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O Grande Gatsby

janeiro 17, 2014

“A vida é toda um processo de demolição. Existem golpes que vem de dentro, que só se sentem quando é muito tarde para fazer seja o que for. E é quando nós percebemos definitivamente que em certa medida nunca mais seremos os mesmos”.

(A Fenda – F. Scott Fitzgerald)

“Sua mente é poderosa, ela pode levar você à qualquer lugar nessa vida”. (Jay Gatsby)

F. Scott Fitzgerald, autor de “O Grande Gatsby” é conhecido como escritor da geração perdida norte-americana. Seus contos eram chamados de contos da era do jazz e refletiam o zeitgeist da época. Sua esposa, Zelda Fitzgerald, foi nomeada pelo marido como uma das primeiras melindrosas da época. O estilo de vida do casal se refletia na literatura de Scott, ambos eram jovens,  belos, influentes, conviviam com os ricos, as festas e a descoberta de que nem tudo é tão belo quanto parece.  F. Scott Fitzgerald morreu devido aos seus excessos com a bebida, que o deixaram frágil à outras doenças como a tuberculose e os ataques cardíacos. Ele faleceu aos 44 anos de um ataque cardíaco. Ele também é o autor de “O curioso caso de Benjamin Button”.

Os jovens F. Scott Fitzgerald e Zelda Fitzgerald

Portrait of F. Scott Fitzgerald

Portrait of Zelda Fitzgerald

Leonardo DiCaprio é muito inteligente, eu admiro demais seus trabalhos. Partiu de filmes interessantes em sua adolescência (como Gilbert Grape em que ele dá um show ao lado de Johnny Depp) e apesar (não que isso seja um problema, mas a grande maioria das pessoas avalia os bonitos pela beleza, não sobrando nada mais que isso) da beleza, conseguiu se firmar como um ator fantástico que tem uma qualidade rara de transmitir empatia através de seus personagens. Tenho grandes filmes dele guardados como “Prenda-me se for capaz” de Spielberg, “O aviador” e “A ilha do medo” de Scorcese e a “A Praia” de Danny Boyle, enfim eu gosto muito de suas atuações. E DiCaprio é o tipo perfeito para papéis de época, que demandam um visual vintage, tanto pelo seu tipo físico característico quanto pela sua postura elegante. Tenho a mesma opinião formada sobre algumas atrizes como Cate Blanchett, Carey Mulligan e Michele Williams.

Great Gatsby

Já Baz Luhrmann é um conhecido de outra data de DiCaprio, quando ele era bem mais novo e atuou em seu Romeu + Julieta. Luhrmann foi bastante criticado com a produção de “O Grande Gatsby”, o acusaram de fazer uma produção onerosa, de “enfeitar” demais a narrativa de Scott Fitzgerald que por si só é um escritor que já possui um estilo rico e além do mais acabar com a narrativa do livro em prol do filme. Essa vai ser sempre a maior discussão ao se adaptar livros para roteiros e filmes, mas o cinema é outra linguagem e o diretor de cinema não pode expressar apenas o estilo do escritor mas também seu próprio estilo. Ou então o cinema não seria considerado arte, nem nos interessaria estudar diretores de cinema pelo seu estilo. E o estilo de Baz Luhrmann é luminoso, grandioso e luxuoso! Ele é um dândi do cinema. E dândi também é Leonardo DiCaprio fazendo o papel de Jay Gatsby. É maravilhoso vê-lo e estar com ele, de maneira que nos sentimos agraciados tanto por seu estilo apurado, seu porte elegante quanto pela sua presença agradável e carismática, sem contar suas palavras. Sim, me senti como Nick Carraway, o personagem de Tobey Maguire em “O Grande Gatsby”. Na minha opinião “O Grande Gatsby”  é um espetáculo para os olhos sem perder a linha da narrativa. A começar pelos cenários luxuosos e pelo figurino, nada mais que joalheria Tiffany & Co. e figurino Prada. Pessoalmente eu amo o glamour vintage, isso também me incentivou a ver esse filme. A única queixa que faço é quanto à trilha sonora, Luhrmann é conhecido por trazer músicas pop, tal como hip-hop e rock para tramas de época. Mas nesse caso acho que o jazz foi protelado, o problema disso é que é a era do jazz. Não que não pudesse ter trilhas sonoras pop, mas o jazz poderia ser mais explorado.

O diretor Baz Luhrmann

BazLuhrmann

O figurino teve a colaboração de Miuccia Prada e jóias de Tiffany & Co.

Prada

Era a época do charleston, a dança dos anos 20 por excelência, do jazz e da transformação do automóvel e da bebida alcoólica como “bens” atingíveis pela sociedade. É o período do pós-guerra em que há o empobrecimento de uma grande categoria da população, o enriquecimento de uns poucos sabe-se lá com o que,  já que a ascensão do crime organizado e da corrupção é grande. E vemos isso tudo claramente no filme, as cenas que acho fantásticas são a passagem do mundo colorido e luxuoso dos mais abastados através de seus passeios de automóvel para o lado cinza da cidade, o lado pobre. O automóvel colorido dos ricos percorre o ambiente cinza, urbano das fábricas e oficina de automóveis, como se nada pudesse tirar a alegria e frivolidade dos abastados nem mesmo o ambiente externo real.

E aí entra o nosso narrador, o igualmente fantástico Tobey Maguire, fazendo o papel de Nick Carraway. Carraway é um rapaz  humilde do meio oeste americano, trabalha na bolsa e ocasionalmente visita sua prima rica Daisy (Carey Mulligan), casada com um igualmente rico jogador de polo, Tom Buchanan (Joel Edgerton, que está a cara de Clark Gable no filme). Carraway apresenta uma decepção, ao qual ele chama de “nojo” de pessoas. Seu psiquiatra acha melhor que ele escreva contando o que aconteceu como se fosse um diário, dado que em determinado momento ele já não se sente à vontade para falar.

Gatsby

Carraway tem bastante admiração por um indivíduo chamado Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), a melhor pessoa que ele já conheceu em vida.  Carraway mora ao lado da casa de Gatsby, uma casa pequena e esquecida. Nick Carraway nutre uma certa curiosidade sobre Gatsby, porque sempre ouve falar dele mas não o conhece. Eis que ele percebe que Gatsby o observa à noite e um certo dia Gatsby envia um convite à ele, convidando-o para uma das inúmeras festas grandiosas em sua mansão. E Gatsby nunca havia convidado ninguém para suas festas, as pessoas simplesmente aparecem. Mas antes que possamos achar Gatsby fútil pelo seu modo de vida dispendioso e luxuoso, ele já terá arrebatado o coração de todos, Carraway, seus convidados, eu e você.

Minha vida, minha vida tem que ser assim. Cada vez mais alto.

E porque Gatsby parece tão interessante? Seu passado é obscuro, assim como a origem de seu dinheiro. Aí vem a indagação: Porque Gatsby é tão melhor que os outros ricos? No decorrer da trama vamos ver que os valores estão acima do que acreditamos ser o correto e bem além da hipocrisia generalizada.  A corrupção, a traição… afinal não são nada perto do que um ser humano pode fazer por sua satisfação individual, passar por cima das pessoas, fazê-las sofrer, fazer com que percam suas vidas, emocional e fisicamente. Afinal sabemos que o que liga Carraway e Gatsby é a grande esperança no futuro e a fé nas pessoas. Nisso eles compactuam com o mesmo tipo de ingenuidade, que tranformará suas vidas em definitivo.

Gatsby2

Gatsby tem a certeza que podemos repetir nosso passado, para  que ele possa ser belo como deveria ter sido. Porém nunca podemos trazer de volta o passado, as pessoas do nosso passado e os sentimentos do passado, porque em certa medida não somos as mesmas pessoas do passado e muito menos as pessoas pelas quais nos apaixonamos permanecem as mesmas. Quem nunca imaginou ter vivido uma outra realidade, com a pessoa que amamos no passado? Como seríamos se tivéssemos tido uma chance? O que faríamos para ter essa pessoa novamente, quais coisas buscaríamos?

Eu obtive todas essas coisas por ela, todas essas coisas por ela.

E nunca podemos saber se o amor dessa pessoa é tão grande e tão sólido quanto o seu. E o pior, talvez aquilo que a pessoa que você ama procura seja qualquer coisa, menos o seu amor. Há determinados amores que trilhamos que são destruidores e o preço tende a ser mais caro que qualquer bem material. Pessoas descartáveis como bens descartáveis. Quando se tem qualquer coisa que queira é inerente achar que também as pessoas e seus sentimentos são assim.

A única coisa que nos salva se não é o amor,  que seja a amizade. Porque sempre haverá alguém que considere a nossa grandeza acima do que todos são capazes de ver ou obter ao estarem conosco. A grandeza de Gatsby está em seu coração.

Gatsby e Carraway: A amizade está no valor que o outro é capaz de depositar em você, sem querer absolutamente nada em troca.

TheGreatGatsby

Fonte das imagens com frases do livro: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-141808/

One Comment leave one →
  1. fevereiro 12, 2014 10:12 pm

    Helena, boa noite. O seu blog é muito bonito. Vou lê-lo aos poucos. Leonardo Di Caprio é ótimo e deu um show em O lobo de Wall Street

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