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Under the Skin (Sob a Pele)

janeiro 16, 2016

Há anos as pessoas me perguntam se sou feminista na internet como se fosse uma agressão e até com surpresa. Lembro que alguns homens que hoje se tornaram meus amigos, faziam menção a minha aparência para diminuir, como se eu nao pudesse ser feminista por causa dela. Eu estudava o feminismo ardentemente, a ponto de fazer um projeto de mestrado sobre. Ao mesmo tempo eu sempre ficava em dúvida, será que sou mesmo feminista? Tem várias coisas que eu não concordo com o feminismo. Mas eu tenho mais certezas que dúvidas. E sabe como eu entendi o feminismo? Nos relacionamentos amorosos com os homens.  Eu sempre fui amiga deles, desde que eu fosse mais um homem no grupo. Eu não tenho raiva dos homens, tenho muitos amigos e a maior parte possui uma mentalidade incrível. Tenho adiado esse post pois queria prepará-lo antes com posts um pouco mais esclarecedores e leves sobre a questão homem e mulher.

 

A verdade cruel é que muitos homens e muitas mulheres continuam separando as mulheres em classes e sendo machistas muitas vezes. Mas nem todo(a)s, ainda bem!

 

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Sim, existem muitos tipos de mulheres. Cada uma em seu estereótipo, mesmo que não aceitemos não há muito o que fazer sobre o que somos e o que pensam sobre nós. Meus últimos posts tem sido uma abertura para falar desse filme que vi há algum tempo, mas é muito pertinente atualmente. É um dos filmes mais belos e inteligentes que já vi. “Under the Skin” ou “Sob a pele” de Jonathan Glazer é um filme com a Scarlett Johansson. E penso que não poderia ser outra atriz. Ela mesmo um estereótipo de mulher sexy, uma Marilyn da nova geração e também extremamente talentosa. Tem uma postura bem firme em nao ceder a magreza excessiva, abrindo mão de sua feminilidade. Recebeu críticas horríveis em relação ao seu corpo com esse filme, como se esperassem que o corpo dela fosse mais belo. É um tanto machista para a arte que a moça faz nesse filme, rebaixar o entendimento dele ao nível tão fútil. Além de ser uma grande atriz, ela é uma bela atriz, usando seu belo corpo. Sim, ela interpreta tão bem nesse filme, que não vemos a nudez da atriz literalmente, mas como metáfora. Por isso o titulo – Sob a Pele.

Todas as mulheres já se perguntaram como seria se gostassem delas sob a pele.

 

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O fato de a moça ser uma alienígena no filme é uma metáfora também, para discussões interessantes sobre o posicionamento da mulher com a questão do amor e da sexualidade. Vemos isso muito bem dividido no filme, na primeira parte em que Scarlett é uma motorista que “caça” homens para levar embora para seu planeta. Cada um possui uma conduta diferente, um jeito diferente e uma opção diferente. Ela encontra homens que a recusam porque são comprometidos, homens que escondem a aliança, homens bonitos como ela e outros normais.

 

Scarlett Johansson – uma alienígena que nao precisaria buscar niguém, empreende uma busca que nunca acaba.

 

Scarlett Johansson in 'Under the Skin'

 

E na cena mais poética na minha opiniao, ela tem um diálogo muito bonito com um rapaz que possui deficiência no rosto chamada neurofibromatose e por causa disso nunca foi escolhido por mulher alguma. Mais que uma metáfora de uma alienígena nós temos as etapas de seducao, em que os homens não são nada mais que objetos nas mãos de Scarlett. E essa metáfora é representada em um líquido escuro em que sao afundados enquanto a seguem. Scarlett aparece inteira em posição sólida e sexy. A trilha sonora é angustiante.  E depois desse rapaz com neurofibromatose ela tem a real mudança em sua história na Terra como alienígena. Ela vive a real Epifania, como se comparassemos a sua história às narrativas de Clarice Lispector.

O belo e o grotesco, uma alegoria do Romantismo – A Bela e a Fera, Corcunda de Notre Dame e Esmeralda… Através do belo magnânimo é revelado que embaixo da pele há um outro tipo de beleza.

 

Scarlett Johansson - Under the Skin - BD - 7_4-500

Posteriormente temos a mulher na relação natural com o homem. Scarlett descobre o interesse amoroso e a sexualidade, de fato com um homem que parece acolhe-la. É interessante acompanhar sua confusão mental, já que no momento da caça ela é altamente fria e imparcial. Aqui ela mostra uma faceta humana e sensivel própria da mulher. A que sente medo e ao mesmo tempo prazer em se entregar. Nessa parte do filme Scarlett é acolhida e cuidada por um homem que a trata muito bem, que tem um interesse real nela como uma pessoa e preocupações com o que ela sente ou pensa. Muito além da atração sexual que ele sente por ela.

 

Pela primeira vez Scarlett, a alienígena perde o controle sobre suas ações. E aí ela se desespera.

