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Sobre a insatisfação na escola e o ter que estar lá

outubro 19, 2012

Sobre a vida na escola, claro que tenho bons momentos com amigos especiais e professores muito legais. Porém, a maioria da minha vida escolar foi um saco e desde que eu estava no pré-escolar e minha irmã mais velha me levava para a escola pela mão, eu contava nos meus dedinhos quanto faltava para o final de semana. Primeiro eu aprendia rápido, acabava de contornar os tracejados e escrever as letras e depois apagava por que queria ser como meus coleguinhas que demoravam um tempão para fazer o que acabava de ser ensinado (e ter atenção da professora, claro). Queriam me fazer pular um ano, porque eu já sabia a maioria das coisas da alfabetização. Uma pena, teria entrado na faculdade aos 16 anos se isso acontecesse.

Quando adolescente, o problema começou a ser bem outro: matemática não entrava no meu cérebro e eu criei uma barreira para que ela não entrasse, assim como criei uma barreira que justificava minha falta de aptidão com esportes (que hoje eu superei na medida do possível). Vou confessar que eu era exibida, às vezes quando estava entediada, era recreio ou educação física, eu lá de papo para o ar … pegava meu lápis e um papel e começava a fazer o melhor desenho que podia. Aí todos me cercavam para ver meu desenho. Eu adorava esse momento de atenção… Hoje acho que jamais faria isso. Mas falando bem a verdade, a arte me salvou na escola. Em todos os sentidos, emocional e profissionalmente. Se não fosse a arte eu teria acreditado que eu era a pessoa mais incapaz do mundo, mas de alguma maneira a arte me diferenciava e era meu mundo. Participava de tudo que envolvesse artes na escola. E lia muito e escutava muita música.

Também sempre existia aquelas pessoas chatas, quase ácefalas que sempre eram as mais admiradas, por mais que suas atitudes fossem também as mais idiotas. Ignorância é algo que existe em todos os lugares, inclusive na faculdade que era minha chance de encontrar mentes pensantes com as quais eu pudesse “crescer” junto. Até encontrei, mas foram poucas e devo confessar que eu também era uma pessoa difícil, muito mais que hoje.

Mas qual foi o legado da escola para mim? Tive uns poucos professores que me incitaram a ler e ver coisas verdadeiramente interessantes que me fariam tornar uma pessoa grande. Porque a verdade é que os professores, a grande maioria dos professores ignora o que os alunos podem aprender, acham que eles não são capazes de entender isso ou aquilo. E isso é um erro que espero nunca cometer com meus alunos. Claro que às vezes não temos maturidade para entender algo no momento, mas no futuro pode haver uma epifania.  Só mesmo na faculdade conheci professores que me ensinaram a ter uma visão mais ampla sobre tudo. Vi na série “American Horror Story” o seguinte comentário de Tate:

Kurt Cobain, Quentin Tarantino, Brando, De Niro, Pacino. todos abandonaram o ensino médio.

Diante de toda essa gente boa que Tate citou, é até covardia pedir para algum aluno frequentar e se esforçar na escola. Minha inteligência se desenvolveu muito por conta própria, claro que a escola ajuda, bons professores ajudam e colegas inteligentes também ajudam. No meu caso minha irmã que é uma das pessoas mais inteligentes que conheço ( e ela também é professora)  também me ajudou muito. Mas temos que correr atrás do que queremos aprender e não ficar esperando que as coisas entrem na nossa cabeça deliberadamente.

Quem se lembra dessa cena do Glee em que Puck (adoro o Puck), ressuscita “School’s Out” de Alice Cooper quando acaba de tomar pau depois de ter estudado tanto:

Corpse Paints do Alice Cooper nas garotas da torcida (chega de escola no verão, chega de escola para sempre…sem mais lápis, sem mais livros, sem professores com olhares agressivos.)

Pode parecer uma traição uma professora falando assim, mas nós seres humanos temos que aprender muito mais na escola do que apenas o conteúdo ou a castração do pensamento individual. Afinal, de que serviu toda teoria revolucionária de Paulo Freire, Bakhtin, Lacan (só para ficar em alguns)…se não podemos adaptá-las ao ambiente que estamos? Um pouco de realismo na escola seria legal. Formamos pessoas reais e não alunos perfeitos.

Quanto aos alunos, há uma maneira melhor de se estar na escola, fazendo sua história de vida e vencendo as barreiras que impomos a nós mesmos. Mas para isso não podemos culpar a escola e todo sistema escolar à nossa volta, devemos assumir o que podemos fazer e fazer bem feito. Sua vida depende de suas escolhas.

O que você aprende não é só para você. Também é para a sociedade. Como cobrar comportamentos adequados se nós mesmos não somos capazes de dar o exemplo?

4 Comentários leave one →
  1. março 3, 2013 1:17 am

    Nossa, quantas memórias escolares este post trouxe à tona!
    Eu sempre tive uma relação dúbia com a escola e as matérias tradicionais, tinha fases que eu odiava estar lá e fases que eu amava. Infelizmente nunca fui boa desenhista mas as aulas de arte também me salvaram.
    Meus professores ensinavam música, artes plásticas e o colegial foram três anos regados à história da arte. Me lembro de adorar as aulas e não entender porque meus colegas a encaravam como diversão, aquilo pra mim era sério!! A professora elogiava minha dedicação e me chamava de “minha artista”, pra uma adolescente com problemas comportamentais como eu era, ouvir aquilo era uma benção, me fazia sorrir e acreditar em mim mesma! Minha inteligência também se desenvolveu muito por conta própria, foram poucos os professores que me incentivaram a pensar por mim mesma. Infelizmente eu não tinha o talento de um Kurt Cobain pra deixar a escola e criar uma arte revolucionária, mas aprendi a revolucionar meu modo de pensar através da arte😉
    bjs!

    • abril 26, 2013 9:55 pm

      Sua professora foi muito importante para sua estima, vejo que as aulas te afetaram positivamente e ainda hoje você colhe os frutos dessa época. Acho legal quando o professor apoia a gente assim, geralmente a maioria está lá para fazer seu serviço e só. Com certeza você revolucionou e revoluciona o mundo com seu jeito de pensar, arte é mais que criação, é filosofia. Beijos!

  2. fevereiro 12, 2014 11:50 pm

    Eu sempre adorei estudar. Mas tive muitos traumas por causa de colegas: o CTU era cheio de ogros, a História, cheia de Guevarinhas, o Direito cheio de sádicos e egocêntricos, e o mestrado em Letras cheio de bizonhos. As minhas melhores turmas foram o mestrado da UFF e os cursos de idiomas.

    • março 5, 2014 9:16 pm

      Hah,hah,hah…verdade! Eu tinha a ilusão de chegar à faculdade e realmente ser compreendida. Ilusão…mas arranjei “loucos” como eu…professores como Afonso, Edna Rezende, Neide Marinho, Paulo Motta, André Pires e mais alguns amigos que não entrosavam com ninguém (mas que eram geniais à sua maneira).

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