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Morte, o grande momento da vida também para quem fica!

novembro 2, 2015

Eu estava preparando um post sobre o estilo do Glenn Hetrick, pois faz tempo que não posto sobre estilos no blog. Mas acreditam que a conexão caiu e eu perdi meu post inteiro? Mas não se preocupem, pois vou postá-lo em breve. Foi aí que emergências psicológicas clamaram que eu fizesse esse post. Hoje é dia de Finados, dia dos mortos.  Antes de minha mãe morrer e meu casamento acabar eu achava que eu não era feliz em muitas coisas, meu projeto de vida profissional não se encaminhava da maneira que eu desejava, eu não sabia se prestava concurso público, fazia outra graduação ou se virava artista em tempo integral. Mas como eu iria viver? Reclamava do cansaço do trabalho, mas no final de semana eu visitava minha mãe junto com meu marido. Era um momento de felicidade, viajava para outras cidades, ficava feliz quando meus alunos aprendiam, quando eu tinha sucesso na academia… Coisas bobas enfim, pequenas. Mas eram momentos felizes. Depois fui efetivada, comecei a trabalhar muito e minha vida entrou nos eixos, pela primeira vez me sentia muito feliz depois de tempos, aí minha avó faleceu e não fui vê-la antes da morte, meu irmão morreu e não fui vê-lo antes da morte e minha mãe morreu e ironicamente eu quase não a visitei no ano de sua morte. Eu aguentei duas grandes perdas, aguentei a separação (foi nesse ano também, meses depois da morte da minha mãe, já não estávamos bem e viramos apenas amigos dentro do casamento), mas a morte da minha mãe acabou comigo e busquei ajuda. Ainda hoje tenho recaídas, há dias melhores e dias piores. Eu perdi esse ano me recuperando do trauma de ver minha mãe morrer, meus projetos todos foram por água abaixo. Eu tinha vários planos e tinha economizado muito, dinheiro que gastei em jazigo, enterro, advogado, inventário… Não estou reclamando de nada disso, eu e minha irmã enterramos minha mãe onde ela sempre quis ser enterrada. Mas estou dizendo que nunca sabemos qual será o nosso futuro. Ontem fui visitar o túmulo da minha mãe, junto com meu pai e minha irmã e vi um túmulo de uma moça mais nova que eu que havia morrido, o túmulo de uma moça da mesma idade que minha irmã e o túmulo que me chamou atenção, pois havia duas bonecas iguais sobre ele: eram irmãs gêmeas que nasceram e morreram no mesmo dia. Abaixo as inscrições: saudades de papai, mamãe e irmãzinha.

Sempre que falamos em morte temos a mania de acharmos que é um papo depressivo, que não merece ser conversado. Talvez seja por isso que aqui no Brasil a gente não tenha o mínimo de preparo para encarar a morte de forma natural, pelo menos os de formação tradicional cristã que é o meu caso. No México a morte é vista de forma natural e festiva, em Colônia na Alemanha as pessoas fazem picnics no cemitério junto com suas famílias.  E somente com a morte a gente discorre sobre temas que até então não eram colocados em dúvida para nós, como o que vem depois? Digo, de maneira tão forte como antes não colocávamos.  Minha mãe está onde, será que ela pode me ver? O que estou dizendo é que a vida e a morte é muito mais que tudo isso. que nossas certezas.

Escrever sobre isso ajuda a lidar com o fato de não tê-la mais comigo, de não ter pensamentos obsessivos e pensar que eu vou ter novamente o domínio da minha vida de volta. Eu passei o ano inteiro com sensação de desorientação e sem saber quem eu sou, tentando encontrar minha identidade novamente e tendo a horrível sensação de que eu não sou mais eu, mas uma outra pessoa diferente. E como criar metas para realização de planos na sua vida se você não sabe como lidar com essa outra pessoa que você se tornou?  Se você se sente insuportável para si mesmo e consequentemente para os outros? Minha irmã disse que eu hoje estou bem, que ela me prefere bobona e alegre, mas nem sempre é assim. Não nos dias em que você está bem, mas nos dias em que você está mal. Experiências de vida nos puxam para realidade e tenho  que tomar as rédeas do meu controle emocional, tomar as rédeas da minha vida como sempre fiz até aqui, ser forte. Hoje eu consegui desde muito tempo ligar o pessimismo que sentia quando pensava no fato de minha mãe ter morrido à coisas lindas que ela fazia, como ser otimista mesmo na situação hospitalar em que estava. Senti um avanço no sentido que em muito tempo eu me senti bem e melhor. Ontem eu fui de chapéu ao cemitério, o chapéu floppy que comprei junto com minha mãe na última viagem que fizemos juntas e lembrei do que ela disse quando eu coloquei: ela disse que eu estava linda.

“Mas são os momentos que iluminam tudo. Às vezes você nem percebe quando está vivendo… é isso que faz o resto ser importante.”

Morte, dos perpétuos a mais otimista e bem humorada, mas nunca superficial e menos existencialista.

Morte

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