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Em um terceiro momento, o mais agressivo de todos, Scarlett é caçada. E se torna vítima em uma cena chocante em que é revelado o que esconde sua pele. Durante muito tempo eu não via algo que mexesse tanto comigo. É uma cena de tentativa de estupro que acaba de uma forma extremamente triste. Não é uma cena que explora a violência, mas uma cena muito forte e ao mesmo tempo muito bem construída. A mulher é descoberta como uma alienígena, embaixo de sua pele ela revela o que realmente e, sendo cruelmente punida por isso. É uma cena triste e isolada que fiquei pensando durante semanas. Talvez porque quase toda mulher já tenha passado por provável situação, não com estupradores de verdade, mas com namorados ou caras com quem dormiram que não souberam a hora de parar ou pararam com dificuldade ou revolta. Ou talvez tenham sumido do mapa logo após dormirem com elas.

 

Na pior conduta de todas, a alienígena descobre o amargo sabor da violência e do preconceito.

 

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Vale lembrar que todo o filme possui uma atmosfera belíssima com bonitas estradas e paisagens, tornando a fotografia muito agradável e próxima de nós. Inclusive a cena forte que descrevi. É um filme silencioso, dramático, intenso, psicológico e que possui poucos mas precisos diálogos.

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O filme Under the Skin é uma corajosa produção que diz muito sobre feminismo, mas também sobre as relações que as mulheres nutrem com os homens e talvez a nítida confusão mental que as mulheres e homens se encontram atualmente, massacrados pelas convenções da sociedade e o que esperam um do outro. E um filme filosófico, que não empurra a culpa para ninguém apenas explana a ideia do quanto o ser humano e frágil em suas relações pessoais.

As mulheres e o rock

dezembro 13, 2015

Courtney

“Eu sou Miss Mundo, alguém me mate/ Me mate, pílulas, ninguém se importa, meus amigos…?/Eu sou Miss Mundo, me assista quebrar e me assista queimar/ ninguém está ouvindo meus amigos/ eu faço minha cama onde deitarei/ eu faço minha cama onde morrerei”. (Miss World – Hole)

A capa do álbum “Live through this”: Uma miss, aparentemente linda e emocionalmente instável.

Hole

Desde 2013 um amigo paulista que conheço há muito tempo havia me colocado em um grupo de mulheres bonitas do metal, grupo muito famoso que não postarei o nome aqui, mas quem participa ativamente do facebook deve saber. Eu nunca me achei bonita, por isso acho legal quando acham e às vezes até entro na onda, embora acreditar seja outra coisa. Conheci muita gente legal no grupo e outras pessoas nem tanto. Cheguei a ter fotos na página oficial (e ainda tenho). Mas algo começou a me incomodar no grupo esse ano, a falta de aceitação e respeito que gerava um bullying imenso, de caras (que não eram nenhum padrão de beleza) e garotas (que se achavam perfeitas). Certo dia vi uma garota sendo hostilizada por ter postado a foto de uma modelo gordinha, ela começou a ser ofendida sendo chamada de gorda, feia e eu que a defendi também comecei a ouvir. Teve uma moça que disse que era melhor que eu, mais bonita porque era mais alta e mais magra (eu tenho 1,70 e 67 kg) e além disso era loira natural. Poucos foram os interessados em nos defender e ao invés de os bullers serem expulsos da página quem foi expulsa fui eu e todos que defenderam essa menina – dois envolvidos diretamente na confusão e mais dez indiretamente (que então virou minha amiga no facebook). Vivemos uma época difícil para os sonhadores, como diria o filme Amélie Poulain. Por um lado minha época nesse grupo foi boa porque abriu algumas portas, inclusive com trabalhos de fotografia e como modelo. Mesmo eu não estando em meu melhor momento tanto esteticamente quanto psicologicamente. Por outro foi traumatizante, porque descobri que mesmo no meio do metal, do rock ainda existem pessoas que se imaginam superiores às outras. E o meu choque foi ver esse índice maior de pretensa superioridade no meio alternativo. É como se você tivesse que seguir todos os padrões estereotipados de beleza para ser aceita, ser bonita, ter o corpo perfeito, ser meiga, ter atitude, ser legal, ter piercings, cabelo colorido, tattoos, um estilo legal…são tantas exigências de como deveríamos ser que isso me cansa, porque anteriormente você era o que era, hoje você deve ser uma boneca plastificada.  Antigamente bastava você gostar de rock e ser você mesmo. Antigamente você fugia dos padrões para ser você e hoje você cai dentro deles querendo ser você. Você tem que ser hiperreal, perfeita. Só que alternativa.

Uma mulher alternativa, pronta para o consumo.

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Voltando à garota que foi ofendida, é uma menina, ainda estudante, uma adolescente sendo ofendida por adultos. Isso me faz lembrar do caso de uma mãe que me pediu ajuda ano passado na escola porque a filha dela, uma garota linda, inteligente e fã de rock, estava se cortando e ela não sabia se era influência da Demi Lovato, de uma amiga ou se ela realmente era bipolar. Ela falou que as meninas me admiravam muito, porque gostavam de mim e do meu estilo. Que eu poderia ajudar, realmente ajudei no decorrer do ano.  Eu nunca fui um exemplo para ninguém, lembro que toquei no assunto em sala e a menina me perguntou se eu já tinha feito algo de mal para mim mesma, eu eu logo soube porquê. Lembrei então de quando eu tive um início de anorexia aos 17 anos, eu fiquei muito magra, 57 kg e simplesmente não sentia fome e parece que quanto mais magra eu ficava mais me elogiavam e me achavam bonita. E até hoje eu tenho um reflexo disso, quando engordo me acho feia e isso mexe com o resto da minha vida, confesso. Hoje faço musculação, corrida, mas sei que nunca serei magra. Naquela época eu ouvia Silverchair e me identificava completamente com o Daniel Johns, porque ele passava pelo mesmo que eu de uma maneira muito pior. O que estou querendo dizer é, que devemos nos responsabilizar pelo que fazemos direta ou indiretamente com adolescentes na internet, que já é uma época bem influenciável e repleta de insegurança. Onde estavam os adultos quando aquela garota precisou de ajuda em tal grupo na net?!  Enfim é muito mais fácil fingir que nada acontece. E ver a multidão de tumblrs criadas por garotas que não se aceitam e buscam soluções como anorexia, bulimia, automutilação…e acabam frustradas, porque não dá para ser tudo que a sociedade exige.

