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Versões subversivas de Alice no País das Maravilhas

novembro 6, 2013

Ano passado eu não tive tempo de montar um zumbi convincente para o zombie walk, acabei me inspirando na Baby Firefly de House of 1000 Corpses do Rob Zombie. Esse ano novamente entre tropeços, pois a data do zombie walk coincide com várias outras datas importantes na escola, como a Mostra Estudantil de Arte… Então acabo sempre trabalhando mais essa época e dando uma sumida. Enfim, eu gosto muito de contos de fadas e suas releituras, geralmente sombrias. Gosto também de como o imaginário popular é afetado pelos contos de fadas, suas leituras psicanalíticas. É muito conhecido o livro de Bruno Bettelheim, mas gosto muito do casal Diana e Mário Corso que inclusive fazem análises bem bacanas sobre o “Hobbit” e “Senhor dos Anéis”. Mas o mais legal é termos um referencial teórico próprio para interpretarmos os autores e também fazer leituras próprias.  Essa é uma característica que carrego comigo, gosto de coisas sombrias com um lado alegre, até infantil.  Ultimamente os contos de fadas tem tomado um rumo massificado, devido às releituras dark das princesas da Disney (que por sinal são bem legais), séries com releituras sobre o tema, filmes e livros. Mas essa massificação já não é novidade, só lembrar da apropriação de “Alice no País das Maravilhas” feita por Gwen Stefani e também a releitura dark de Alice feita por American McGee.  Além disso a cantora Maria Brink também já fez alusões diversas à “Alice no País das Maravilhas”. Antes deles a banda Jefferson Airplane em sua mais famosa música, “White Rabbit” também fez sua releitura de Alice.  Além disso “Matrix” também faz alusão ao País das Maravilhas, quando Neo tem o poder de escolha da pílula azul ou vermelha, além de seguir o coelho branco. O legal é que as releituras de Jefferson Airplane e Matrix partem do princípio da perda de noção de realidade/realidade paralela, no caso do Jefferson Airplane através dos alucinógenos e no caso de Matrix através da descoberta de que o mundo é um simulacro. 

Alice (País das Maravilhas) em conversa com Dorothy (O Mágico de Oz) em imagem de fonte desconhecida : – Eu vi uma merda muito doida.
 
Alice e Dorothy

Lembro também de “Lost Girls”, uma subversão digna de Alan Moore, que coloca Alice (Alice no País das Maravilhas), Dorothy (O Mágico de Oz) e e Wendy (Peter Pan) sob um ponto de vista nunca antes imaginado, o das fantasias eróticas das personagens.

Jefferson Airplane, Gwen Stefani, Tim Burton, American McGee, Matrix, Maria Brink, Alice  hardcore, Alan Moore… diversas versões subversivas para Alice em diversas linguagens artísticas.

Jefferson Airplane

Gwen

Tim Burton Alice

American McGee Alice

Matrix Alice

Maria Brink Wonderland

Alice

Lost Girls

As releituras dos contos de fada sob outro prisma não são novidades, a diferença é o acesso, que antigamente era restrito aos fãs. O fato é que gosto muito de “Alice no País das Maravilhas”, de  modo que fiz uma exposição com ilustrações dos personagens sob meu ponto de vista (bem antes do lançamento de Alice por Tim Burton), que na época pendia para o gótico, metal e o J-Rock (não, eu não sou uma fã (otaku) por anime, nem mangá e nem Japão).  Acontece que na época estava achando interessante estilos como gothic lolita, kodona e outros,  hoje já não me interesso tanto. Mas o fruto dessa experiência foi bem bacana e essa roupa de zumbi “Alice no País das Maravilhas” me lembrou isso.  De certa maneira o gosto perky goth permaneceu. Eu não pretendo parar de gostar do que gosto, só porque se tornou uma espécie de moda a questão dos contos de fadas. É uma visão ignorante achar que não somos afetados pela cultura de massa, muitas vezes coisas que gostamos entram no ciclo do capitalismo (coisa que já foi discutida aqui em “O Underground na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”).  Na época escrevi sobre esse post falando sobre a predominância da imagem sobre o conteúdo nos blogs alternativos, mas vale também para a cultura de maneira geral. Então cabe a nós nos apossarmos da cultura de massa tal como fazemos com um objeto artístico e fazer valer nossa subjetividade.

Minha versão de “Alice no País das Maravilhas” para a Zombie Walk desse ano

Zumbi2

Zumbi

Fotos de Bruce Parker de Oliveira e Raphaela Campos.

4 Comentários leave one →
  1. novembro 13, 2013 7:36 pm

    muito interessante, o post🙂 adoro a versão do Tim Burton da Alice no País Das Maravilhas, deixa-me sempre encantada. A tua versão estava otima!🙂
    teapotsandpunkmusic.blogspot.com

  2. fevereiro 13, 2014 12:35 am

    Na década de oitenta “gótico” se referia especificamente a bandas como o maravilhoso Bauhaus, e outras como The Cure, Siouxsie & Banshess, Sisters of Mercy e Alien Sex Fiend (aqui no Brasil eram chamados erroneamente de “dark”). Foi no início da década de noventa que gótico foi deixando o romantismo deprê em direção ao soturno e bizarro. Nossa, eu detestei a década de noventa…

    • março 5, 2014 9:01 pm

      Enaldo, eu ainda prefiro o gótico dos anos 80 (sem rotular se é gótico ou pós punk) que o dos anos 90, embora eu também goste de algumas coisas dos 90. Essas bandas se aproximavam ao que chamamos de arte, não era só a estética mas todas as referências que vinham junto (e você sabe disso mais que eu, porque viveu a época).

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