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American Horror Story e o Imaginário do Terror Norte-americano

abril 1, 2012

“A história de Hollywood está na Mulholland Drive, onde há uma pitada de medo suspensa no ar.”

(David Lynch)

Há uma semana não paro de pensar  na série de terror American Horror Story. Adorei perceber como conseguiram colocar tudo que eu gosto em uma mesma série. American Horror Story foi co-criado pelos antigos produtores executivos de Nip/Tuck e atuais co-criadores/produtores executivos de Glee, Ryan Murphy e Brad Falchuck. A ideia da série, ao que parece é abordar todo o histórico da “bizarrice folclórica” do imaginário americano do horror, desde o caso “Dália Negra” até o caso de atiradores adolescentes em escolas dos Estados Unidos, isso sem falar na casa mal – assombrada e família inocente que se muda para lá, doenças mentais, “o médico e o monstro”, a empregada sexy, “o bebê de Rosemary”, várias lendas urbanas, fetichismo, entre outros…. A própria cidade em que a narrativa é contada, Los Angeles, é rica em todo tipo de histórias sinistras. A “Cidade do Anjos” é a terra das oportunidades, das pessoas que sonham fazer sucesso no cinema em Hollywood ou simplesmente encontrar seu lugar. Los Angeles é a terra em que Kat Von D adquiriu notoriedade e ainda fez uma tattoo na barriga em homenagem à Hollywood, pois foi lá que ela fez sucesso. Elizabeth Short, a bela jovem que foi assassinada nos anos 40 no caso “Dália Negra”, também foi para Los Angeles em busca de fama como atriz de cinema, mas seu final foi trágico.

Alguns lugares em Los Angeles guardam a semelhança em abrigar histórias de mortes trágicas. A casa 10050 em “Cielo Drive” que fica em Benedict Canyon foi o lugar preferido de várias celebridades de Hollywood, até que em 1969 a casa foi invadida pelos seguidores do psicopata Charles Manson que assassinou Sharon Tate, esposa de Roman Polanski que estava grávida de oito meses. Outras pessoas que estavam na casa também não escaparam da fúria dos seguidores de Manson (Veja o filme Helter Skelter, a narrativa conta exatamente o que ocorreu).  Trent Reznor do Nine Inch Nails adotou a residência pouco depois, jurando que não sabia dos fatos ocorridos na casa. Apelidou seu estúdio de Pig em referência  às palavras escritas na porta da casa com o sangue de Tate na ocasião do assassinato. Los Angeles também é lugar onde O. J. Simpson foi inocentado do suposto assassinato da mulher, que ocorreu na South Bundy 875, hoje 879 após a reforma do atual proprietário. Na  Fifth Helena Drive, 12305, Marilyn Monroe morreu de overdose em 1962, enquanto o quarto 105 do Landmark Hotel em 1970, foi o lugar que Janis Joplin foi encontrada morta após uma overdose de heroína. Na frente do Clube The Viper Room, o ator River Phoenix morreu também de overdose (cocaína, valium, maconha e cristal meth). Elizabeth Short que sonhava em ser atriz também foi encontrada assassinada e partida ao meio com metade de uma Dália Negra em seus cabelos, o famoso caso Dália Negra que também ocorreu em Los Angeles.

Sharon Tate, River Phoenix, Elizabeth Short e Marilyn Monroe: Viver e morrer em Los Angeles.

Como podemos avaliar, Los Angeles é um lugar rico em endereços de pessoas famosas que tiveram o fim trágico. E é claro que no imaginário do americano, esses lugares possuem uma aura de mistério que atiça a curiosidade de pessoas normais e também de psicopatas ou “loucos” menos perigosos que às vezes insistem em recriar a atmosfera dos crimes.

A família Harmon (Vivien, Ben e sua filha Violet) se mudam para a casa mal – assombrada querendo superar um trauma: mas nada é o que parece! Fique de olho na Taissa Farmiga que interpreta a Violet, incrível como nessa série os jovens atores são bons.

Voltando para American Horror Story, o endereço da casa que a família Harmon se muda também é famoso por seus inúmeros casos trágicos (quando compram a casa eles só tomam o conhecimento das últimas mortes que lá ocorreram). O início da série já mostra algumas referências bem legais (para quem é fanático em referências como eu). A primeira que encontrei foi a semelhança entre os gêmeos baderneiros que invadem a casa abandonada na ânsia de quebrar tudo e um dos personagens principais de um filme que adoro e via ainda criança “Colheita Maldita”: Malachi que é quem começa com os comportamentos estranhos das crianças na cidade, no filme baseado na obra de Stephen King (eu adoro filmes antigos da obra dele). Além disso, acho que a história lembra muito o Stephen King do passado, quando fazia histórias interessantes e focadas, eu acho isso ótimo. Não que eu considere seu trabalho ruim hoje, considero Stephen King um escritor muito bom, mas parece que antigamente o que fazia era ainda melhor. Na série American Horror Story o papel dos adolescentes e crianças também é importante, logo percebemos porquê.

Malachi ( Colheita Maldita) e “os gêmeos” de American Horror Story: coincidência? Simbolicamente, ruivos traziam má sorte em  tempos antigos (claro que eu não acredito nisso, adoro cabelos ruivos! Mas que é interessante essa aura, isso é). Além disso a história de Colheita Maldita foi publicada no final dos anos 70, mesma época que os gêmeos invadem a casa.

A casa mal – assombrada abandonada nos anos 70 e atualmente na série

Addy, ainda criança, fala aos gêmeos: – Youre gonna die in here. Vale lembrar que na história Kingdom Hospital de Stephen King, os portadores de síndrome de down possuem facilidade de compreender o mundo dos mortos.

Beauregard faz parte do imaginário de doenças mentais que as “familias normais” escondem e acorrentam no sótão da casa.

Larry é outro dos “pesadelos” norte-americanos por ter metade do rosto queimado, a dúvida é como isso aconteceu.

O fetichismo também é um ponto alto da série

Outro fato que chamou atenção na série é uso de figurinos vintage, relativo aos anos 40, como na produção da empregada Moira O’Hara, um estilo bem pin-up. No caso “Dália Negra”, Elizabeth Short também possui um figurino anos 40 (veja a semelhança da atriz Mena Suvari e a verdadeira Elizabeth Short), enquanto Nora Montgomery, esposa do dono original da casa (Charles Montgomery)  é anos 20. Foi Nora Montgomery que escolheu os vitrais art noveau da casa.

Moira O’Hara, Elizabeth Short e Nora Montgomery (respectivamente): referências vintage na série.

Jessica Lange, (dignamente original)  é Constance: uma das melhores atuações da série é a vizinha com passado obscuro.

Dr. Charles Montgomery, o marido da Norma Montgomery,  é um cirurgião das estrelas de cinema, mas também tem o seu lado “O Médico e o Monstro” e vai pagar um preço alto por isso.

Tate Langdon é um adolescente diferente da maioria, sua história acontece em 1994 (ano em que o Kurt Cobain morreu). Quando você se dá conta do que ele fez é tarde demais para não gostar dele. Seu estilo grunge (que lembra Kurt Cobain)  e sua personalidade são as melhores coisas da série, virou meu personagem preferido. Logo no início vemos uma referência do Zombie Boy em seu rosto pintado, em uma de suas primeiras consultas com Ben Harmon que é psiquiatra. Evan Peters (Tate Langdon) é um excelente ator!!!

Tate em American Horror Story: – I prepare for the noble war.

E há uma infinidade de outras coisas legais na série, eu tenho vontade de rever os episódios várias vezes e não canso de assistir. Acho que virei fã! Não quero estragar as surpresas, então veja logo e diga o que achou! Quero saber as opiniões.

Referência de citação e história das mortes em Los Angeles: Ana Maria Bahiana moradora da cidade há mais de 20 anos fez seu relato sobre Los Angeles na Mag nº 11 do ano de 2008.

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3 Comentários leave one →
  1. abril 1, 2012 6:32 pm

    Eu simplesmente amei essa série!!!
    Ela tem tudo que eu gosto em filmes de terror e uma história muito bem feita que como vc disse, mistura temas clássicos como casa assombrada, assassinatos, temas bizarros como o do caso do médico dos anos 20 que rescussitou o filho e o figurino vintage + fetichismo. A Norma, moradora da casa nos anos 20, putz! Muito perfeito o figurino dela!! O Tate, maravilhosa interpretação, uma graça o rapaz, e eles usaram de verdade o rosto do Zombie Boy morfado com o do ator nas cenas. Eu adoro filmes de terror com foco em crianças e especialmente os que tratam de deformações (tipo o filme espanhol O Orfanato) e corpos em formol.
    Tremi na base quando fiquei sabendo que a série estava fazendo tanto sucesso que haveria uma segunda temporada. Sim, porque pra ter uma segunda temporada algumas coisas no final da série necessitam de serem mudadas e meu medo é que a série se enfraqueça daqui pra frente (tomara que eu esteja errada!!).
    Eu vi uma notícia recente de que a casa usada nas filmagens está à venda. Aaaah, se eu fosse milionária! rsrsrsr!! =D
    É por isso que adoro seus posts, que ligação interessante essa que vc fez com crimes e mortes de LA e com o colheita maldita, puxa, eu não tinha pensado nisso.

    Helena, ainda sobre série de terror, eu sei que há uma febre com a série Zombie Walk, eu assisti os primeiros episódios da primeira temporada e achei ótimo, mas no meio virou aquele dramalhão bobo, histeria e um homem que é eleito o “herói” e que vira lider (odeio isso), mulheres histéricas… Resultado: abandonei a série. Também não gosto do fato de terem deturpado completamente a idéia de zumbis de George Romero e o próprio disse que está decepcionado em como o seu molde de zumbi foi massificado. Bom, eu vejo muito fanatismo em relação à essa história meio óbvia do Zombie Walk e não vejo o American Horror Story tendo seu devido reconhecimento por aqui. Uma histórica rica em criatividade, detalhes e uma história forte. Enfim, estou com vc nessa! Amei AHS e estou esperando o que vem por aí! 😉
    Bjs

  2. novembro 19, 2012 12:31 am

    Eu estou amando essa série. Destaque para o casal Travis e Violat.

    • novembro 24, 2012 2:02 pm

      A primeira temporada foi ótima mesmo, adorava a Violet e o Tate. A segunda temporada, estou achando legal, mas não tanto quanto a primeira. vamos ver se engrena.

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