Boa era a época que se você se sentia diferente bastava gostar de rock, desenhar e ter um estilo fora do comum.

 

Quando eu me formei em Artes eu não parava de ouvir Distillers e Brody Dalle era meu exemplo, era mulher, bonita, tatuada, sexy, cantava e tocava em uma banda punk. Em uma época que nada disso tinha sido popularizado e nem tem tanto tempo assim. Hoje tem as Suicide Girls que foram popularizadas mas já existem há um bom tempo,  que para o bem fez com que aceitassem mulheres com gostos e aparência diferente, mas também tornou tudo comercial e plástico. Porque há uma imagem vendida da mulher linda, tatuada e sexy. Nesse ponto acho que os anos 90 fizeram mais pelas mulheres, Theo Kogan do Lunachicks já era tatuada nessa época e era realmente uma mulher do universo alternativo. Assim como as meninas do L7. Todas as mulheres dos anos 80 aos 90 fizeram mais por nós com seu engajamento político, música, bandas e estilo que toda uma geração de modelos alternativas dos anos 2000. 

 

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Hoje as moças migram da exibição na internet, sem nenhuma ligação com o rock, fazem várias tattoos, pintam o cabelo de cores diferentes, vão parar no meio supostamente alternativo mas não experienciam aquilo tudo: as bandas, os shows, as artes, a política (presente no discurso punk e metal), o universo alternativo como um todo… Na net teve um esforço válido em valorizar as mulheres do universo do rock, através de grupos mas ainda há uma divisão muito clara no rock, ou você é uma mulher consumível esteticamente ou você não é uma mulher respeitada.  Ou seja você só é valorizada pela música se for linda e se você for linda e se vestir de maneira um pouco mais liberal você é uma puta. São várias comparações no facebook de mulheres do rock que são comparadas com funkeiras, apelam dizendo que não precisam mostrar o corpo porque tem talento e esquecem que muitas vocalistas, guitarristas, bateristas que praticamente inventaram o rock feminino mostram o corpo, tal como Lita Ford, Doro Pesch e Great Kat para ficar em três. Os mesmos metaleiros que visitam páginas como a que eu fazia parte, que expõem beleza feminina no rock criticam as mulheres por se vestirem de maneira sexy, as desabonam pelo número de likes e comentários masculinos que recebem em fotos, como se isso as transformasse em mulheres “fáceis” e desabonasse o seu caráter. O pior são as mulheres que fazem o mesmo, identificando qual mulher é vulgar ou não e apontando com quantos homens ela já esteve usando como critério apenas a roupa ou um comportamento mais liberal. Os caras adoram as tatuadas do SG mas tratam as garotas alternativas que ficam como prostitutas apenas por terem um estilo diferente. Então é preciso coerência dentro do universo alternativo, porque as pessoas andam perdidas sociologicamente, filosoficamente e isso se reflete em seu caráter e na maneira que se comportam em sociedade. Já digo que o post é polêmico, sim parece contraditório mas não é. Quem acompanha meu blog sabe disso.

 

 

 

O lugar onde tudo termina

novembro 19, 2015

Há algum tempo eu tento escrever sobre esse filme fantástico, na verdade desde o início do ano quando tive a oportunidade maravilhosa de vê-lo. Eu sou muito fã de Eva Mendes e Ryan Gosling. Esse filme me comoveu muito, talvez porque eu estou analisando os diversos setores da minha vida. Nos últimos anos eu não tenho gostado muito da maneira que vivo, em uma rotina exaustiva de trabalho e sem ter tempo de fazer o que eu gosto. É certo que a qualidade de vida no setor financeiro mudou para melhor, mas não vivemos somente disso. Depois que minha mãe morreu eu coloquei na minha cabeça que eu não posso mais perder meu tempo. Nunca houve metáfora mais correta que da ampulheta, não há mais tempo para tentativas de ser feliz. Ou eu me satisfaço com minha vida ou era melhor não ter existido. Como a segunda opção não é possível no meu mundo, eu só tenho a primeira alternativa.

