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Todas as facetas do Punk

janeiro 21, 2012
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Os visuais punks são dos mais ricos, devido à várias subdivisões. Hoje em dia punk pode ser tanto usar roupa básica e ser cheio de tattoos (como o pessoal do hardcore)  quanto ser um streetpunk ou ter um visual skinhead.

Roger Miret do Agnostic Front: “Nunca acredite em uma criança hardcore que não tenha escutado punk rock”, em uma clara influência do punk no hardcore, seja no som ou nas roupas (básicas mas com o corpo tomado por tattoos).

Streetpunk e seu moicano colorido: uma característica do visual punk é a agressividade no visual.

Para os que tem dúvidas, aconselho ver um filme chamado “Suburbia” (1984) de Penelope Spheeris, boa parte dos estilos que falo estão lá, desde o pós-punk até o skinhead, passando pelos batons vermelhos e cabelos curtos desconectados que divas punks como Brody Dalle popularizaram.  Voltando ao filme Suburbia, ele trata os punks como  jovens deslocados na sociedade, com traumas e problemas domésticos.  Esses jovens encaram sua escolha em ser punk como uma saída para seus problemas em casa. É em uma espécie de gangue, TR – The Rejects, Os Rejeitados (obviamente pela sociedade e família), que eles encontram pessoas que realmente os acolham em suas características singulares. Os jovens que inicialmente possuem atitudes agressivas e chocantes revelam-se verdadeiras crianças quando são colocados em situações difíceis. No TR, um serve como apoio ao outro e válvula de escape.

Suburbia: Punks de cabelos descoloridos ou muito pretos, jaqueta de couro, jeans rasgados, bondage trousers e coturno, influência skinhead do chapéu e bengala (ou taco no caso dos hooligans) visto em “Laranja Mecânica” (veja o post  A Real História dos Skinheads”), parkas dos mods, suspensório, careca e coturno típico dos skinheads.  E até o pós-punk que já começava a dar as caras. Todos esses estilos, com a atitude “Do it yourself”, “Faça você mesmo”. Não tinha essa de comprar nada não…

Há também no filme a influência original dos punks de negarem as drogas, um princípio do que o Minor Threat (que é uma banda punk/hardcore) faria como precursores do início do Straight Edge. Entre os motivos de alguns  punks serem contra as drogas é que elas lembravam o mundo lisérgico dos hippies. Por isso também os punks cortam seus cabelos, cabelos compridos lembram hippies, que era tudo que eles negavam, uma geração que não deu certo.

A banda Minor Threat fundiu atitudes e peças do estilo punk, como a cabeça raspada, o coturno e o jeans rasgado à outras esportivas, como o tênis Vans (precursor dos skatistas), meia, munhequeiras e agasalhos esportivos. Embora muitos se esqueçam, o hardcore inicial foi muito influenciado pelos hooligans, que começavam a assistir jogos de futebol com roupas esportivas para não serem identificados como skinheads, que causavam confusão por onde passavam. Aí começa a ascenção da marca Lonsdale (a principal marca de agasalho dos hooligans/skinheads na Inglaterra ainda hoje).

A banda Minor Threat

O personagem skinhead/punk que é contra o ato de um dos integrantes do TR usar drogas e acaba batendo nele por isso. Aliás a agressividade é uma das marcas deste, um dos mais marcantes de Suburbia.

Outra cena marcante do filme é de quando esse mesmo jovem skinhead começa uma confusão em que as roupas de uma moça são arrancadas no meio de um show punk, logo após dele assediá-la. O vocalista da banda punk que está se apresentando (em um ato e revolta contra os jovens agressivos),  fala para eles deixarem a moça em paz e curtirem o show numa boa. O que acaba não acontecendo e o show acaba. É por causa dessas atitudes que infelizmente não acontecem somente na ficção, que a sociedade acaba rotulando o punk de agressivo.  Por causa de alguns indivíduos com uma postura agressiva todo o movimento fica marcado como agressivo.  Eu penso que as pessoas são preconceituosas, não somente com o punk mas com outros gêneros do rock. A sociedade tem medo das pessoas do meio underground porque acabam ligando seu visual agressivo à atitudes agressivas de alguns. Mas esquecem que  como em todos os lugares do mundo, há indivíduos de bom caráter e outros nem tanto.Não poderia ser diferente com o meio underground.

Outro filme em que a estética punk é abordada de maneira agressiva é no filme Taxi Driver (1976) de Martin Scorsese. A época em que o filme foi rodado coaduna com o período em que o mundo conheceu o punk. Foi clara a referência de Scorsese aos punks, como já foi dito em entrevistas do diretor, embora em nenhum momento Travis Bickle (Robert De Niro) declare ser punk. Travis é um motorista de táxi que de tanto ver coisas erradas na rua à noite, como a prostituição de crianças, se acha na obrigação de fazer algo, mesmo que esse algo não seja a coisa certa a fazer.  Há uma mudança de atitudes do personagem e o seu estilo,  corte de cabelo e parka militar é o ápice dessa mudança e revolta.

O punk continua influenciando muitas pessoas, elas estão por aí embora nem todas tenham uma cara estereotipada de punk, preste atenção nos detalhes. E atitudes.

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12 Comentários leave one →
  1. janeiro 22, 2012 9:35 pm

    Apenas parabenizando, seu blog é um dos meus favoritos e espero sinceramente permanecer assim enquanto ele durar. É muito raro encontrar alguém que escreva com tanta imparcialidade e sem nenhum preconceito sobre as “subculturas”, e sinta-se duplamente parabenizada por que sou uma leitora que não pertence a nenhuma vertente de tribos e ainda assim adoro seus textos.

