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O Underground na era de sua reprodutibilidade técnica

maio 4, 2013

“A Obra de Arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin. Nunca uma obra foi tão importante para entender o fenômeno da explosão da imagem sobre o conteúdo em blogs alternativos.  Em períodos anteriores a obra de arte possuía uma aura concedida pelo fato de ela ser única, o que tornava também única a experiência do observador pela distância e reverência da obra de arte (que era única). A arte era ligada à uma experiência religiosa ou ritualística na sociedade pré-moderna. Posteriormente com o advento da sociedade moderna (burguesa), a arte ganha valor de distinção social visto que aqueles que podem ter acesso à obra autêntica são colocados em um grupo beneficiado. O aparecimento da fotografia possibilitou o desenvolvimento de outras formas de arte, em que deixa de fazer sentido distinguir a arte original e a cópia. Assim termina a “aura concedida” pela obra de arte, o que acaba contribuindo também para a democratização da arte. O outro lado disso, como teorizaram Adorno e Horkheimer é que a reprodução  leva à perda de originalidade e identidade. A obra de arte original está na mão de uma elite que manipula os que não possuem acesso aos originais, produzindo cópias com valor mercadológico. A parte boa disso, é que se o sujeito for crítico o bastante, ele poderá fazer suas escolhas! As melhores escolhas.

A Pris interpretada pela Daryl Hannah no filme Blade Runner de Ridley Scott é tão interessante quanto sua releitura, na fotografia de Darkman com a modelo Ophelia Handful.  Mas será que a releitura descarta o conhecimento sobre o original?

pris_hiding

k-8544

Darkman

Hoje em dia vivemos um esvaziamento da cena alternativa em que faltam blogs de verdadeira informação e apoio à cena underground. O que eu vejo na maioria dos blogs é um apelo à aparência em que muitas vezes os assuntos não são aprofundados. O blog como uma ferramenta de escrita não pode simplesmente funcionar como outras ferramentas de imagem como o Pinterest, We Heart It ou Instagram.  O aprofundamento das teorias é trocado pela propaganda mercadológica, sorteios em troca de seguidores ou compartilhamentos no facebook. Os blogs alternativos de hoje são blogs de como fazer maquiagens, como se vestir de modo alternativo, o que ouvir e o que ler. Mas ao mesmo tempo tornam nossa visão “viciada”, porque vemos sempre as mesmas coisas. Não estou criticando quem posta seus looks na internet, eu penso em fazer isso aqui no blog. Também não estou criticando as parcerias com marcas de maquiagem ou a criação de marcas próprias,  porém o caminho preocupante que os blogs acabam seguindo é o das “variedades”. Informações que em nada acrescentam aos amantes do mundo underground e que muito distorcem as origens das informações para quem não conhece o tema. Por isso o primeiro parágrafo da minha postagem faz alusão à “Obra de Arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin e as teorias de Adorno e Horkheimer . Nós, blogueiro(a)s não podemos simplesmente aceitar o mundo das reproduções alternativas esvaziadas pelo mercado, mas divulgar o original, a essência dos movimentos alternativos. Só assim o underground e as pessoas interessadas poderão nos entender, sem apenas praticar a cópia em nome da beleza.

Para o artista Andy  Warhol, a beleza de Marilyn Monroe  e a sopa Campbell’s servem para o mesmo propósito: o consumo, até seu esvaziamento completo

20 Marilyns

Wahol_large-10-cans

“Lunar” do diretor Duncan Jones, é um filme que recomendo para entender o que estou falando (como metáfora).  No filme Sam Rockwell é Sam Bell, um astronauta que está sozinho no espaço há mais de três anos, sente saudade de sua vida na Terra e segue fazendo experiências em solo lunar. A única interação  que chega perto do contato humano é um robô, uma espécie de computador da nave com o qual ele desabafa. Sam vai ficando cada vez mais estranho, não discernindo realidade de fantasia. Como se não bastasse todos esses desafios, Sam descobre algo aterrorizante, um clone seu que também foi mandado na mesma nave para o espaço. O desfecho da estória é bem diferente do que imaginamos e ele descobre algo bem revelador sobre ele mesmo.

Lunar, filme de Duncan Jones:  O que posso fazer se você é igual a mim?

lunar

2 Comentários leave one →
  1. maio 10, 2013 4:23 pm

    Oi! ^^
    Te marquei em uma tag, se quiser fazê-la também fique à vontade!
    http://valentinevoodoo.wordpress.com/2013/05/10/tag-conhecendo-o-blog/
    Beijos

  2. fevereiro 12, 2014 11:41 pm

    Helena, assim eu só ficar lendo o seu blog, rs… Espero que você não fique irritada comigo com tantos comentários (o Afonso ficou puto, rs…) pode discordar à vontade e não se preocupe em responder todos.

    Em 1982 eu vi três vezes seguidas o Blade Runner no cine Excelsior (uma delas com o Afonso e seu sobrinho e ex-amigo meu, Daniel) e no dia seguinte matei aula e vi mais duas. Ai, ai, e no sábado vi mais duas vezes. É o meu preferido de todos os tempos e já vi 27 vezes. É difícil expressar como este filme sintetizou o maravilhoso e irrepetível ano de 1982.

    Li o texto de Benjamin quando fui monitor de Botti e Vanda (História da Arte, em 1984). O texto tinha acabado de ser traduzido. É um clássico, I know. Benjamin é canônico em Letras (o professor – e poeta – a que me referi é fã dele). Mas…, francamente, a Escola de Frankfurt e agregados tem uma análise chorona do capitalismo, algo do tipo: ah, íamos fazer uma revolução por causa da mais-valia, mas agora o sistema ganhou folego e o operariado está integrado, vamos então, para manter nosso poder de intelectuais, incompatibilizar o sistema com a humanidade: o cinema não tem aura, as cédulas de dinheiro são fezes, é impossível ter amigos sinceros, e por aí vai…

    A cultura de massa tem o seu valor. Outro dia na insuportável novela das oito (todas são) tivemos Morte em Veneza com direito a Mahler for the masses. Alguém se toca nela, e pula de Giorgio Moroder para Kraftwerk, de Marilyn Manson para Bauhaus, de Rammerstein para Laibach,..

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