O filme de “O lugar onde tudo termina” fala sobre opções de cada um, nós sempre achamos que temos escolha, mas às vezes ela não é a mais correta e acaba reverberando na vida de quem vem depois, como os filhos. Eu sempre achei que o cara que estava na foto com minha mãe e minha irmã (quando era bebê) era o pai da minha irmã, mas uma semana depois que minha mãe morreu minha irmã disse que não era. Ela disse que não quer conhecer o pai, que isso era uma resolução tranquila para ela. Aquele na foto era um pai para ela, mesmo que não fosse biológico. A mãe sempre falou bem dele mas ela nunca chegou a conhecer, já que se separaram. Minha mãe nunca contou sobre o passado e algumas coisas foram embora junto com ela. Talvez seja por isso que eu e minha irmã sejamos figuras femininas fortes, nós não tivemos uma figura paterna forte. Meu pai era completamente dependente da minha mãe que era líder e agora depende de nós cuidar dele.

A vida de Ryan Goslin no filme é desregrada. Ele é um motociclista, o melhor de todos no que faz. Mas está completamente perdido. Ele tem a beleza, tem o estilo, trabalha em um parque de diversões em um globo da morte. Mas está perdido da vida e encontra um motivo para viver com um acontecimento em sua vida. Esse acontecimento é o seu ex-caso que decide visitá-lo e ele redescobre um interesse pela moça. No momento em que ele está decidido à partir da cidade, ele tenta visitá-la em casa. E descobre que tem um filho com ela, através de sua “sogra”.  Luke (Ryan Gosling), entra em modo desespero ao saber que é pai e vê a perspectiva dele voltar a namorar Romina (Eva Mendes), por que a faísca inicial que sentia por ela é despertada pelo seu lado paterno, pela responsabilidade que ele sente pelos dois. Em certa parte do filme ele pronuncia: – Todos precisam de um pai Romina, eu não tive um e veja o que eu me tornei.

Luke e Romina

 

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Luke se despede do circo e quer que Romina vá junto com ele e seu filho, porém Romina não sente segurança em Luke. E acaba substituindo o rapaz por um pai de família que seu filho realmente precisa (e não pelo cara que ela gosta). Sem emprego, a semente da ideia deturpada de ganhar dinheiro é plantada na cabeça de Luke por seu chefe atual, um mecânico de motos que descola um emprego mal remunerado ao rapaz. E aí as encrencas de Luke começam, justificadas pelo filho que ele tem para sustentar e um bom pai que ele tenta ser.

 

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Mas seu temperamento explosivo e impulsivo mais afasta Romina e consequentemente seu filho, que ainda é um bebê. Mas isso é apenas a origem da história, como falam por aí há acontecimentos que a razão desconhece e coincidência é um termo muito simples para determinadas coisas que acontecem na vida e reverberam na vida dos que amamos, sejam eles os filhos ou quem nos apaixonamos.

 

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O filho de Luke, Jason: a procura pelo pai que a mãe omite é a procura por ele mesmo e quem ele é.  A descoberta mais decepcionante de sua vida não é sobre o pai, mas sobre o que fizeram com ele. 

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E os segredos dos pais reverberam em uma amizade ingênua entre dois  filhos de pais diferentes, com destinos diferentes: um trágico, heróico e condenável e um honroso, heróico e também condenável. Qual a diferença entre os dois pais? Se o filho do “bandido” tem condutas esperadas de um garoto de sua idade e humildade, fruto de uma família simples,  enquanto o filho do “policial” tem condutas imorais ou amorais, um ego maior que a empatia por qualquer pessoa que não possa tirar algum proveito. Coincidências demais para achar que as coisas acontecem por acaso.

Os filhos de Avery Cross (Bradley Cooper) – AJ (Emory Cohen) e Luke (Ryan Gosling) – Jason (Dane DeHaan): amizade ou vampiragem emocional por parte de AJ?

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Luke e Avery, a sociedade te dá o papel que você deve interpretar. Mas nada é tão fácil quanto parece.

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O estilo do jurado Glenn Hetrick do Face Off (SyFy)

novembro 2, 2015

No início do ano comecei a ver Face Off meio que por acaso, pois estava vendo Best Ink (eu acho) no SyFy, então me deparei com um programa que parte do princípio de um realitty show com maquiadores de efeitos especiais, a cada dia é dada uma tarefa que eles resolvem em grupo ou individualmente. Já fizeram dark elfs, palhaços aterrorizantes, fadas, cavaleiros medievais, rockstars incorporados fisicamente à suas guitarras, aliens, maquiagens baseadas no mundo de Tim Burton, elfos e uma série de outras maquiagens fantásticas. Claro que sempre tempos favoritos entre os participantes, mas isso é assunto para outra postagem. Quem me chama atenção no programa é Glenn Hetrick, um dos jurados do Face Off.

Glenn Hetrick à esquerda junto com o jurado Neville Page (especializado em ilustração e design gráfico de games, filmes e maquiagens) no Face Off, analisando uma das maquiagens dos participantes.

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Glenn já trabalhou com os efeitos de maquiagem de Legião, Jogos Vorazes, Buffy – a caça vampiros, CSI:NY, Heroes e Arquivo X. Além do mestre de filmes de zumbi George Romero. 

Glenn, ainda jovem trabalhando em um zumbi.

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Mordidas e arranhões de zumbi, feitos por Glenn

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Maquiagens do estúdio de Glenn Hetrick, Optic Nerve Studios incluindo o demônio de “Buffy a caça vampiros”.

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Também já fez trabalhos para a banda Misfits, produziu a guitarra e figurino de Lady Gaga. E o que mais admiro nele, ele realmente coloca a mão na massa e ensina os artistas, também ajuda a produzir em seu estúdio o Optic Nerve Studios. Trabalhou com outra jurada que adoro pelas tiradas de humor, a ótima Ve Neill. Inclusive ela que ameniza a sinceridade exacerbada de Hetrick, que na verdade nem ele nota mas às vezes soa grosseiro e arrogante (totalmente perdoo, pois também sou assim e nos últimos anos tenho me vigiado para não ser, principalmente com meus alunos adolescentes). Tirando isso ele faz observações certeiras para evolução dos artistas, não é nada no sentido de humilhação como vemos constantemente em Ink Master, quando vemos os jurados jogando competidores uns contra os outros. A análise do trabalho feito é o que deve ser mais importante. E os artistas realmente melhoram após suas críticas e Glenn também elogia quando algo fica muito bom, incentivando os participantes, dando dicas no que podem melhorar.

Antes que me acusem de não acentuar desdém, a fonte que usei não acentua. Rs…

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Eu gosto muito do clima do programa, primeiro porque adoro fantasia, terror, essas loucuras medievais, aliens e monstros me fazem pirar.

Uma das criações mais lindas do programa, em que o tema era criar seu próprio dragão com elementos como gelo, fogo, ar… Tyler Green criou um dragão do gelo que fundiu com um abutre. Ficou espetacular!

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Dragão

E depois porque parece o ambiente da sala de escultura de quando estudei na faculdade, me recordo de tudo das aulas do Ricardo Cristofaro, desde o conceito no desenho, explicações até a hora da execução, os sucessos e erros dos participantes. É a real de quem faz graduação em Artes. E também pela minha prática com os alunos, lembro de moldes de máscaras, pés e mãos em gesso e o processo não era muito diferente.

Sobre o estilo do Glenn eu adoro suas tattoos inspiradas na Dança Macabra em estilo não muito difundido no Brasil ainda, o engraving (gravura):

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Glenn Hetrick, a Hellertown native is one of the three judges on ÒFace OffÓ the reality series which starts its third season Aug. 21 on SYFY /(Ed. Note: FEATURES)

Sua tattoo no peitoral com estilo realista também é muito legal, dois relógios, um corvo (?) e memento mori (expressão em latim que diz “Lembre-se que você é mortal”).

Memento mori

Sobre o estilo do Glenn, acho perfeito. Ele mistura suas referências góticas e metal, pode estar vestido tanto de maneira básica quanto com roupas steampunk, vitorianas, clássicas…ele é uma prova que o preto não precisa ser usado de maneira sempre igual. E como cores secundárias usa branco, cinza, marrom, vinho…sempre com unhas pretas e acessórios de metal, assim como suas argolas nas orelhas que são marca registrada.

Roupas simples com acessórios de metal variados em estilo medieval, celta e steampunk. Ele possui muita influência tribal e heavy metal.

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Influência vitoriana no casaco e colete, misturada à calça de couro no estilo motociclista

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FACE OFF -- Season:5 -- Mini Gallery -- Pictured: (l-r) Neville Page, Ve Neill, Glenn Hetrick -- (Photo by: Tommy Garcia/Syfy)

A touca de Glenn é usada de maneira diferente, com acessórios de metal, um tanto tribal e heavy metal

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Ele usa muito couro, inclusive blazer que dá um ar mais elegante que a jaqueta.

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Novamente com elementos vitorianos, como a cartola

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Em um encontro, sobrevivente de um mundo pós-apocalíptico: elementos tribais e heavy metal.

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Glenn Hetrick o jurado que nunca ri, mistura de Nicolas Cage fortão e John Travolta em “A Reconquista” parece ter saído de um futuro caótico, pós-apocalíptico, dark e monstruoso. E assim que gostamos dele. Ele é o equilíbrio perfeito da personalidade da simpática e divertida Ve Neill, que já trabalhou junto com ele em filmes e séries e agora é sua amiga de Face Off.

A Comic-Con Internacional de 2013, Glenn e Ve.

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Morte, o grande momento da vida também para quem fica!

novembro 2, 2015

Eu estava preparando um post sobre o estilo do Glenn Hetrick, pois faz tempo que não posto sobre estilos no blog. Mas acreditam que a conexão caiu e eu perdi meu post inteiro? Mas não se preocupem, pois vou postá-lo em breve. Foi aí que emergências psicológicas clamaram que eu fizesse esse post. Hoje é dia de Finados, dia dos mortos.  Antes de minha mãe morrer e meu casamento acabar eu achava que eu não era feliz em muitas coisas, meu projeto de vida profissional não se encaminhava da maneira que eu desejava, eu não sabia se prestava concurso público, fazia outra graduação ou se virava artista em tempo integral. Mas como eu iria viver? Reclamava do cansaço do trabalho, mas no final de semana eu visitava minha mãe junto com meu marido. Era um momento de felicidade, viajava para outras cidades, ficava feliz quando meus alunos aprendiam, quando eu tinha sucesso na academia… Coisas bobas enfim, pequenas. Mas eram momentos felizes. Depois fui efetivada, comecei a trabalhar muito e minha vida entrou nos eixos, pela primeira vez me sentia muito feliz depois de tempos, aí minha avó faleceu e não fui vê-la antes da morte, meu irmão morreu e não fui vê-lo antes da morte e minha mãe morreu e ironicamente eu quase não a visitei no ano de sua morte. Eu aguentei duas grandes perdas, aguentei a separação (foi nesse ano também, meses depois da morte da minha mãe, já não estávamos bem e viramos apenas amigos dentro do casamento), mas a morte da minha mãe acabou comigo e busquei ajuda. Ainda hoje tenho recaídas, há dias melhores e dias piores. Eu perdi esse ano me recuperando do trauma de ver minha mãe morrer, meus projetos todos foram por água abaixo. Eu tinha vários planos e tinha economizado muito, dinheiro que gastei em jazigo, enterro, advogado, inventário… Não estou reclamando de nada disso, eu e minha irmã enterramos minha mãe onde ela sempre quis ser enterrada. Mas estou dizendo que nunca sabemos qual será o nosso futuro. Ontem fui visitar o túmulo da minha mãe, junto com meu pai e minha irmã e vi um túmulo de uma moça mais nova que eu que havia morrido, o túmulo de uma moça da mesma idade que minha irmã e o túmulo que me chamou atenção, pois havia duas bonecas iguais sobre ele: eram irmãs gêmeas que nasceram e morreram no mesmo dia. Abaixo as inscrições: saudades de papai, mamãe e irmãzinha.

Sempre que falamos em morte temos a mania de acharmos que é um papo depressivo, que não merece ser conversado. Talvez seja por isso que aqui no Brasil a gente não tenha o mínimo de preparo para encarar a morte de forma natural, pelo menos os de formação tradicional cristã que é o meu caso. No México a morte é vista de forma natural e festiva, em Colônia na Alemanha as pessoas fazem picnics no cemitério junto com suas famílias.  E somente com a morte a gente discorre sobre temas que até então não eram colocados em dúvida para nós, como o que vem depois? Digo, de maneira tão forte como antes não colocávamos.  Minha mãe está onde, será que ela pode me ver? O que estou dizendo é que a vida e a morte é muito mais que tudo isso. que nossas certezas.

Escrever sobre isso ajuda a lidar com o fato de não tê-la mais comigo, de não ter pensamentos obsessivos e pensar que eu vou ter novamente o domínio da minha vida de volta. Eu passei o ano inteiro com sensação de desorientação e sem saber quem eu sou, tentando encontrar minha identidade novamente e tendo a horrível sensação de que eu não sou mais eu, mas uma outra pessoa diferente. E como criar metas para realização de planos na sua vida se você não sabe como lidar com essa outra pessoa que você se tornou?  Se você se sente insuportável para si mesmo e consequentemente para os outros? Minha irmã disse que eu hoje estou bem, que ela me prefere bobona e alegre, mas nem sempre é assim. Não nos dias em que você está bem, mas nos dias em que você está mal. Experiências de vida nos puxam para realidade e tenho  que tomar as rédeas do meu controle emocional, tomar as rédeas da minha vida como sempre fiz até aqui, ser forte. Hoje eu consegui desde muito tempo ligar o pessimismo que sentia quando pensava no fato de minha mãe ter morrido à coisas lindas que ela fazia, como ser otimista mesmo na situação hospitalar em que estava. Senti um avanço no sentido que em muito tempo eu me senti bem e melhor. Ontem eu fui de chapéu ao cemitério, o chapéu floppy que comprei junto com minha mãe na última viagem que fizemos juntas e lembrei do que ela disse quando eu coloquei: ela disse que eu estava linda.

“Mas são os momentos que iluminam tudo. Às vezes você nem percebe quando está vivendo… é isso que faz o resto ser importante.”

Morte, dos perpétuos a mais otimista e bem humorada, mas nunca superficial e menos existencialista.

Morte

Quando o amor acaba

julho 31, 2015

“As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.”

(Lilian Tonet)

“…Assim, não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer. E não se pode aprender a arte ilusória –  inexistente, embora ardentemente desejada – de evitar suas garras e ficar fora de seu caminho. Chegado o momento, o amor e a morte atacarão – mas não se tem a mínima ideia de quando isso acontecerá. Quando acontecer, vai pegar você desprevenido.”

(De “Amor Líquido” sobre a fragilidade dos laços humanos –  Zygmunt Bauman)

 

Eu acredito que as pessoas não aparecem em nossa vida por acaso. Estranhamente sempre acreditei em livre arbítrio e escolhas, por mais que às vezes queremos escolher por livre e espontânea vontade, as coisas ocorrem na nossa vida. De alguma maneira podemos optar, mas não fugir daquilo que a vida nos reserva. Eu sempre sofri muito por não ter o controle das coisas, porque quando eu era mais jovem eu achava que tudo poderia ser planejado, executado e ter um final como eu esperava. Só posso dizer que era muito ingênua, nas escolhas, nas palavras, na sinceridade….de certa maneira ainda sou.

Uma história que acho muito triste é a de Kurt Cobain e Courtney Love. Ironicamente Courtney queria salvar Kurt, de algo que apenas ele poderia se salvar. Ela chegou a salvá-lo duas vezes do suicidio, porém na terceira ele se isolou e aconteceu o que sabemos. Podemos vislumbrar os sentimentos dos dois em várias músicas. Como eu tenho dificuldade de escutá-las! Porque de certa maneira eu sinto o que eles sentiam. Dói no fundo da alma saber que algumas coisas, situações e pessoas são intocáveis, não há com interferir por mais próximos de nós que estejam. Hoje elas estão próximas, são íntimas e amanhã são completos desconhecidos.

Kurt Cobain fala em “All Apollogies” : “Sob o sol, estou casado, enterrado. Queria ser como você facilmente entretido, encontrar meu ninho de sal, tudo é minha culpa! Eu levo a culpa de tudo.Vergonha até por espuma marinha” e Courtney responde em “Malibu”, com o Hole: “Como você ficou tão desesperado? Como você sobreviveu? Me ajude, por favor….Queime a tristeza de seus olhos.  Oh, venha viver de novo, não deite e morra. Chore para os anjos, eu vou te resgatar, eu vou te libertar hoje à noite, baby. Segure-se em mim”.

O casamento de Kurt e o amor de Kurt (Courtney)

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Eu acredito que o amor acaba, pelas circunstâncias, pelos acontecimentos, pela morte… Parece que todo história de amor verdadeiramente Romântica está fadada ao sofrimento. Em tempos de amor e sexo pela internet, na vida real eu percebo os seres humanos muito mais perdidos. Algo como, se eu não tenho o que eu quero vai qualquer pessoa. Acho cruel como os sentimentos se tornaram descartáveis em tempos de WhatsUp, Skype…você é um nome, um número. Um corpo, um objeto, uma foto… descartável ou não. É assim com quem você amou por dez anos, é asim com quem você amou por seis meses. Um belo dia, você acha que está tudo bem. E é surpreendido, rejeitado, abandonado, bloqueado…nas redes sociais ou da vida de quem você amou ou ama.

Em “Her” de Spike Jonze, Joaquin Phoenix é Theodore, que fala sobre amor como ninguém mas não consegue vivenciá-lo. Ele está traumatizado com o fim de seu casamento, como seus relacionamentos reais não dão certo, ele decide namorar um sistema operacional, Samantha (Scarlett Johansson). Incrivelmente dá certo porque não é real. Mas até que ponto você pode ser único em um relacionamento virtual? Como levar um sistema operacional para um evento como se fosse sua namorada?

“Às vezes acho que já senti tudo que eu deveria sentir. E que de agora em diante não sentirei mais nada novo. Somente versões menores do que eu já senti.” (Theodore)

É significativo ter medo das pessoas quando sofremos mais do que poderíamos em um relacionamento. Muitas vezes permitimos nos levar por sonhos que são somente nossos e nunca foram divididos pela outra pessoa. Até o céu pode desabar sobre nossas cabeças.

Ela

Boho goth: O que a Arte tem a ver com isso?

junho 4, 2015

Para começar eu acredito que o boho goth nunca foi uma tendência, acho que sempre esteve impregnado de uma maneira ou outra no inconsciente coletivo gótico, podemos perceber uma influência oriental muito grande já no Romantismo, alguns escritores faziam uso disso em seu estilo exótico, pois a orientalidade emanava mistério e aos olhos dos europeus era sombrio e um tanto marginal (estar a margem da cultura dominante). Lembrando que isso emanou também na arte e até mesmo no Brasil, onde figuras orientais e cavaleiros medievais foram substituídos pelos índios, mais próximos do nosso folclore e próximos do Romantismo pela representação da pureza nunca afetada pelo homem moderno que faz parte da sociedade comum e suas obrigações, tanto financeiras quanto filosóficas.

Nesse retrato feito pelo artista Thomas Phillips, Lord Byron aparece com traje tradicional albanês, ele usa um estilo oriental.

(c) Government Art Collection; Supplied by The Public Catalogue Foundation

(c) Government Art Collection; Supplied by The Public Catalogue Foundation

A minha cena preferida de “A Rainha dos Condenados”, filme tão odiado por todos porque o Lestat de “Entrevista com o vampiro” era bem mais semelhante ao Lestat dos livros de Anne Rice, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Lestat se aproxima interessado de uma cigana que também se sente atraída por ele (e esse acesso ocorre através da música, pelo qual ambos são atraídos). Os exóticos sempre se aproximam e há um fetiche da cultura diferente da européia dentro do Gótico/gótico e do Romantismo. Eu ainda acho que um dos grandes méritos do filme “A Rainha dos Condenados” é trazer uma cantora negra para o papel de Akasha, coisa que parecia impensável em filmes anteriores. mas a própria Anne Rice não chegou a especificar qual seria a etnia de Akasha.

É impossível não lembrar das dançarinas de tribal fusion, a minha favorita é Zoe Jakes pela ousadia em misturar ritmos que nada tem a ver com belly dance e movimentos que misturam os clássicos orientais, indianos e até hip-hop e jazz. Pode parecer estranho, mas isso tudo dá certo, nessa dançarina de tribal fusion. Eu sou encantada com tribal fusion, justamente por permitir essa liberdade em belly dance. Os figurinos de Zoe também são um show à parte, eu vejo muita orientalidade e uma influência folk muito nítida.

Nessa apresentação, Zoe incorpora todo o conceito dos anos de 1920, desde à art nouveau no estilo de Mucha, cabaret até o jazz.

Já aqui, jakes em uma performance solo tem influências de dança indiana e em certo momento faz  a mesma careta da deusa Kali, a deusa da destruição e da morte (mas também da transformação, já que para criar tem haver a destruição posterior das estruturas firmadas), a força feminina símbolo da vida e fertilidade.

Kali

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Zoe Jakes

 

É impossível não lembrar também de uma banda alemã que aprecio muito, chamada Faun. Eu estou de olho na banda há vários anos desde que passei por uma fase de viking metal/folk metal em 2008. E até hoje adoro isso, porque adoro mitologia grega/romana, eslava, finlandesa, egípcia, celta, nórdica, medievalismo… Eu não posso dizer que é uma fase porque sempre estou em busca de algum livro ou filme sobre, não sei até que ponto isso afeta meu estilo na hora de me vestir (as pessoas devem olhar e não entender nada, mas para mim meu estilo é coerente). Enfim, olhem essa pintura que eu amo, do Goya, “O Sabá das Bruxas”, da série de pinturas negras que ele fez para criticar a Santa Inquisição:

 

Goya

Nesse quadro é representada uma reunião de bruxas no qual o ser chifrudo parecido com o bode representa o mal, elas oferecem crianças em sacrifício à ele. Obviamente a lua é representada também na composição, pois todo ciclo de colheita, calendários e comemorações eram guiados pela sua posição. É obviamente uma alegoria, com chifres ornados com ramos, nos faz perceber a influência folk notável em pintores de períodos anteriores, ao representar as ninfas e sátiros por exemplo. O bode é sempre representado como mal (Satanás), isso antecede Baphomet, divindade pagã popularizada no século XIV. O bode sempre foi um símbolo de fertilidade, os sátiros/faunos que eram metade bode e metade humano dentro da mitologia eram tidos como seres incontroláveis sexualmente que se refugiavam com as ninfas para manter relações sexuais na floresta. Mas também gostavam de vinho e da música.  Eles representavam um arquétipo do descontrole pela busca do prazer, os excessos sexuais, pela bebida e pela música. No hedonismo como termo grego, o prazer era o supremo bem da vida humana. Posteriormente no Iluminismo, passou a significar o prazer egoísta, imediatista, a busca de prazeres momentâneos. O Cristianismo condena os excessos de prazer assim como as crenças pagãs dos diversos povos, portanto a figura do bode foi perseguida como pagã e demonizada na forma de Satanás, assim como os comportamentos fundamentados nos excessos, seja com a bebida ou com o sexo. Ambos, ninfas e sátiros estão ligados com as festas da colheita e à fertilidade.

Devemos nos lembrar que o teatro grego nasceu do culto à Dionísio, nos festivais de caráter dramático (alegre ou sombrio) de ditirambo, em que as pessoas se vestiam como sátiros e acompanhavam o canto coral com flautas, liras e tambores. Alguns dizem que as peles de sátiros também incorporavam um falo.

A obra de Peter Paul Rubens, “Dois Sátiros” – 1618-19: A uva é matéria para o vinho

Two_Satyrs

O Pã ou Lupercius é o deus dos bosques, dos rebanhos e dos pastores, é representado com pernas e chifres de bode. Amante da música traz com ele uma flauta, frequentemente visto na companhia das ninfas. Pã era uma entidade maior que os sátiros. Mas todos estão ligados com o conceito da natureza, a lua chamada de Selene foi o grande amor de Pã.

Representação de Pan

PanRepresentação de Selene

Lua Selene

Representações dos dois juntos

 

Pan e Selene2

Pan e Selene

As ninfas, deusas espíritos da natureza geralmente são representadas com coroas de flores ou ramos na cabeça.

Um detalhe da pintura de Botticelli, a primavera com representação de uma das ninfas

BotticelliPrimavera

Eu gosto muito desse vídeo da banda alemã Faun, há um ritual que nos faz lembrar as festas da primavera ou vinho em honra à Dionísio. Várias ninfas dançantes e o encontro entre Pã (vestido em sua pele de cordeiro para não assustar a amada com sua aparência grotesca) e Selene (a deusa da Lua).

Atentos à toda História, Arte e mitologia por trás do boho goth, fica bem mais interessante usar alguns símbolos como a lua, as fases da lua, os chifres, os colares (adornos)…quem sempre gostou fique atento para essa influência cultural acerca do estilo.

Acessórios tribais com diversas influências culturais, as fases da lua onipresentes em camisetas, saias e acessórios, ear cuffs com influência celta e medieval, os adornos com chifres/cornos, adornos indianos na cabeça e mãos, mãos pintadas com henna e unhas pretas,  a coroa com flores ou ramos…As diversas influências do Boho goth perpassam os anos de 1970 e o gótico em suas temáticas medievais, exóticas, tribais e mitológicas.

LaLune

Lua

Fases da Lua

O

EarCuff

Chifres

Adornos

Hena

Anéis

Skull

Eu gosto tanto desses temas que tenho três painéis no Pinterest para quem acompanha: Viking force, celtic dreams and medieval things Boho Goth Zoe Jakes and tribal fusion

Algumas aquisições minhas no estilo baho goth, pulseiras, anel e colares, além de lenços (não está tudo aqui, apenas o que eu mais gosto). Ao fundo o Yggdrasil que ganhei de presente e ainda não pintei. E leituras sobre o tema, livro sobre a História das bruxas e inquisição e livro sobre mitologia mundial na página da mitologia eslava e a Baba Yaga.

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