Skip to content

Filmes com Personagens Alternativos Marcantes

setembro 22, 2012

Tem sempre algo que me chama atenção além do filme como um todo e a maneira de interpretá-lo. Esse algo é o figurino dos personagens. No meu caso, os alternativos.  Então, selecionei alguns dos personagens alternativos que mais aprecio em filmes:

Eu amo o filme 8mm, porque tem o ator Nicolas Cage que eu adoro e aborda o tema fetichismo, que é uma das coisas que curto (a estética). Outra coisa que me chama atenção é o tema assassinato, gosto desse tipo de filme investigativo. Mas não tem como esquecer mesmo, é de outro ator que amo, Joaquin Phoenix interpretando o Max California, um vendedor de sex shop que ajuda o Tom Welles (Nicolas Cage) a investigar o assassinato de uma garota. Max California é inteligente (ele lê “In Cold Blood” de Truman Capote ao invés do esperado conto erótico), e nos conquista com seu visual andrógino que mistura clubber com gótico fetichista. O visual dele lembra o Keith Flint do Prodigy, que provavelmente foi uma inspiração para sua composição visual.

Max Califórnia

É impossível esquecer o Renton (Ewan McGregor) do filme Trainspotting. Seu visual marcante ficou inserido na minha cabeça e na de um monte de gente que gosta de jeans claro com all star branco. Além do jeito rock alternativo misturado com eletrônica do Renton, algo entre o clubber e o indie, sua cabeça raspada também é marcante. É legal observar a influência escocesa no estilo alternativo dos personagens. A história do filme é contada sob o ponto de vista de Renton, viciado que resolve largar as drogas, mas vê que também tem que acabar abrindo mão de seus amigos. O filme também traça um rico paralelo de jovens que não possuem nada para fazer (Trainspotting refere-se a observar trens em alguns momentos do dia). O livro é ainda mais realista ao colocar as drogas como uma fuga do tédio e da brutalidade de suas vidas na periferia. Irvine Welsh baseou muita coisa da sua narrativa em sua própria vida, quando resolveu largar o vício e também na experiência de perder vários amigos para as drogas.

Renton

Renton (Ewan McGregor) em cena com Irvine Welsh, que escreveu o livro Trainspotting com base em suas próprias anotações e seu diário dando  origem ao filme de Danny Boyle

É muito interessante ver o jovem e promissor Jeremy Sumpter encarnado um papel bem diferente daquele que o ascendeu ao estrelato, Peter Pan, filme do ano de 2003.  Em Death and Cremation, Sumpter interpreta Jarod Leary,  troca seu cabelo loiro por um preto, cor que também é incorporada em seu visual que lembra às vezes um gótico ou punk, mas com um comportamento um tanto emo. Ele também usa lápis nos olhos e unhas pretas. Só que ele muda seu comportamento no decorrer do filme tornando-se bem sinistro. Com esse visual e o cabelo pintado de preto, Jeremy lembra o rapaz do vídeoclipe “Jesus of Suburbia do Green Day”. Eu adoro gênero terror e esse filme é imperdível! Outra atuação que chama a atenção é a do esquisitão Brad Dourif, que faz o chefe (Stan) do garoto.

Jarod Leary: Adorei a camiseta da banda Disturbed

Em “People x Larry Flint”, filme que adoro, é contada a história da ascensão do escandaloso dono de uma das revistas eróticas mais polêmicas dos E.U.A. Não bastando, Larry Flint também era muito polêmico e quebrou vários tabus da sociedade puritana americana. Além disso, três grandes que admiro: Woody Harrelson (Larry Flint), Courtney Love (Althea Flint, sua esposa) e Edward Norton (o advogado Alan Isaacman). O visual da Courtney é o que mais chama atenção, na primeira parte do filme com um jeito mais anos 70 e depois uma mistura punk com new wave. Além disso, Courtney aparece com cabelos escuros, mostrado que fica linda também na versão morena.

Althea Flynt, courtney mais anos 70

A mudança da personagem, entre punk e o new wave

Não é filme, nunca assisti a série por completo, mas adoro o estilo da Pauley Perrette em NCIS. Ela interpreta a perita Abby Sciuto. Com um estilo gótico com toque gothabilly (que é bem mais evidenciado nela na vida real, já que também se veste assim no dia-a-dia) ela mostra que não é preciso ser mau humorada ou abrir mão da delicadeza para ser gótica. Por conta do seu bom humor, também a vejo  como uma perky goth.

Abby Sciuto

O “Exterminador do Futuro II” para mim é o melhor da série de filmes. Gosto de cyberpunk, da maneira como o filme incorpora o hard rock do Gun’s N’Roses e da atuação dos atores que também adoro, Linda Hamilton, Edward furlong e o Arnold Schwarzenegger. No início do filme vemos o exterminador interpretado pelo Arnold, que rouba roupas de um motociclista em um bar em que o estilo “motoclube” predomina. Edward Furlong (John Connor) interpreta o filho de Linda Hamilton (Sarah Connor). Que o Furlong tenha um estilo bem rock’n’roll, disso ninguém duvida, ele adota as mesmas roupas na vida real. No filme predomina o jeans, camuflados e camisetas pretas, além do all star. Linda Hamilton, a Sarah Connor, parece muito heavy metal, mais pelo comportamento que pelas roupas. O que dizer dos seus braços fortes, roupas pretas e atitude empunhando armas sem dever nada aos homens? Ela sabe se virar.  Parece a Angela Gossow, não? Uma grande evolução para a garota ingênua do primeiro filme, que usava rosa e era bem mais delicada.

John Connor e seu estilo rock e Satah Connor

Em “Clube da Luta”, é Tyler Durden (Brad Pitt) usa jaqueta vermelha de couro, camisas e camisetas estampadas, tudo descombinado.  Seu visual reflete o caos da sua própria personalidade e uma negação do sistema capitalista. Quem lembra da cena dele e do Edward Norton em que vê uma propaganda da cueca Calvin Klein, com um homem com tórax definido e pergunta para Norton: ” – Um homem precisa ser assim?”. Não, porque o que importa é que eles não são musculosos por um status na sociedade, mas são dessa forma porque abriram mão da sociedade de consumo e resolveram lutar no “Clube da Luta”, por uma escolha e não por uma obrigação. São machos em crise em uma sociedade que aponta que todos devem ser bem sucedidos.  Já Marla Singer (Helena Bonham Carter) é a típica gótica depressiva com seu humor negro (não que todo gótico deva ser assim, a maioria não é).

Tyler Durden com cabeça raspada: “Como um macaco espacial pronto para se sacrificar por uma boa causa”.

Marla Singer

Em “A Outra História Americana”, o visual dos excelentes Edward Norton (Derek Vinyard)  e Edward Furlong (Danny Vinyard)  é tipicamente skinhead, mas o que me chamou atenção foi o visual da namorada de Derek, Stacey (Fairuza Balk). Seu corte de cabelo “chelsea haircut” é adorado pelas garotas skinheads. Uma de suas variações é o corte máquina um ou dois na parte da nuca e uma franja partida de lado. Além do seu visual ser bastante próximo à realidade das garotas skinheads, é uma referência skin rara em filmes. Lembrando que o trio no filme é nazista, mas o visual é adotado por diferentes tipos de skinheads, só variando a cor do cadarço do coturno e símbolos usados, inclusive nas tattoos. Leia mais sobre a história dos skinheads (A Real História dos Skinheads) e a influência skinhead no punk (Todas as Facetas do Punk).

O irmão de Derek Vinyard (Edward Norton), o talentoso Edward Furlong (Danny Vinyard). A maioria dos coturnos skins com cadarço vermelho significa que possuem uma tendência comunista, às vezes antifacista que está aberta para a briga (Cadarços e suas Representações). Esse não é o caso do Danny no filme, acho que o cadarço foi colocado mais pela estética que pelo real significado.

Derek Vinyard (Edward Norton), liderança skinhead fazendo cabeças

Derek Vinyard (Edward Norton)

Stacey (Fairuza Balk), a namorada de Derek possui um corte chamado “chelsea haircut” e também um visual muito próximo das reais garotas skinheads.

Raspando a cabeça de Danny

8 Comentários leave one →
  1. março 3, 2013 12:51 am

    Helena, que post ótimo!
    Deu vontade de rever vários filmes! Eu nunca tinha ouvido falar de Death and Cremation, vou encarar como uma dica!
    Lindão o cabelo preto e branco da Courtney no Larry Flint!
    O NCIS eu não assisto com tanta frequencia atualmente embora eu tenha assistido as primeiras temporadas completamente, acho a Pauley Perrette super gracinha na personagem e gosto que ela não é aquela gótica estereotipada, talvez por isso, a personagem tenha sido tão bem aceita.😉
    Eu sempre procuro ver filmes que tenha algum personagem alternativo, às vezes me desaponto. Um filme que eu queria rever é Suburbia.

    • abril 26, 2013 9:57 pm

      Obrigada! Death and Cremation é imperdível. Veja, é muito bom! E Suburbia, é um dos meus preferidos sobre punk.

      • janeiro 15, 2014 9:22 pm

        Suburbia, eu gostei muito muito tambem pena que nao superou todas minhas expectativas ç.ç

  2. janeiro 15, 2014 9:21 pm

    Meu Deus mas que blog incrivel, alem de ter abordado bem o estilo e perssonagens ainda me deu dicas de filmes ótimos para assistir que elias eu ja tinha ouvido falar mas que nunca corri atras de saber.. parabens pelo blog ja favoritei vou desfutalo ao maximo agora :*

    • janeiro 26, 2014 11:27 pm

      Hah,hah…Obrigada Ana Julia!🙂 Que bom que você gostou, realmente tem uns filmes que sempre ouvimos falar mas não sei porque não vemos. Que bom que encorajei! Novamente obrigada! Feliz em ter você como leitora.😀

  3. fevereiro 13, 2014 12:04 am

    Não sou versado em “moda”, tenho um interesse no vestuário mais pelo lado histórico, mais como indício de mutações. Acho que o primeiro figurino que me chamou a atenção, no cinema, foi o do pequeno Alex de Laranja Mecânica.

    Mas na música foi Rick Wakeman e sua capa, em 1975, eu tive um click e cantei na chuva.

    Sobre Trainspotting: quando estudei em Niterói eu ficava pensando: ‘tadinhos dos cariocas, continuam com esta visão de que o Rio é a capital cultural do Brasil, Sampa está anos-luz de vocês. Na estreia de Trainspotting em festival de cinema aqui em Pindorama Ewen Bremmer (“Spud”) declarou algo assim: As plateias do Rio não entenderam o filme, era um pessoal de tv que foi porque está na moda. Era uma plateia burguesa. Em São Paulo as pessoas entenderam e curtiram o filme, compreenderam as piadas.

    • março 5, 2014 9:11 pm

      Tuas referências são cultas Enaldo, deve ser assim que se compreende moda. Para entender Moda tem que ser como o que você falou sobre entender Trainspotting, é o repertório.

  4. Juliana permalink
    fevereiro 26, 2014 2:01 am

    Oi helena tudo bem? meu nome é Juliana sou , e também fascinada por essas tribos.. então achei teu blog por a caso rs girando em torno desse assunto bacana. Em fim adorei sua matéria muito PHODAA!! HAHA. ..
    Realmente esse pessoal marcou a geração de muita gente como (nós) adoradores desses subgêneros..
    Uma observação: Faltou a personagem da Jennifer- Leelee Sobieski ( meu primeiro homem) muito bom esse filme o visual dela se encaixa em um desses padrões goticos e meio new wave rsrs..bem legal… e tem muitos outros que agente com o tempo acaba esquecendo mesmo…Mais vlw Hela gostei muito continue assim com seu blog! Abraços=]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Espaços Narrativos

memórias absorvidas por espaços, propagadas por pessoas

jimgoforthhorrorauthor

Horror author. Extreme metal fanatic. Husband. Father.

Não Sou Exposição

Questionamentos sobre imagem corporal, amor próprio, saúde e comida.

vamosparalondres

um autoguia para a minha viagem à capital britânica

A Virgem Boêmia

Entre palavras e cervejas

Dully Pepper24H

Arte pelo Amor, Arte pelo Mundo, Arte pela Paz!

REQUADRO

Just another WordPress.com site

Supernova de Estilos

Um espaço para arte, moda, música, textos e tudo o que for interessante e novo (ou vintage)!

blog da Revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico, ISSN 1519-6186 – ANO XVI - Mensal. Conselho Editorial: Ana Patrícia Pires Nalesso, Angelo Priori, Antonio Mendes da Silva Filho, Antonio Ozaí da Silva, Eva Paulino Bueno, Henrique Rattner (in memoriam), João dos Santos Filho, Luiz Alberto Vianna Moniz Bandeira, Raymundo de Lima, Renato Nunes Bittencourt, Ricardo Albuquerque, Rosângela Rosa Praxedes e Walter Praxedes. Editor: Antonio Ozaí da Silva

palavrasecoisas.wordpress.com/

Comunicação, Subculturas. Redes Sociais. Música Digital. Sci-fi

Felinne Criações

Bastidores dos trabalhos, projetos, e vida Felinne ;)

Drunkwookieblog

Porque esperar pelo G.R.R Martin não dá

Lembrar ou Esquecer?

Depois de um tempo...

A CASA DE VIDRO.COM

Portal Cultural & Livraria Virtual. Plugando consciências no amplificador! Um projeto de Eduardo Carli de Moraes.

%d blogueiros gostam disto: