St. James. Porque estou falando do filme? Porque as loucuras como a festa do hospital, em que se vestiam de doentes e enfermeiras e a festa do caminhão, existiram de verdade, assim como tantas outras. Claro que os Club Kids foram uma baita influência para um monte de gente, desde o próprio Manson, passando por Jefree Star e Countess Grotesque. É bom dizer que a última é aparentemente cybergótica e que os cyber góticos apreciam muito o Club Kid, pois é uma das influências do estilo tanto musicalmente quanto esteticamente. Countess Grotesque é uma modelo e make-up artist, que diz que sua paixão é a criação de conceitos. Ela também nutre interesse pela fotografia, arte tradicional e digital, design de cabelos, roupas e estilo. Aliás se há algo que define os amantes do Club Kids é o fato de procurarem ocupações variadas e multimídia, assim como sua mistura de estilos.

Michael Alig (Macaulay Culking), comandando uma festa e Party Monster

Marilyn Manson no filme Party Monter e Jefree Star, cantor, compositor, maquiador, modelo e estilista

Countess Grostesque

Cena do filme Party Monter, Festa no Caminhão

Pessoalmente eu acho lindo quem sabe segurar um estilo cybergoth tão bem quanto a Countess Grotesque, as maquiagens, as roupas, os cabelos coloridos, as cores.. são para bem poucos. E ainda manter-se linda nesse estilo… é fabuloso! Pois as cores são justamente herança dos club kids, assim como o gosto exagerado para coisas incomuns e a mistura de estilos. Mas o cybergoth também é sombrio. Só que aí não temos mais o óbvio do sombrio, lidamos com a subjetividade do terror.  Eu acho lindo esses estilos que lidam com o não óbvio. É fácil ser sombrio usando preto, mas ser sombrio usando roupas coloridas… Então observando a Countess Gortesque dá para ter uma idéia de maquiagens bem dramáticas e interessantes. E mais ainda, como ela consegue variações de uma mesma pessoa em seus looks, através de cores, formas de maquiagem e acessórios:

A Countess Grotesque é bem influenciada pelo Club Kids, às vezes seu visual parece o mais puro visual clubber, com direito à cores fluorescentes, acessórios e maquiagens dramáticas, muitas cores e mistura de estilos.

Barbie Girl

Variações do cybergoth style: Goggles, cyber falls, unhas coloridas, make-up colorida, vinil rosa e piercings

Aqui em um estilo mais básico, repleta de body modifications (eu adorei o estilo das unhas)

Em um estilo gothic diva, com direito à saia armada, corset, cabelos coloridos e over the knee boots envernizadas, no estilo demônia.

Cybergoth puro, com goggles, cyber falls, acessórios fluorescentes, furry leg warmers e plataformas.

Estilo gothic pin-up, uma graça o vestido em látex

 Mais fotos de Countess Grotesque em:

http://countess-grotesque.deviantart.com/

Posteriormente pretendo publicar mais um post sobre conceitos filosóficos do Club Kids e do Cybergoth.

Anúncios
5 Comentários leave one →
  1. agosto 1, 2011 2:56 pm

    Ótimo post! Estou lembrando da sua monografia de conclusão de curso agora… beijos!

  2. agosto 7, 2011 10:34 pm

    Exelente post!!!
    Vou recomendar!

    O engraçado é que, conheço pessoas que apreciam a Countess Grotesque como mais uma modelo alternativa, mas desconhecem sua importância criativa!
    Eu gosto muito dessa mistura de coisas incomuns e mix de estilos. Da capacidade de ser sombrio usando cores e usar o terror de forma subjetiva. Que você olha e algo te incomoda mas demora pra perceber o que é!
    Uma pena por aqui isso não seja comum: pessoas alternativas que conseguem inovar e criar uma característica própria. Talvez pelo mercado de moda – que é fraco, talvez pela constante cópia do que vem de fora…

    Helena, quero ter seu contato (email, facebook, orkut), me manda? ^^

    • agosto 14, 2011 10:01 pm

      Obrigada Sana. Eu também admiro a Countess Grotesque e sua capacidade de renovar seu estilo em múltiplas facetas. Eu acho que suas duas suposições estão corretas, o mercado de moda é fraco e acaba reforçando estereótipos ao invés de desfazê-los. E as pessoas ainda copiam muito o que vem de fora e não aceitam determinadas coisas que gostam porque acham que não combinam com o “estilo” que elas escolheram. Aí resolvem usar preto porque as outras cores não são “rock” o suficiente…é só um exemplo, gosto muito de preto e quase todas minhas roupas são pretas, cinzas ou beges. Mas gosto de determinadas cores também e as uso. Enfim, acho que as pessoas esquecem que estilo também é sua vivência, sua cultura, seu estilo de vida e vários outros fatores além de assumir alguma subcultura como visual. E aí a gente anda por aí e é raro ver alguém com um estilo bem definido e diferente do usual, como você disse. Sana, vou te mandar meu contato por e-mail, o link do facebook. 🙂

  3. janeiro 19, 2012 1:54 am

    Parabéns!! Ótimo post, amei seu blog!! Bjos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Espaços Narrativos

memórias absorvidas por espaços, propagadas por pessoas

jimgoforthhorrorauthor

Horror author. Extreme metal fanatic. Husband. Father.

Não Sou Exposição

Questionamentos sobre imagem corporal, amor próprio, saúde e comida.

vamosparalondres

um autoguia para a minha viagem à capital britânica

A Virgem Boêmia

Entre palavras e cervejas

Dully Pepper24H

Arte pelo Amor, Arte pelo Mundo, Arte pela Paz!

REQUADRO

Just another WordPress.com site

Supernova de Estilos

Um espaço para arte, moda, música, textos e tudo o que for interessante e novo (ou vintage)!

blog da Revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico, ISSN 1519-6186 – ANO XVII - Mensal. Conselho Editorial: Ana Patrícia Pires Nalesso, Angelo Priori, Antonio Ozaí da Silva, Carlos Serra, Eliel Machado, Elisa Zwick, Eva Paulino Bueno, Henrique Rattner (in memoriam), Josimar Priori, Luiz Alberto Vianna Moniz Bandeira, Marcelo Gruman, Paulo Cunha, Raymundo de Lima, Renato Nunes Bittencourt, Roberto Barbato Jr., Rogério Cunha de Castro, Rosângela Praxedes e Walter Praxedes. Editor: Antonio Ozaí da Silva

palavrasecoisas.wordpress.com/

Comunicação, Subculturas. Redes Sociais. Música Digital. Sci-fi

Felinne Criações

Bastidores dos trabalhos, projetos, e vida Felinne ;)

Drunkwookieblog

Porque esperar pelo G.R.R Martin não dá

Lembrar ou Esquecer?

Depois de um tempo...

A CASA DE VIDRO.COM

Portal Cultural & Livraria Virtual. Plugando consciências no amplificador! Um projeto de Eduardo Carli de Moraes.

%d blogueiros gostam disto: