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Quando o amor acaba

julho 31, 2015

“As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.”

(Lilian Tonet)

“…Assim, não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer. E não se pode aprender a arte ilusória –  inexistente, embora ardentemente desejada – de evitar suas garras e ficar fora de seu caminho. Chegado o momento, o amor e a morte atacarão – mas não se tem a mínima ideia de quando isso acontecerá. Quando acontecer, vai pegar você desprevenido.”

(De “Amor Líquido” sobre a fragilidade dos laços humanos –  Zygmunt Bauman)

 

Eu acredito que as pessoas não aparecem em nossa vida por acaso. Estranhamente sempre acreditei em livre arbítrio e escolhas, por mais que às vezes queremos escolher por livre e espontânea vontade, as coisas ocorrem na nossa vida. De alguma maneira podemos optar, mas não fugir daquilo que a vida nos reserva. Eu sempre sofri muito por não ter o controle das coisas, porque quando eu era mais jovem eu achava que tudo poderia ser planejado, executado e ter um final como eu esperava. Só posso dizer que era muito ingênua, nas escolhas, nas palavras, na sinceridade….de certa maneira ainda sou.

Uma história que acho muito triste é a de Kurt Cobain e Courtney Love. Ironicamente Courtney queria salvar Kurt, de algo que apenas ele poderia se salvar. Ela chegou a salvá-lo duas vezes do suicidio, porém na terceira ele se isolou e aconteceu o que sabemos. Podemos vislumbrar os sentimentos dos dois em várias músicas. Como eu tenho dificuldade de escutá-las! Porque de certa maneira eu sinto o que eles sentiam. Dói no fundo da alma saber que algumas coisas, situações e pessoas são intocáveis, não há com interferir por mais próximos de nós que estejam. Hoje elas estão próximas, são íntimas e amanhã são completos desconhecidos.

Kurt Cobain fala em “All Apollogies” : “Sob o sol, estou casado, enterrado. Queria ser como você facilmente entretido, encontrar meu ninho de sal, tudo é minha culpa! Eu levo a culpa de tudo.Vergonha até por espuma marinha” e Courtney responde em “Malibu”, com o Hole: “Como você ficou tão desesperado? Como você sobreviveu? Me ajude, por favor….Queime a tristeza de seus olhos.  Oh, venha viver de novo, não deite e morra. Chore para os anjos, eu vou te resgatar, eu vou te libertar hoje à noite, baby. Segure-se em mim”.

O casamento de Kurt e o amor de Kurt (Courtney)

Cobain_Love_Wedding

Eu acredito que o amor acaba, pelas circunstâncias, pelos acontecimentos, pela morte… Parece que todo história de amor verdadeiramente Romântica está fadada ao sofrimento. Em tempos de amor e sexo pela internet, na vida real eu percebo os seres humanos muito mais perdidos. Algo como, se eu não tenho o que eu quero vai qualquer pessoa. Acho cruel como os sentimentos se tornaram descartáveis em tempos de WhatsUp, Skype…você é um nome, um número. Um corpo, um objeto, uma foto… descartável ou não. É assim com quem você amou por dez anos, é asim com quem você amou por seis meses. Um belo dia, você acha que está tudo bem. E é surpreendido, rejeitado, abandonado, bloqueado…nas redes sociais ou da vida de quem você amou ou ama.

Em “Her” de Spike Jonze, Joaquin Phoenix é Theodore, que fala sobre amor como ninguém mas não consegue vivenciá-lo. Ele está traumatizado com o fim de seu casamento, como seus relacionamentos reais não dão certo, ele decide namorar um sistema operacional, Samantha (Scarlett Johansson). Incrivelmente dá certo porque não é real. Mas até que ponto você pode ser único em um relacionamento virtual? Como levar um sistema operacional para um evento como se fosse sua namorada?

“Às vezes acho que já senti tudo que eu deveria sentir. E que de agora em diante não sentirei mais nada novo. Somente versões menores do que eu já senti.” (Theodore)

É significativo ter medo das pessoas quando sofremos mais do que poderíamos em um relacionamento. Muitas vezes permitimos nos levar por sonhos que são somente nossos e nunca foram divididos pela outra pessoa. Até o céu pode desabar sobre nossas cabeças.

Ela

4 Comentários leave one →
  1. agosto 1, 2015 10:28 pm

    “O amor encontra uma maneira de cegar até mesmo as mentes mais perspicazes. Nós não vemos porque não queremos ver, mas uma vez que o amor se vá, nós podemos ver a pessoa claramente. Eles são revelados à nós, com todos os seus defeitos, suas fraquezas e seus segredos”

    • setembro 29, 2015 6:52 pm

      Verdade Eduardo, com o tempo as coisas se iluminam, passamos a ver e deixamos de nos culpar por tudo que não deu certo. Mas um pouco de culpa e frustração sempre permanecem.

  2. agosto 11, 2015 1:19 pm

    Excelente texto!
    Eu também tenho essa mesma tristeza ao perceber como até mesmo os sentimentos viraram coisas descartáveis ultimamente…
    Acho que ando tão chateada com isso que já nem quero mais me envolver com outras pessoas…
    Mas como você disse, há coisas das quais a gente não escapa né.. vamos ver o que a vida tem pra mim ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

    • setembro 29, 2015 6:50 pm

      Tem que ter sempre esperança Mone Venzel, apesar do nosso coração ficar fragilizado. Eu escrevi esse post quando tinha acabado de me separar do meu marido. Conheci dez anos, foi meu primeiro namorado. E foi embora de repente, como se deixasse de existir. Talvez seja por isso que demorei a responder. Vou visitar seu blog! E obrigada pelo comentário e por gostar do texto.😉

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