    • janeiro 31, 2012 5:08 pm

      Me sinto muito feliz ao ler seu comentário At, espero sempre poder corresponder às suas expectativas. Talvez eu escreva com imparcialidade porque nunca alimentei nenhum preconceito contra as subculturas, inclusive passei por algumas delas quando mais jovem e continuo amando o tema. É muito legal saber que mesmo não participando de nenhuma subcultura, você goste do que escrevo. Essa é minha intenção, fazer com que as subculturas tenham sentido para todos, não somente para quem faz parte delas. Muito obrigada! 🙂

  2. janeiro 22, 2012 9:51 pm

    Olá, Saudações Arthurianas

    Excelente postagem essa sua. Como vivenciei na carne a época punk (uma parte em Londres, e outra no Brasil-RJ) como movimento social, acho excelente sua iniciativa em esclarecer o que é e o que não é (como no caso da sua postagem sobre os skinheads). É bom saber que tem gente que gosta de explicar o que foi para que não confundam a cabeça da molecada e aconteça o que acontece em São Paulo, com os “pretensos” skinheads (que na realidade, como você disse, não é nada disso o que pregam por aqui no Brasil). Acredito ser muito importante a clarificação dos papéis sociais, para que não haja esteriótipos falsos a respeito dos verdadeiros punks (ou skinheads). Parabens pelo trabalho e continue nos brindando com suas postagens (aliás, estava com saudades deste a ultima postagem sobre os skinheads).

    Saúde, Serenidade, Prosperidade, Sucesso e Vida Longa

    FLuizM
    (Kabalah)

    • janeiro 31, 2012 5:13 pm

      Obrigada! Realmente, hoje em dia os jovens participam de certos movimentos sem ao menos conhecer coisas básicas sobre isso. Informação sempre é bom. Tenho vergonha alheia do que fazem com o punk e o skinhead em São Paulo (e no resto do Brasil), obviamente não conhecem e não entendem a origem. Obrigada, eu realmente estava sumida devido à vários fatores. E seu blog também é muito bom, em breve vou tirar o atraso e passar por lá. Beijos!

  3. janeiro 26, 2012 7:23 am

    Orra, que delícia ler este texto! Algumas coisas não sabia, adoro ter estes aprendizados.
    Concordo ue há muito preconceito com o movimento, segunda reprisou o programa A Liga na Band onde o tema fora sobre tribos, e o punk foi citado, inclusive a sua agressividade. Nem todos são assim, lógico. É uma pena ver que por causa de certas atitudes de algumas pessoas, o movimento fique tachado por agressividades. Isto não só o denigre como acaba desfocando o verdadeiro intuito dos protestos.
    Bjkassssssss

    • janeiro 31, 2012 5:17 pm

      Lauren, com o tanto de coisa que você conhece, é uma maravilha um elogio seu. É bom ver coisas novas, saber mais e eu também estou sempre aprendendo. Não vi esse programa na Band, e nem vejo muito esses programas, porque no geral distorcem tudo e não ouvem quem realmente interessa. Eu concordo com você, isso acaba desviando a atenção dos protestos. É lamentável!

  4. fevereiro 16, 2012 12:51 am

    Gosto muito de estudar/ler sobre subculturas, especialmente a punk, skinhead e gótica. Seu post é muito legal e esclarecedor sobre as origens e de como o movimento se desmembrou na atualidade, das vertentes que ele desencadeou e assim por diante. Eu tenho uma amiga punk que conheci na faculdade e sempre achei o jeitão despojado dela muito legal (ela segue o lado vegan/skatista) e aí acabamos meio que formando a dupla a la 80’s na classe hahaha… tanto que até fizemos um seminário sobre o punk paulistano numa aula lá. 🙂

    • março 9, 2012 10:22 pm

      Nosso gosto é parecido Lidia, também tenho uma enorme atração por essas subculturas, meu primeiro contato foi com o punk e de uma maneira ou outra ainda me sinto punk e os outros me rotulam punk, apesar do gosto pelo gótico e pelo vintage. Já o skinhead apareceu depois, quando descobri sua essência. Eu adoro punks skatistas e veganismo, embora eu não seja vegan, tenho amigos que são e todos eles são pessoas exemplares na sociedade.

  5. cynthia permalink
    junho 21, 2014 12:10 am

    Ola. nao conhecia seu blog.
    Gostei pois aqui voce nao faz como essas imbecis que só falam de visual ! .Ou como se vestir como gotica ou punk.
    Eu sou gotica , sei mto bem do que está falando .
    Nessa merda de sociedade mts metidas a dar de roqueira, ou sei la o que ,querem se vestir diferente pq apenas acha bonito.
    O punk foi um movimento alias infelizmente todos estao vendidos. o pessoal nao entende a diferença musical, filosofica de cada vertente do rock que nao sao poucas!
    mas gostei de entrar aqui. pois vc falou claramente que antes de visual tem que ter atitude, e como mts nao temv param de andar com visual seja por pressao da sociedade ou pq pra ela nao serviu!
    PRA nós mulheres ter visual é exigir respeito nao é um mar de rosas como vejo em revistas ou novelinhas qdo colocam alguem com visual alternativo.

    • junho 29, 2014 3:08 pm

      Cynthia, obrigada por expressar sua opinião. Eu concordo com tudo que você disse, tudo! Meu blog é exatamente para pessoas como você, que não apreciam só estética alternativa. É bem mais que isso.

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