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A morte só é real quando nos alcança

março 8, 2015

No meu blog eu sempre falei da morte com uma propriedade incrível, eu sempre tive medo de morrer e sempre tive medo de perder quem eu amo. A segunda opção já havia acontecido comigo, mas não de forma tão devastadora como foi perder minha mãe. Eis um assunto que me deixa triste. Minha mãe estava doente desde 2013, porém em todos os médicos que passou, inclusive em um instituto de câncer muito famoso na cidade não diagnosticaram nada. Minha mãe faz exames desde 2013 e os médicos dizem que ela não tinha nada, apesar de eu não reconhecer mais minha mãe que parecia ter envelhecido dez anos em apenas dois.

Ano passado minha vida estava maravilhosa, assim como a de minha mãe, meu pai e minha irmã…minha mãe se sentia animada…queria escrever um livro, eu falava com ela todos os dias. Em setembro ela começou a esquecer as coisas, a levamos no médico…ela tinha um edema na cabeça. O médico hematologista, que até então foi o único a nos tratar como seres humanos indicou internação no HU, o Hospital Universitário…minha mãe nunca foi tão bem tratada como lá. Ela estava bem, tomando café comigo e comendo polvilho.

No final de outubro (20/10), a notícia que eu nunca esperei: minha mãe estava com câncer no intestino. Nenhum caso na família de alguém que tivessse tido câncer, nenhum sintoma, nenhuma orientação, apenas dois tumores pequenos de 2 e 3 cm no cólon. Minha mãe foi encaminhada para um outro hospital considerado referência em tratamento de câncer (mas que eu não sabia que era um matadouro). Constataram metástase no cérebro…Minha mãe muito animada, foi aconselhada pelo médico que conversou apenas quinze minutos com ela (porque ele estava em férias e só voltou quando minha mãe morreu), a fazer três quimioterapias, uma por semana e vinte radioterapias, uma por dia. Minha mãe fez duas quimioterapias, estava ótima e a terceira ela piorou, de repente. Eu vi minha mãe morrer no hospital com a médica me falando que seu pulmão estava encharcado…eu cheguei e vi que a última noite de minha mãe ela passou com os braços amarrados na cama, quando eu a soltei ela respirou aliviada (disseram que ela havia tentado tirar o oxigênio à noite, a única noite em que nem eu nem a minha irmã estávamos com ela). Minha mãe não estava falando, mas estava consciente o tempo todo.  A médica alegou que ela estava com problemas respiratórios e orientou que eu e minha irmã assistíssemos ela morrer. Eu e minha irmã nos despedimos dela, minha mãe nos abraçava e fazia gestos com os braços para deitarmos em seu colo, no leito em que estava (isso depois da minha irmã e eu forçarmos a barra porque não podem ficar duas pessoas no mesmo leito, ainda que essas pessoas sejam duas filhas se despedindo de sua mãe). O mais irônico é que outros acompanhantes de quarto entravam e saíam do quarto de minha mãe, curiosos sobre o que acontecia. Nós, as filhas, não podíamos dar o último adeus. Minha mãe piorou.  Minha irmã e eu tivemos que forçar a barra para manda-la para a UTI, para que pelo menos sua morte fosse menos sofrida. O procedimento do hospital é deixar os doentes terminais morrerem, roxos e sem respiração. No dia mais infeliz da minha vida, dia 13 de novembro de 2014,  minha mãe morreu.

Eu tenho muita raiva de quem fala que o câncer é curável se tratado no início. Minha mãe sempre procurou médicos e fez biópsias. Minha mãe tinha uma ótima alimentação. Minha mãe tinha fé em Deus e esperança. Minha mãe teve o maior azar do mundo.

Eu dei um tempo no blog desde então, hoje estou reativando, porque só hoje tive coragem de resumir tal história. Minha mãe é a pessoa mais importante da minha vida. Antes da morte temos certeza de tudo, depois dela… não sabemos o que vem depois. Se vamos nos ver novamente… eu espero que sim. A vida não tem muita lógica e nem muito sentido. Desde novembro estou fazendo terapia com uma psiquiatra (ela também tem essa formação), tomando olcadil e venlafaxina, de licença nos meus dois empregos (talvez seja por isso que eu estou aqui). Fui diagnosticada com síndrome mista de ansiedade e depressão, que acho que piorou após a morte da minha mãe. Estou tentando me reerguer, fazer o mesmo com minha irmã e meu pai. Meu blog já teve assuntos mais felizes, mas a vida é assim…

10 Comentários leave one →
  1. março 8, 2015 11:09 pm

    Helena, eu já escrevi na sua page e escrevo aqui de novo: Sinto muito por sua perda! Fico muito triste mesmo por isso quero que receba todo meu amor, do fundo do coração, porque tenho muita estima por você!
    Minha tia faleceu de câncer no intestino, nenhum médico foi capaz de diagnosticar corretamente com antecedência. Uma grande amiga de minha mãe, teve um tumor no cérebro e foi parar também, num hospital matadouro. Em um ano eu vi 3 conhecidos falecerem da mesma forma naquele hospital! Um absurdo!
    Espero que continue se tratando, que dê tudo certo e que seja forte e que se reerga, assim como seus familiares. Você é uma mulher que admiro! Abraços, Sana❤

    • maio 28, 2015 2:44 pm

      Obrigada por ser tão amiga Sana, você sabe que também admiro muito você. Desculpe por não responder antes, eu estava tão triste que não conseguia entrar no facebook, no blog… nem responder comentários, mensagens. Eu começava a chorar. Agora estou tendo coragem. Mais uma vez obrigada por ser tão presente.❤

  2. março 18, 2015 2:42 pm

    Demorei para comentar,porque é algo que mexeu comigo também

    No começo deste ano fez um ano que minha sogra morreu,de câncer no cérebro.Algo que primeiramente foi erroneamente diagnosticado como depressão e medicada como tal,foi bem no dia do meu aniversário que meu marido e eu recebemos a noticia e também na mesma época eu fiquei doente.Os médicos disseram que ela duraria apenas 3 meses no máximo, e ficou firme e forte por nove meses.

    Os hospitais tratam nossos doentes terminais muitas vezes como um nada,e cabe a nós familiares dar todo conforto e amor possíveis a quem amamos,pois não é fácil porque isso abala a família de uma forma devastadora. A única coisa que posso desejar-te é força,para que você consiga seguir em frente,porque a gente se acostuma mas não esquece da perda…afinal pensamos que vamos enterrar nossos país velinhos.

    Nunca desista,por mais que a jornada seja difícil e turbulenta sua mãe sempre estará olhando por você,te dando auxilio e um empurrão sempre que puder.Não morremos,apenas deixamos a casca material para trás…somos lembranças,alegria,amor e conforto!Não se abale,a vida é meio complicada,mas nem por isso é menos bela!

    • maio 28, 2015 2:41 pm

      Obrigada Marcela, é bom compartilhar experiências. A dor alivia quando sabemos que as pessoas passam por isso. É realmente devastador para a família, o sentimento de impotência. A vida é realmente um sopro. Obrigada pelas palavras gentis.

  3. Luana permalink
    março 21, 2015 3:46 am

    É a primeira vez que leio seu blog e vim parar aqui por cau da Anna Varney Cantodea, depois de uma pesquisa pelo Google. Fui para a página principal e li este post sobre a sua mãe. Não nos conhecemos, mas sinto muito que tenha passado por isso. Talvez, com o tempo, as coisas fiquem menos pesadas. Espero que você possa superar essa situação que ainda é inimaginável pra mim. Que bom que você tem uma irmã com quem deve poder dividir a sua dor. Apesar de não querermos que uma situação dessas aconteça, ainda mais como você, sofridamente, contou, talvez seja necessário se concentrar nas partes boas da vida dela. Afinal certamente sua mãe não pode se resumir a este final triste. Deve ter passado por muitas alegrias na vida. Deve ter tido muitas experiências e é nisso que talvez seja melhor se agarrar, se lembrar. Pensar nela com o que de melhor ela pôde experienciar e os bons momentos em que passaram juntas. Afinal, são estas vivências que nos constroem e que devem ficar, assim penso.

    Enfim, tudo de melhor pra você e que consiga superar esta tristeza.

    Abraços,
    Luana

  4. abril 8, 2015 11:31 am

    Olá Helena,

    Sinto muito por sua perda!! É muito difícil perder alguém tão proximo que se ama tanto! Meus sinceros sentimentos e desejos de melhora!!

    Att,
    Ariane
    http://thelivedoll.blogspot.com.br/

  5. Thamires permalink
    maio 9, 2015 10:58 pm

    Oi minha mae morreu dia 27 de abril de 2015, estou ainda anestesiada ela lutava contra o cancer de mama e já havia acabado as 8 sessões de quimioterapia, foi rápido as plaquetas dela caíram e ela foi só piorando, estou sem chão!

    • maio 28, 2015 2:37 pm

      Oi Thamires, eu sei exatamente como você está. A vontade é de morrer junto. Faz seis meses que minha mãe morreu e parece que foi ontem, essa semana está mais difícil para mim. Há semanas melhores e piores, no início era muito pior. O que me ajudou foi a terapia e os remédios, sem eles eu não sei como estaria. Os amigos e família só aparecem nos primeiros dias, depois somem. Procure conversar com pessoas que também passaram por isso, isso alivia a dor. Esteja à vontade para se corresponder por email comigo: alienagratia@gmail.com
      Meus sentimentos pela perda de sua mãe.😦

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